
O programa teve início em 1976, no auge dos regimes militares no Cone Sul, e foi criado por Dom Eugênio Sales, então arcebispo do Rio de Janeiro, com o apoio da ACNUR. Foi a primeira experiência organizada de assistência a refugiados no país, antecipando a legislação nacional sobre o tema.
Ao longo de cinco décadas, a Cáritas RJ adaptou-se a profundas mudanças nos fluxos migratórios, passando a acolher não apenas perseguidos políticos sul-americanos, mas também pessoas vindas de zonas de guerra, estados colapsados e crises humanitárias crônicas de cerca de 80 países.
O programa atende anualmente cerca de 3 mil pessoas, oferecendo serviços gratuitos essenciais para a integração e reconstrução de vidas no Brasil:
Apoio Jurídico Especializado: Para pedidos de refúgio e regularização documental.
Apoio Social: Avaliação de vulnerabilidade e encaminhamentos.
Inserção Social: Cursos de português e capacitação profissional.
Apoio Comunitário: Atividades culturais e oficinas voltadas à saúde mental.
O cenário de retração das políticas humanitárias, impulsionado pelo aumento global de conflitos e pela reorientação de prioridades nos países financiadores, levou à redução drástica do orçamento da Cáritas RJ.
Serviços Afetados: Um semestre inteiro de cursos de português foi suspenso, comprometendo a integração dos recém-chegados.
Vulnerabilidade: Pessoas em situação de extrema vulnerabilidade deixaram de receber auxílio financeiro emergencial para gastos básicos como aluguel e alimentação.
Impacto na Estrutura: Houve desligamento de parte da equipe, e novas demissões estão previstas.
A organização estima que, se a situação não for revertida, suas atividades poderão ser encerradas em 2026, justamente no ano em que completaria 50 anos de existência.
A coordenadora geral do programa, Aline Thuller, destaca que o risco de fechamento levanta a questão da responsabilidade do Brasil em preservar uma política de acolhimento à altura dos desafios do século XXI e de sustentar o apoio, que atualmente depende majoritariamente de organizações humanitárias isoladas.