
O perfil do público na celebração evidenciou a crescente tonalidade religiosa e sectária do novo poder. Músicas religiosas e a repetição de “Allahu Akbar” ecoavam, reforçando a identidade político-religiosa do governo interino.
Falta de Unidade: Apesar da mensagem oficial de “uma Síria, um povo” em outdoors, a reportagem documentou, ao longo de 2025, a perseguição sistemática e massacres contra minorias sectárias, especialmente alauítas e drusos.
Massacre Alauíta: A minoria alauíta — à qual pertence a família Assad e que, apesar de historicamente ligada ao antigo regime, vivia em grande parte na pobreza — foi alvo de uma onda de vinganças sectárias, atingindo o ápice em março de 2025 nas regiões de Latakia e Tartus, no que o Observatório Sírio para Direitos Humanos chamou de “verdadeira chacina”. O governo interino frequentemente rotula os autores desses massacres como “grupos não identificados”.
Os drusos, minoria no sul do país, também se tornaram alvo de violência, que atingiu o auge em julho de 2025 na região de Al-Suwayda, com confrontos intensos e a falta de intervenção das Forças de Segurança interinas.
Intervenção de Israel: Sob o argumento de proteger a minoria drusa, Israel realizou ataques aéreos em Al-Suwayda e bombardeios em Damasco, inclusive contra o Ministério da Defesa e áreas próximas ao Palácio Presidencial.
Análise Política: O jornalista Iyad Khleif explica que Israel busca manipular tensões sectárias ao se colocar como protetor de minorias. Isso visa legitimar seu caráter religioso e aprofundar a fragmentação, o que, segundo o comentarista, apenas alimenta conflitos em vez de garantir a segurança.
Vítimas: Os confrontos, execuções e ataques aéreos em Al-Suwayda resultaram em mais de 1.100 mortos em julho, incluindo civis e jornalistas.
Com informações: Opera Mundi