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Rumo ao Panamá 2027: Desafios e Reflexões sobre Áreas Protegidas e Conservadas

Rumo ao Panamá 2027: Desafios e Reflexões sobre Áreas Protegidas e Conservadas

Redação
Por: Redação
25/12/2025 às 18h00 Atualizada em 25/12/2025 às 21h00
Rumo ao Panamá 2027: Desafios e Reflexões sobre Áreas Protegidas e Conservadas
Foto: Reprodução
Congresso Mundial da UICN definirá o futuro da conservação global com foco em eficácia, equidade e integração de territórios tradicionais

O cenário da conservação ambiental global vive um momento de transição decisivo. Com o anúncio do Panamá como sede do próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas em 2027, a América Latina retoma o protagonismo nos debates sobre biodiversidade após 35 anos. O evento será o primeiro grande encontro sob a vigência do Plano Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabeleceu a ambiciosa Meta 3 (ou 30x30): conservar pelo menos 30% dos ecossistemas terrestres e marinhos do planeta até 2030.

Para o Brasil, o desafio vai além da expansão territorial. Segundo especialistas vinculados à USP, UnB e outras instituições de pesquisa, a prioridade deve ser a eficácia qualitativa. Isso significa que as Áreas Protegidas e Conservadas (APCs) precisam de quadros de pessoal qualificados, recursos financeiros estáveis e uma governança que integre Unidades de Conservação (UCs), Territórios Indígenas e Tradicionais (TITs) e Outras Medidas de Conservação Eficazes Baseadas em Áreas (OMECs).

Eixos Temáticos para o Congresso de 2027

Reflexões iniciais apontam três pilares fundamentais para a resposta global às crises climática e de biodiversidade:

  1. Mudanças Globais: Avaliar ameaças e oportunidades para as APCs em um clima instável.

  2. Ampliação da Escala: Garantir que o aumento das áreas protegidas seja sustentável e eficaz.

  3. Povos e Natureza: Focar em direitos, responsabilidades e na relação das sociedades com o meio ambiente.

A Meta 3 Brasileira e a Sociobiodiversidade

A Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB 2025–2030) é a resposta do Brasil aos compromissos globais. Diferente de metas puramente numéricas, a Meta 3 Brasileira destaca a importância da sociobiodiversidade — integrando o conhecimento e os direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

A conservação não deve ser vista como um entrave ao desenvolvimento, mas como um ativo econômico vital. Áreas protegidas garantem a segurança hídrica, a polinização agrícola e a regulação climática, sendo soluções baseadas na natureza (SbN) essenciais para a qualidade de vida, especialmente em contextos urbanos e periurbanos.

Evolução Histórica dos Congressos de Áreas Protegidas

Ano Local Foco Principal
1962 Seattle (EUA) Estabelecimento de padrões para Parques Nacionais.
1992 Caracas (Venezuela) Relação entre pessoas e áreas protegidas; meta de 10% de proteção.
2003 Durban (África do Sul) Novo paradigma: governança, equidade e compartilhamento de benefícios.
2014 Sidney (Austrália) Integração com saúde, bem-estar e enfrentamento das mudanças climáticas.
2027 Panamá Implementação do Plano Global de Biodiversidade 2030.

Desafios para a Implementação

Apesar dos avanços, o financiamento e a priorização política permanecem como gargalos. A EPANB prevê a regulamentação de omecs e o fortalecimento de territórios tradicionais, mas ainda carece de garantias de expansão de quadros profissionais dedicados. O sucesso rumo a 2027 depende de ver as APCs como territórios de vida e de reconexão entre sociedade e natureza.


Com informações: ECO, Geccap-USP, GAP, Aliança das Ciências pelas APCs e Grupo Cauim-UnB.

 
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