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Organizações pedem cautela em novo fundo indígena e exigem modelos de repasse menos burocráticos

Organizações pedem cautela em novo fundo indígena e exigem modelos de repasse menos burocráticos

Redação
Por: Redação
13/11/2025 às 11h00 Atualizada em 13/11/2025 às 14h00
Organizações pedem cautela em novo fundo indígena e exigem modelos de repasse menos burocráticos
Foto: Reprodução
O anúncio do novo fundo do governo federal voltado a povos indígenas foi recebido com cautela por organizações da sociedade civil. A Rede Comuá, que reúne fundos independentes, vê a criação do mecanismo como positiva, mas alerta para o principal desafio: garantir que os recursos cheguem efetivamente aos territórios. Dados do InfoAmazonia mostram que apenas 3% dos recursos do Fundo Amazônia alcançam diretamente organizações indígenas, o que reforça a urgência de adotar modelos de repasse direto, a exemplo do arranjo inovador estruturado pela Rede Comuá e a CESE em parceria com a COIAB

Organizações da sociedade civil que atuam com financiamento climático receberam com cautela o anúncio do novo fundo do governo federal destinado a povos indígenas. Embora reconheçam a iniciativa como positiva, o foco principal é na burocracia que impede a chegada dos recursos nas comunidades. A Rede Comuá, que congrega fundos e fundações independentes, destaca que o desafio é persistente. Dados do InfoAmazonia, baseados no próprio Fundo Amazônia, indicam que apenas 3% dos recursos destinados à proteção da floresta alcançam de fato as organizações indígenas, grupo que está na linha de frente da conservação.

? Experiências de Repasse Direto

A Rede Comuá defende a urgência de adotar modelos de repasse direto e menos burocráticos, utilizando a própria experiência de suas organizações-membro como prova de que esse caminho é possível:
  • Modelo Inovador: A CESE, em parceria com a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), estruturou um arranjo inovador que permitiu o repasse de recursos do Fundo Amazônia diretamente a povos indígenas, fortalecendo a gestão territorial e ambiental.
  • Mobilização de Recursos: Entre 2023 e 2024, as organizações da Rede Comuá mobilizaram R$ 450 milhões para iniciativas de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, mulheres, juventudes e coletivos urbanos em todos os biomas brasileiros, beneficiando quase meio milhão de pessoas.

? Plataforma de Influência na COP30

Para influenciar os fluxos oficiais de recursos, a Rede Comuá apresentará na COP30, em Belém, "A Casa Sul Global". A plataforma visa reunir experiências do Sul Global e propor que os mecanismos oficiais de financiamento climático, como o recém-anunciado fundo federal, aprendam e se inspirem nas soluções que já estão em curso para garantir que o dinheiro chegue diretamente a quem protege a floresta. O propósito da iniciativa é influenciar as dinâmicas de poder e os fluxos de recursos em prol da justiça socioambiental.
Com informações: Rede Comuá / InfoAmazonia
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