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Fim da Moratória da Soja na Amazônia ameaça preservação da floresta após 20 anos

Fim da Moratória da Soja na Amazônia ameaça preservação da floresta após 20 anos

Redação
Por: Redação
19/01/2026 às 13h00 Atualizada em 19/01/2026 às 16h00
Fim da Moratória da Soja na Amazônia ameaça preservação da floresta após 20 anos
Foto: Reprodução
Decisão de grandes exportadores de abandonar o acordo ocorre após nova lei em Mato Grosso extinguir incentivos fiscais para empresas que restringem compra de áreas desmatadas

Um dos pilares da conservação ambiental no Brasil, a Moratória da Soja na Amazônia, enfrenta o seu momento mais crítico desde que foi criada, em 2006. O acordo voluntário, que proíbe empresas de comprar soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, está sendo abandonado pelas principais gigantes do setor, como Cargill, Bunge e ADM. A decisão foi anunciada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) após a entrada em vigor, em 1º de janeiro de 2026, de uma lei em Mato Grosso que retira benefícios fiscais de empresas que aderem ao pacto. Para especialistas, o movimento é "autodestrutivo" e pode fechar portas para o produto brasileiro no mercado internacional.

O fim da moratória ocorre em um cenário de forte pressão dos produtores rurais, que classificam o acordo como um entrave econômico e um "cartel de compras" liderado por multinacionais. No entanto, ambientalistas alertam que a ausência do monitoramento rigoroso exercido nas últimas duas décadas coloca em risco vastas áreas de floresta e terras indígenas não demarcadas. Sem o selo da moratória, o desmatamento pode acelerar, transformando sumidouros de carbono em fontes de emissão e alterando o ciclo de chuvas, o que, ironicamente, prejudica a produtividade das próprias lavouras de soja a longo prazo.

Impactos e o novo cenário regulatório

A ruptura do acordo altera a dinâmica de sustentabilidade no agronegócio:

  • Pressão em Mato Grosso: O maior estado produtor de soja do país agora pune financeiramente as empresas que mantêm a restrição ao desmatamento legal.

  • Risco de Mercado: O abandono do pacto pode gerar barreiras comerciais, especialmente na Europa, onde consumidores exigem cadeias de suprimento livres de destruição florestal.

  • Crise Climática: A perda de cobertura vegetal na Amazônia reduz a evapotranspiração, diminuindo o volume de chuvas necessário para a agricultura.

  • Promessas Corporativas: Empresas como a Cargill afirmam manter metas individuais de desmatamento zero para 2030, mas especialistas alertam que esses prazos permitem anos de expansão sobre florestas nativas.

Contradição política e o legado de monitoramento

O enfraquecimento da moratória ocorre logo após a COP30 em Belém, onde o Brasil reafirmou seu papel de liderança climática. Para Ane Alencar, diretora do IPAM, a decisão da Abiove sinaliza que o setor privado está sentindo menos pressão para agir em favor da preservação, possivelmente influenciado por mudanças políticas globais. Embora a Abiove defenda que o Código Florestal será suficiente para o controle ambiental, o mercado e as ONGs temem que o monitoramento privado, considerado mais ágil e rigoroso que o estatal, deixe um vácuo que resultará em novos recordes de desmatamento na região amazônica.


Com informações: Grist

 
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