
Cerca de 130 páginas de materiais inéditos do falecido diretor de animação Isao Takahata foram descobertas em sua casa em junho e analisadas por Kano Seiji, professor da Universidade de Artes de Tóquio. Takahata, conhecido por dirigir clássicos do Studio Ghibli como O Túmulo dos Vagalumes e O Conto da Princesa Kaguya, e por séries como Heidi e Marco, faleceu em 2018.
Parte dos materiais encontrados data do início da carreira de Takahata, no começo dos anos 1960, período em que ele trabalhava na Toei Doga (atual Toei Animation). A descoberta reforça a característica do diretor de reinterpretar obras conhecidas, uma marca que esteve presente desde seu primeiro longa, Horus: O Príncipe do Sol (1968).
Entre os achados, foram revelados detalhes de dois roteiros inéditos e um rascunho:
Oeyama: Baseado na lenda japonesa do oni Shuten-dôji (registro do século 14). Na versão de Takahata, a criatura não representaria o mal em sua essência, ganhando um forte lado cômico e mais humanidade.
Moratta Hoseki (A Joia que Recebi): Baseado no conto Kai no Hi (O Fogo da Concha), do poeta Kenji Miyazawa. Takahata buscava uma abordagem mais otimista do que a original de 1934, com o protagonista (um coelho) reconhecendo seu erro e se unindo a outros animais para combater um antagonista.
Rascunho de Kaguya: Um dos rascunhos seria de uma história anterior que serviu de base para O Conto da Princesa Kaguya (2013).
O professor Kano Seiji pontuou que, no período em que parte desse material foi escrito (início dos anos 1960), a animação era majoritariamente voltada para crianças, com uma mensagem simplória do bem superando o mal. Os materiais de Takahata mostram sua busca precoce por aprofundar essa questão, implementando mais nuances de humanidade em seus trabalhos – uma característica que definiria sua filmografia no Ghibli.
Embora o arquivo seja uma grande descoberta para a história da animação, não há, no momento, expectativa sobre o que será feito com o material, levantando a discussão sobre o respeito à obra de um diretor já falecido.