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Duas espécies de peixes das nuvens são descobertas no litoral de São Paulo

Duas espécies de peixes das nuvens são descobertas no litoral de São Paulo

Redação
Por: Redação
30/12/2025 às 06h34 Atualizada em 30/12/2025 às 09h34
Duas espécies de peixes das nuvens são descobertas no litoral de São Paulo
Foto: Reprodução
Cientistas utilizam análises de DNA para identificar novos rivulídeos em riachos da Mata Atlântica; animais vivem em ambientes sazonais e sofrem pressão urbana

Pesquisadores identificaram duas novas espécies de peixes das nuvens que habitam riachos do litoral paulista. A descoberta, publicada no periódico Neotropical Ichthyology, foi possível graças à análise genética de 76 exemplares mantidos em coleções científicas. Os animais pertencem ao gênero Atlantirivulus, que agrupa espécies exclusivas do bioma Mata Atlântica, distribuídas do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul.

As novas espécies foram batizadas em homenagem às regiões e povos locais: o Atlantirivulus tupinambas, encontrado em Bertioga, São Sebastião e Ubatuba, homenageia o povo indígena Tupinambá; já o Atlantirivulus peruibensis faz referência ao município de Peruíbe, no litoral sul, onde a espécie é tipicamente encontrada. Ambos os peixes medem cerca de 3 centímetros e enfrentam ameaças crescentes devido ao desmatamento e à expansão urbana.

O ciclo de vida dos peixes das nuvens

Os rivulídeos, conhecidos popularmente como peixes das nuvens ou peixes anuais, possuem uma estratégia de sobrevivência única no reino animal. Eles dependem do ciclo das chuvas para completar sua existência em habitats temporários, como poças e pequenos cursos d'água.

  • Sazonalidade: Nascem, crescem e se reproduzem rapidamente durante o período chuvoso.

  • Resistência: Antes que a água seque totalmente, eles enterram seus ovos na lama.

  • Sobrevivência: Os ovos sobrevivem meses sem água, esperando pela próxima temporada de chuvas para eclodirem, o que dá a impressão de que os peixes "caíram das nuvens".

Vulnerabilidade e conservação

Devido à dependência de microhabitats muito específicos e temporários, os peixes das nuvens estão entre os grupos de animais mais ameaçados do mundo. A degradação ambiental e a drenagem de áreas úmidas para construção civil podem extinguir populações inteiras antes mesmo de serem conhecidas pela ciência. Os pesquisadores ressaltam que, embora as novas espécies já enfrentem pressões, ainda são necessários estudos adicionais para determinar o grau exato de risco de extinção de cada uma delas.


Com informações:  ECO

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