
O Centro de Ensino Médio 03 de Taguatinga vive uma transformação histórica em seus indicadores de aprendizagem. Até 2023, a escola registrava uma média tímida de 20 aprovações anuais em universidades públicas. Esse cenário mudou drasticamente com a criação do Núcleo de Apoio aos Vestibulandos (Nave). Em 2024, as aprovações saltaram para 100 e, ao final de 2025, o projeto celebrou o recorde de 150 alunos ingressando no ensino superior.
Em 2026, a escola já contabiliza 100 aprovações apenas no início do ano, consolidando o Nave como uma referência de sucesso na rede pública do Distrito Federal. O projeto multidisciplinar oferece mentorias, material didático gratuito, grupos de estudo no contraturno e simulados, focando nas matrizes do Enem e do Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB).
Idealizado pela professora Regina Cotrim, o Nave vai além do conteúdo programático. O projeto atua na quebra de barreiras psicológicas, mostrando aos jovens da periferia que a universidade pública também é o lugar deles. "É um trabalho de acompanhamento de perto. Ajudamos o aluno a entender que aquele espaço também é dele", destaca a coordenadora.
A supervisora pedagógica, Simone Soares Gonçalves, observa que muitos estudantes sequer sabiam como realizar inscrições ou como funcionavam as notas de corte. As visitas guiadas à Universidade de Brasília (UnB) e ao Instituto Federal de Brasília (IFB) são fundamentais nesse processo de aproximação, transformando o "sonho impossível" em uma meta real e alcançável.
[Image showing the growth chart of university admissions at CEM 03 Taguatinga from 2023 to 2026]
A eficácia do projeto é confirmada por quem vivenciou a mudança. Miguel de Carvalho Santos, de 18 anos, hoje aluno de Ciência da Computação na UnB, afirma que o Nave democratiza o acesso ao ensino. Já Crislayne Rocha, aprovada em Farmácia (UnB) e Letras (IFB), relata que o projeto mudou sua forma de estudar: "Antes eu achava impossível um aluno de escola pública passar numa federal. Minha perspectiva mudou completamente".
Até mesmo quem ainda está no segundo ano, como a estudante Elizabeth Alves, que sonha com Medicina, já sente o impacto. "Aqui aprendi o verdadeiro estudo, principalmente na redação", conta. O projeto sobrevive com recursos próprios da escola, doações e, recentemente, com apoio de emendas parlamentares para melhorar a infraestrutura de estudo.
Atualmente, cerca de 600 alunos (metade do corpo discente da escola) participam ativamente das ações do Nave. O resultado é visível: no último ano, quase metade dos estudantes do terceiro ano conseguiu vaga em instituições públicas. A iniciativa prova que, com suporte técnico e acolhimento emocional, a escola pública pode competir em pé de igualdade com as instituições privadas.
O sucesso do Nave em Taguatinga serve de modelo para outras unidades da rede estadual, reforçando a importância de políticas públicas voltadas especificamente para o ingresso no ensino superior. Como resume a professora Regina: "Esperamos que daqui saiam diversos profissionais para melhorar a nossa sociedade cada vez mais".