
Representantes de 19 universidades e institutos de pesquisa lançaram, nesta semana, o Instituto Nacional do Cerrado (INC). A iniciativa surge com o objetivo estratégico de integrar o conhecimento científico à formulação de políticas públicas, visando frear a degradação ambiental e promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável na região que abriga um terço da biodiversidade brasileira.
A criação do INC ocorre em um momento crítico: o Cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação original, e estudos recentes indicam que 78% do desmatamento ocorrido entre 2009 e 2024 foi ilegal. Sob a liderança da professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), o instituto focará em soluções baseadas na natureza, restauração ecológica e no fortalecimento da bioeconomia para enfrentar a crise climática.
Atualmente sediado na UnB, o INC busca vinculação oficial ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Segundo os fundadores, o Cerrado e o Pampa são os únicos biomas brasileiros que ainda não possuem unidades de pesquisa com ligação direta ao ministério, uma lacuna que a nova entidade pretende preencher para garantir recursos e perenidade às pesquisas.
O instituto trabalhará para conciliar o modelo de desenvolvimento brasileiro com a preservação de serviços ecológicos essenciais, uma vez que o bioma é o berço das principais bacias hidrográficas do país. "É no Cerrado que o país definirá seus caminhos para uma transição ecológica", afirmou Bustamante, destacando o papel central da região no futuro sustentável do Brasil.
Com informações: Aldem Bourscheit / InfoAmazonia /ECO