
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU para a migração, está se preparando para um cenário sem precedentes: a realocação de países inteiros devido aos impactos da mudança climática. A vice-diretora-geral da agência, Ugochi Daniels, afirmou que a OIM já estuda como gerenciar a soberania, identidade e cultura de nações que precisarão abandonar seus territórios.
Daniels citou o caso da nação insular de Tuvalu, que em 2024 assinou um acordo com a Austrália para garantir o direito de residência permanente aos seus 11 mil habitantes, em função do temor de que o arquipélago fique submerso em cerca de cem anos.
A crise climática está remodelando os padrões migratórios globais por meio do aumento do nível do mar e da desertificação, como a que atingiu o Lago Chade, que perdeu 90% de seu tamanho.
Recorde de Deslocamento: No último ano, quase 46 milhões de pessoas foram deslocadas por desastres — o maior número já registrado. Embora a OIM preveja a mudança de países, a forma mais comum de deslocamento ainda ocorre internamente, dentro dos próprios territórios, quando eventos extremos atingem as comunidades.
Foco em Adaptação: A ONU está focada na adaptação, pois cerca de 1 bilhão de pessoas estão em risco devido ao aumento do nível do mar. A OIM critica que a maioria dos governos destina menos de 1% de seus orçamentos à prevenção de desastres.
Gênero e Impacto: As mulheres são as mais afetadas pelo deslocamento, sendo frequentemente relegadas a empregos de baixa remuneração ou sofrendo consequências negativas ao optar por ficar para cuidar das famílias.
A agência de migração pleiteia na COP30 que haja financiamento climático direto às comunidades mais vulneráveis, incluindo os migrantes, e que a mobilidade urbana seja incluída na agenda de adaptação.
Daniels reforça que o foco não é apenas o valor, mas sim a acessibilidade. A OIM espera um acordo sobre o objetivo de US$ 1,3 trilhão para financiamento climático, mas pede descrições claras de como países altamente impactados, como Afeganistão, Somália e Etiópia, poderão ter acesso a esses recursos.
Com informações: OIM (agência de migração da ONU), Folhapress, ICL Notícias