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Oxfam aponta que 1% mais rico esgotou cota anual de carbono em apenas dez dias de 2026

Oxfam aponta que 1% mais rico esgotou cota anual de carbono em apenas dez dias de 2026

Redação
Por: Redação
19/01/2026 às 07h00 Atualizada em 19/01/2026 às 10h00
Oxfam aponta que 1% mais rico esgotou cota anual de carbono em apenas dez dias de 2026
Foto: Reprodução
Relatório "Dia dos Ricos Poluidores" revela que elite global emite em um dia mais do que metade da população mundial em um ano inteiro

Uma nova análise da Oxfam Internacional, publicada este mês, revela a profunda desigualdade climática que marca o início de 2026. Segundo a organização, o 1% mais rico da população mundial consumiu, até o dia 10 de janeiro, toda a sua "cota justa" de emissões de carbono para o ano todo — volume compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Para o grupo dos 0,1% mais ricos, esse limite foi ultrapassado ainda mais cedo, no dia 3 de janeiro. O conceito de cota justa baseia-se no orçamento de carbono disponível dividido igualmente pelos 8,5 bilhões de habitantes do planeta, o que resultaria em cerca de 2,1 toneladas de CO₂ por pessoa ao ano.

O impacto desse consumo excessivo é alarmante: a Oxfam estima que as emissões desse grupo de elite podem causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século. Além da disparidade no consumo individual, o relatório destaca o papel dos investimentos financeiros dos bilionários, que financiam setores intensivos em combustíveis fósseis, e a influência política exercida por lobistas. Para reverter o cenário, a organização defende a taxação de super-ricos e de lucros excessivos de empresas de petróleo e gás, além de impostos punitivos sobre bens de luxo como jatos particulares e superiates.

Desigualdade nas emissões de carbono

A análise detalha a desproporção entre os diferentes extratos da população:

  • 1% mais rico: Emite, em média, 75,1 toneladas de CO₂ por pessoa ao ano (35 vezes a cota justa).

  • 0,1% mais rico: Supera a cota anual em apenas 72 horas; cada indivíduo emite em um dia o mesmo que metade da humanidade em um ano.

  • Necessidade de Redução: Para manter a meta de 1,5°C, esse topo da pirâmide precisaria reduzir suas emissões em 97% até 2030.

  • Impacto Econômico: Países de baixa renda acumulam perdas estimadas em US$ 44 trilhões devido ao consumo de carbono das nações e elites ricas.

A influência dos investimentos e da política

O relatório enfatiza que a crise climática não é apenas uma questão de consumo de luxo, mas de estrutura econômica. Cada bilionário possui investimentos vinculados a aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, o que "aprisiona" a economia global em modelos poluentes. Essa elite também utiliza seu poder de pressão política; na última conferência do clima da ONU no Brasil, lobistas de combustíveis fósseis somaram 1.600 representantes, superando quase todas as delegações nacionais. A Oxfam conclui que enfrentar a emergência climática exige uma transformação do sistema econômico, focando na responsabilização direta dos maiores poluidores.


Com informações: ECO

 
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