
A Praça dos Orixás, um dos maiores símbolos de fé e resistência negra no Distrito Federal, está prestes a passar por uma transformação histórica. Até setembro de 2026, o espaço, localizado às margens do Lago Paranoá, receberá um novo conjunto de estátuas das divindades africanas.
A principal mudança está no material e na estética das obras: as antigas esculturas em fibra de vidro, desgastadas pelo tempo e por atos de vandalismo, serão substituídas por peças monumentais em alumínio. Além da durabilidade, as novas obras trazem traços mais humanizados e detalhes expressivos, elevando o padrão artístico e a presença espiritual no local conhecido carinhosamente como "Prainha".
Diferente de intervenções estritamente artísticas, este projeto é fruto de um diálogo profundo com quem vive a fé no cotidiano. A iniciativa foi construída em parceria com:
Instituto Rosa dos Ventos: Responsável pela viabilização e gestão cultural.
Coletivo das Yás do DF e Entorno: Lideranças religiosas que garantiram a precisão dos símbolos e fundamentos de cada orixá.
Comunidades de Terreiro: Que participaram ativamente das decisões sobre o novo layout do espaço.
Para as lideranças envolvidas, a renovação da praça é uma resposta direta ao abandono histórico e uma barreira contra a intolerância religiosa, reafirmando o local como um território de proteção e celebração da identidade afro-brasileira.
A Praça dos Orixás é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do DF, e a instalação das novas estátuas reforça o compromisso com a preservação das tradições. Com a previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026, a "Prainha" se consolida não apenas como um ponto turístico, mas como um centro vivo de ancestralidade, onde a beleza da arte encontra o poder da fé.