
O Congresso Nacional aprovou na quinta-feira (27 de novembro) a derrubada de 56 dos 63 vetos impostos pelo Presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental. As organizações do Observatório do Clima (OC) e outros movimentos sociais consideram o ato como a reconstrução do "PL da Devastação", classificando-o como o pior retrocesso legislativo ambiental da história do Brasil.
A derrubada dos vetos reintroduziu pontos críticos que enfraquecem a proteção ambiental:
Licença por Adesão e Compromisso (LAC) / Autolicenciamento: Retomada da LAC para empreendimentos de médio impacto. Isso significa que cerca de 90% dos licenciamentos estaduais poderão ser feitos automaticamente, incluindo projetos de alto risco como barragens (medida que contraria a jurisprudência do STF).
Dispensa para Agronegócio: Produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) pendente podem ser liberados do licenciamento, na prática dispensando toda atividade agropecuária extensiva, mesmo em casos de desmatamento ilegal.
Violação de Direitos Indígenas e Quilombolas: Manifestação de autoridades ligadas a Terras Indígenas e Comunidades Quilombolas só será considerada se os territórios já tiverem decreto presidencial de demarcação (ou seja, terras não homologadas ou quilombolas sem titulação poderão ser atropeladas por empreendimentos).
Ampliação de Poderes Locais: Estados e municípios terão poderes ampliados para decidir quais empreendimentos não serão alvo de licenciamento ambiental.
Organizações como o Observatório do Clima, Painel Mar e NOSSAS anunciaram que irão ao Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação contra a nova lei, argumentando inconstitucionalidade e risco à saúde e segurança dos brasileiros.
O OC também acusou o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de trair um acordo com Lula. Lula havia vetado a Licença Ambiental Especial (LAE) (de interesse de Alcolumbre para exploração de petróleo na Foz do Amazonas), mas criou uma Medida Provisória (MP) com o mesmo teor, na expectativa de que Alcolumbre defendesse os demais vetos, o que não ocorreu.
Além da via judicial, manifestações contra o "PL da Devastação" estão sendo organizadas para o próximo domingo (30 de novembro) em diversas capitais do país, incluindo em frente ao MASP, na Avenida Paulista (SP).
Com informações: Observatório do Clima e ECO