
Manifesto lançado durante a COP30 pela Casa Sul Global destaca que as soluções climáticas mais eficazes já existem nos territórios, mas enfrentam insuficiência de recursos, defendendo uma nova arquitetura de financiamento baseada na justiça e na solidariedade.
Pela primeira vez em documentos oficiais da COP30, houve referência direta às desigualdades raciais nos impactos climáticos e à necessidade de integrar a justiça ambiental às políticas de desenvolvimento, reaproximando o debate climático das populações que mais sentem os efeitos da crise.
O manifesto propõe a construção de um modelo de financiamento mais legítimo, responsável, justo, diverso e solidário. Essa proposta baseia-se no reconhecimento de que a solução para a crise está nas tecnologias sociais e nos modelos de governança criados nas comunidades do Sul Global (Ásia, África e América Latina).
Os especialistas ressaltam que a agenda climática avança quando incorpora temas estruturais como desigualdade, racismo ambiental e distribuição de recursos.
Fundos Comunitários: O documento reforça que os fundos comunitários são ferramentas essenciais. Eles atuam de forma descentralizada, com menor burocracia e maior proximidade das realidades locais, o que permite que os recursos cheguem mais rapidamente e ampliem a autonomia de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e populações urbanas periféricas.
Legado Colonial: O manifesto defende que a nova arquitetura deve ser baseada em cinco princípios (legitimidade, responsabilidade compartilhada, justiça e reparação, diversidade e interseccionalidade e solidariedade) para enfrentar o legado colonial que concentra a maioria dos recursos internacionais destinados ao clima no Norte Global, reforçando assimetrias históricas.
Ao colocar o Sul Global no centro das decisões, o manifesto argumenta que é fundamental repensar a lógica de destinação dos recursos, fortalecendo estruturas filantrópicas territoriais para que o dinheiro chegue diretamente a quem enfrenta a crise todos os dias.