
A reintrodução da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) na Caatinga baiana está ameaçada pela disseminação de um circovírus. Segundo o ICMBio (coordenador do projeto), o patógeno já teria infectado 31 aves, sendo 11 que já estavam em vida livre e outras 20 que aguardavam soltura no criadouro conservacionista em Curaçá (BA).
O ICMBio informou que está investigando se o vírus é de origem estrangeira ou se já estava no Brasil. O órgão não descarta a hipótese de o patógeno ter chegado com as aves vindas em janeiro do criadouro alemão ACTP. Na época da chegada, um dos 41 animais testou inicialmente positivo, mas exames posteriores o isentaram da contaminação.
Ugo Vercillo, diretor da ONG Blue Sky Caatinga e do Criadouro Ararinha-azul, questiona essa possibilidade, afirmando que as aves foram examinadas na Europa e na chegada ao Brasil, com todos os resultados sendo negativos para enfermidades. Ele também citou que o circovírus é comum em criadouros, feiras e casas em vários estados brasileiros, sendo "pouco crível" que nenhuma ave nativa ou exótica já infectada tenha alcançado o ambiente natural.
Outra discórdia envolve os métodos de testagem:
ICMBio: Usou o “PCR em tempo real”, que indicou positivo em 11 aves reintroduzidas.
Blue Sky Caatinga: Vercillo alega que esse método é muito sensível e sujeito a contaminação ambiental, defendendo que o método "PCR convencional" – recomendado pela IUCN e usado nas aves importadas – apontou infecção em apenas três delas.
O ICMBio emitiu um comunicado descrevendo um auto de infração de R$ 1,8 milhão em multas a Vercillo e ao Criadouro Ararinha-azul, devido a supostas condições sanitárias precárias que aumentariam os riscos de contaminação.
O ICMBio relatou à imprensa que os recintos "não eram limpos diariamente" e que os funcionários não utilizavam equipamentos de proteção.
Vercillo confirmou ter recebido o auto de infração por suposto descumprimento de medidas de biossegurança, mas solicitou acesso ao processo para poder recorrer. Ele afirma que as condições do criadouro estão sendo aprimoradas e que o baixo índice de óbitos e o sucesso reprodutivo (14 filhotes) atestam o cuidado exímio.
Enquanto o impasse sobre a origem e a testagem não se resolve em reunião futura, o ICMBio prioriza a separação segura dos animais positivos e negativos, visando proteger as 103 ararinhas-azuis atualmente presentes no criadouro.
Com informações: ICMBio, Blue Sky Caatinga, Conexão Planeta, Folha de S. Paulo e ECO