
O mercado de trabalho no Distrito Federal encerrou 2025 com resultados históricos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (20/2). A taxa anual de desocupação na capital federal fixou-se em 7,5%, o menor índice registrado desde que o levantamento foi iniciado, em 2012. O número consolida uma trajetória de recuperação e expansão econômica na região.
Ao final do quarto trimestre de 2025, a população ocupada no DF foi estimada em 1,56 milhão de pessoas. O nível de ocupação alcançou 63,3%, um crescimento de 2,0 pontos percentuais em relação a 2024. O cenário demonstra que a capital não apenas recuperou postos de trabalho perdidos em anos anteriores, mas superou o patamar de ocupação registrado há mais de uma década.
A radiografia dos trabalhadores brasilienses mostra que a maioria absoluta está no setor privado, que concentra 800 mil empregados (51,4%). No entanto, um dos motores do crescimento no último ano foi o setor público, que emprega 338 mil pessoas (21,7%). Este contingente de servidores e empregados públicos registrou uma alta expressiva de 17,5% em comparação ao mesmo período de 2024, refletindo novas contratações e convocações.
Em terceiro lugar no ranking de ocupação aparecem os trabalhadores por conta própria, totalizando 264 mil pessoas (16,9%). O levantamento também detalha o trabalho doméstico, que soma 86 mil profissionais. Um dado positivo neste segmento foi o aumento de 23,1% no número de trabalhadores domésticos com carteira assinada em relação ao trimestre anterior, indicando um movimento de formalização em áreas tradicionalmente informais.
Dentro do setor privado, a qualidade do emprego também apresentou melhoras. Das 800 mil pessoas ocupadas, 614 mil trabalham com carteira assinada, o que representa 76,7% do total. Houve um incremento de 7,9% na formalização em relação ao quarto trimestre do ano anterior. Esse avanço é fundamental para a estabilidade econômica, pois garante acesso a direitos previdenciários e maior poder de consumo.
Por outro lado, o trabalho doméstico ainda enfrenta o desafio da precarização: 58,1% (50 mil pessoas) ainda atuam sem o registro formal. Apesar disso, a tendência de alta nas contratações com carteira no final do ano sugere que as políticas de fiscalização e conscientização podem estar surtindo efeito no mercado local.
Um dos indicadores mais celebrados no relatório do IBGE foi a taxa de informalidade. No quarto trimestre de 2025, o DF registrou apenas 27,1% de trabalhadores informais (422 mil pessoas). Com esse desempenho, a capital federal isolou-se como a segunda unidade da Federação com menor informalidade no Brasil, perdendo apenas para Santa Catarina, que registrou 25,7%.
Este baixo índice de informalidade é um diferencial competitivo para o DF, indicando uma economia mais estruturada e com maior incidência de empregos de média e alta qualificação. A média nacional de informalidade costuma ser significativamente superior, o que coloca Brasília em uma posição de destaque na gestão de políticas de emprego e renda.
Especialistas apontam que a combinação de menor desemprego e baixa informalidade cria um ambiente favorável para o crescimento do PIB local em 2026. A massa salarial em circulação tende a impulsionar o setor de serviços e o comércio, que são os principais pilares da economia brasiliense. A redução da desocupação para o nível histórico de 7,5% é vista como um "pleno emprego" técnico para os padrões da capital.
O desafio para o próximo ano será manter esses índices diante das flutuações da economia nacional e internacional. O IBGE continuará monitorando se essa tendência de queda na desocupação se manterá estável ou se haverá novos picos sazonais. Para o trabalhador, o momento é de maior oferta de vagas, especialmente em setores que exigem especialização técnica e administrativa.
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