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DF não atinge meta de vacinação contra dengue em jovens

Apenas 16% do público de 10 a 14 anos completou o esquema vacinal no Distrito Federal, acendendo o alerta para o risco de novas epidemias na capital

Redação
Por: Redação Fonte: Secretaria de Saúde do DF / g1 DF
19/02/2026 às 20h30
DF não atinge meta de vacinação contra dengue em jovens

O Distrito Federal enfrenta um desafio crítico na imunização de sua população jovem contra a dengue. Mesmo após meses de campanhas intensas, os índices de vacinação seguem drasticamente abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Dados recentes da Secretaria de Saúde (SES-DF) revelam que o público-alvo, composto por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, ainda não buscou as doses necessárias para garantir a proteção plena.

O balanço aponta que apenas 41,9% desse público tomou a primeira dose do imunizante. O cenário é ainda mais preocupante quando se analisa a cobertura vacinal completa: somente 16% dos jovens nesta faixa etária retornaram aos postos para receber a segunda dose. O esquema vacinal da vacina Qdenga exige duas aplicações com um intervalo de 90 dias entre elas para garantir a eficácia contra os principais sorotipos do vírus.

Risco de novas epidemias e eficácia vacinal

A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta, alerta que a redução momentânea no número de casos registrados não deve ser interpretada como o fim do perigo. Segundo a especialista, o risco de novas epidemias sazonais permanece elevado e a vacinação é a estratégia mais segura a longo prazo. A imunização oferece proteção por vários anos, evitando formas graves da doença que podem levar à hospitalização e óbito.

A vacina Qdenga, aprovada pela Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos, é distribuída gratuitamente no SUS apenas para a faixa de 10 a 14 anos no DF, seguindo critérios técnicos de maior vulnerabilidade e impacto epidemiológico. Para as demais faixas etárias, o imunizante só está disponível na rede privada. A baixa procura na rede pública reflete uma resistência ou negligência que pode custar caro ao sistema de saúde em períodos de alta transmissão.

Disponibilidade de doses e logística de aplicação

Atualmente, o Distrito Federal possui um estoque considerável para atender a demanda. Existem 24.178 doses armazenadas nos depósitos centrais, além de outras 6 mil doses já distribuídas para as redes de frio regionais e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A logística foi estruturada para que não haja falta de insumos, permitindo que o cidadão receba a vacina de forma imediata ao procurar o serviço de saúde.

A orientação da Secretaria de Saúde é clara: pais e responsáveis devem comparecer a uma das salas de vacina portando o documento de identificação do jovem e a caderneta de vacinação. Diferente de outros procedimentos, para a vacina da dengue não é necessário agendamento. A aplicação ocorre por demanda espontânea em dezenas de pontos espalhados por todas as Regiões Administrativas do DF.

A importância do esquema vacinal completo

Especialistas reforçam que a proteção parcial, conferida por apenas uma dose, não é suficiente para bloquear a transmissão ou garantir que o indivíduo não desenvolva sintomas severos. O intervalo de 90 dias entre as doses é fundamental para a resposta imunológica do organismo. A negligência com a segunda dose é um dos principais entraves para que o Distrito Federal saia da zona de risco para surtos de dengue.

A Secretaria de Saúde disponibiliza em seu site oficial a lista atualizada com todos os locais de vacinação e horários de funcionamento. Além da vacina, as autoridades lembram que as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti, como a eliminação de focos de água parada nas residências, devem continuar sendo praticadas rigorosamente, uma vez que a vacina é uma camada adicional de proteção, mas não substitui a prevenção ambiental.

Análise do cenário epidemiológico no DF

Historicamente, o Distrito Federal registra picos de dengue nos primeiros meses do ano, período marcado por chuvas e calor intenso, condições ideais para a reprodução do mosquito. A baixa cobertura vacinal entre 10 e 14 anos cria um "bolsão" de suscetíveis que pode facilitar a circulação do vírus na comunidade escolar e familiar. A meta de 90% é o patamar necessário para criar uma barreira coletiva eficaz.

O balanço negativo nas metas de vacinação levanta discussões sobre a necessidade de novas estratégias de busca ativa, como a vacinação em escolas ou horários estendidos nas UBSs. Enquanto o índice de 16% de imunizados plenamente persistir, o sistema de vigilância epidemiológica permanecerá em estado de alerta máximo, monitorando a evolução dos casos e reforçando o apelo para que a população não ignore a importância da vacina.

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