
O ano de 2025 marcou o que especialistas estão chamando de "o início do fim" da era da dominância absoluta do carvão. Segundo uma análise do portal Carbon Brief, com base em dados do CREA, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu 1,6% na China e 3% na Índia no último ano. Esta é a primeira vez desde 1973 que ambos os países — os maiores consumidores globais do combustível — registram uma retração conjunta.
O dado é ainda mais impressionante quando contrastado com o aumento da demanda por energia nesses países, impulsionado pela urbanização e digitalização. O que permitiu essa "mágica" econômica foi o crescimento exponencial das fontes renováveis, que pela primeira vez não apenas complementaram a rede, mas começaram a substituir efetivamente a geração fóssil.
A redução combinada de geração a carvão superou os 110 terawatts-hora (TWh), um volume de energia superior ao consumo anual de muitos países de médio porte.
| Indicador (2025) | China | Índia |
| Queda na Geração a Carvão | -1,6% | -3,0% |
| Fator Principal | Expansão recorde de solar e eólica | Solar superando o crescimento da demanda |
| Impacto Climático | Redução significativa nas emissões de CO2 | Início da substituição estrutural de fósseis |
Apesar do marco simbólico, a transição enfrenta barreiras físicas e financeiras. O carvão ainda é visto como um pilar de segurança energética para momentos de pico ou falhas climáticas.
Modernização de Redes: A IRENA estima que são necessários US$ 670 bilhões anuais até 2030 para modernizar as redes elétricas e torná-las capazes de integrar a energia intermitente (que depende de sol e vento).
Armazenamento: O investimento em baterias de grande escala é a próxima fronteira para garantir que a queda do carvão seja permanente e não apenas um recorde sazonal.
Segurança Energética: O desafio político é convencer setores industriais de que a energia limpa pode sustentar o crescimento econômico sem interrupções.
China e Índia foram responsáveis por cerca de 93% do aumento das emissões mundiais do setor elétrico na última década. Portanto, qualquer redução sustentada nesses mercados tem um efeito cascata imediato nas metas do Acordo de Paris. A transição energética de 2026 mostra que o descolamento entre "Crescimento de PIB" e "Aumento de Emissões" é finalmente uma realidade técnica viável.
Com informações: ECO, Carbon Brief, CREA e IRENA