
O Brasil perde anualmente 5,8 bilhões de m³ de água tratada nas redes de distribuição, volume que representa 40,31% do total produzido. O desperdício diário equivale a 6.346 piscinas olímpicas, ou o suficiente para abastecer 50 milhões de brasileiros por um ano, segundo o "Estudo de Perdas de Água 2025" publicado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a GO Associados.
A ineficiência no controle de perdas é um grande problema ambiental, econômico e social, agravado pelo cenário de mudanças climáticas e o consequente aumento das secas. O volume perdido compromete o suprimento de água para a população e pressiona excessivamente rios e mananciais.
Meta de Excelência: A Portaria 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) define como nível aceitável de perdas o limite de 25% na distribuição até 2034.
Benefício Social: A redução da perda para a meta de 25% economizaria 1,9 bilhão de m³ de água, o suficiente para o consumo médio anual de 31 milhões de brasileiros.
Desigualdade Regional: As regiões Norte (49,78%) e Nordeste (46,25%) registram os maiores índices de perdas na distribuição, com o estado de Alagoas no topo da lista, com 69,86% de perdas.
A redução de perdas não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas uma medida de adaptação climática. A ineficiência atual gera maior custo de insumos, energia e manutenção, além de pressionar o meio ambiente.
Ganhos Brutos: O estudo projeta um potencial de ganhos brutos de R$ 34,6 bilhões até 2034 no cenário de redução de perdas para 25%. O benefício líquido, considerando os investimentos necessários, é da ordem de R$ 17,3 bilhões em 10 anos.
Universalização: A universalização do saneamento, que ainda deixa 34 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada, está intimamente ligada ao aumento da eficiência e à redução de perdas.
A Presidente Executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, e o Professor Gesner Oliveira reforçam a urgência em investir na modernização da infraestrutura hídrica para garantir o uso sustentável dos recursos em um contexto ambiental cada vez mais crítico.
Com informações: Instituto Trata Brasil (ITB) e GO Associados