
As emissões de metano (CH₄) continuam a crescer em nível global, apesar do compromisso firmado por 159 nações em 2021 de reduzir a poluição pelo gás em 30% até o final da década. Um estudo divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Coalizão para o Clima e o Ar Limpo (CCAC) alertou que é necessária a implementação urgente de medidas de controle para atingir o Compromisso Global do Metano.
O metano é um gás de efeito estufa de vida curta, mas com potencial de aquecimento global 28 vezes superior ao do CO2 em um período de cem anos. O controle dessas emissões pode evitar mais de 180 mil mortes prematuras e 19 milhões de toneladas de perdas de safras por ano até 2030.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), os países do G20 são responsáveis por 63% das emissões de metano provocadas por ações humanas em nível global.
No entanto, as nações mais poderosas do planeta também detêm a maior fatia do potencial global de mitigação desse potente gás: 72%. O PNUMA destaca que medições mais robustas, melhor reporte e mais financiamento são essenciais para direcionar as principais fontes de emissão e fechar a lacuna de investimentos.
O Brasil é o quinto maior emissor de CH₄ do mundo, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Rússia.
Pecuária Dominante: Segundo o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, em 2023 o país emitiu 21,1 milhões de toneladas de metano. 75% dessas emissões são provenientes das atividades do agronegócio, majoritariamente a pecuária.
Crescimento: Desde 2005, as emissões brasileiras de metano subiram 7,2%. Em 2023, a fermentação entérica do rebanho bovino (conhecida como "arroto do boi") emitiu mais GEE do que toda a Itália no mesmo ano, segundo o SEEG.
Renata Potenza, especialista em Políticas Climáticas do Imaflora, aponta que o Brasil ainda não possui leis específicas para o metano. Ela avalia que as políticas existentes, como o Plano Clima e o Plano ABC+, abordam o tema de forma "tímida", sendo necessário aumentar a ambição para um endereçamento focado na redução.
Apesar de existirem tecnologias disponíveis – como a redução da idade do abate e a recuperação de pastagens degradadas –, o desafio é levar esse conhecimento ao produtor rural. A especialista indica que é preciso criar uma narrativa que demonstre que a redução das emissões de metano leva, também, a uma maior produtividade.
Com informações: PNUMA (UNEP), CCAC, Agência Internacional de Energia (IEA), SEEG (Observatório do Clima) / ECO