
O cenário político do Distrito Federal para as eleições de 2026 acaba de ganhar contornos definitivos. O governador Ibaneis Rocha (MDB) reafirmou, nesta sexta-feira (27), que sua meta é conquistar uma das duas cadeiras em disputa no Senado Federal. A declaração, dada à coluna CB.Poder, encerra as especulações de bastidores que sugeriam uma possível "descida" de Ibaneis para a disputa de deputado federal como estratégia para evitar um colisão direta com o Partido Liberal (PL).
Mesmo diante da possibilidade real de enfrentar nomes de peso da direita, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL), o chefe do Executivo local mantém-se irredutível. Ibaneis classificou como "legítima" a pretensão de Bia Kicis, mas ressaltou que seus planos para a Câmara Alta são anteriores às articulações do PL. Para o governador, o desempenho positivo nas pesquisas de intenção de voto sustenta sua convicção de que o projeto majoritário é o caminho natural após dois mandatos à frente do Palácio do Buriti.
A movimentação de Ibaneis coloca pressão sobre a base aliada, que tentava costurar um acordo de "paz" para evitar que o campo da direita e centro-direita fragmente seus votos. O Senado em 2026 terá duas vagas em disputa, o que teoricamente permitiria uma chapa composta por Ibaneis e um nome do PL. No entanto, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro sinaliza que pode querer ocupar as duas frentes, o que forçaria o governador a uma campanha independente ou em uma coligação alternativa.
Ibaneis deixou claro que nunca cogitou a Câmara dos Deputados. A sugestão de alguns parlamentares era de que ele saísse para deputado federal para atuar como um "puxador de votos" para o MDB e facilitar a vida do PL na disputa majoritária. Ao descartar essa hipótese, o governador sinaliza que está disposto a medir forças nas urnas, confiando no capital político acumulado em suas gestões. A decisão também impacta a sucessão no Buriti, já que ele precisará renunciar ao cargo em abril de 2026 para concorrer, passando o bastão para a vice Celina Leão (PP).
O xadrez político agora se volta para a reação do PL. Se o partido mantiver as candidaturas de Michelle e Bia Kicis, o eleitor do DF terá um "congestionamento" de nomes fortes no mesmo espectro ideológico. Analistas políticos apontam que essa divisão pode favorecer candidaturas de oposição, caso a esquerda consiga unificar um nome competitivo. Ibaneis, por sua vez, aposta na entrega de obras e na estabilidade econômica do DF como seu principal cartão de visitas para convencer o eleitorado de que merece uma vaga no Congresso Nacional.
A confirmação da candidatura de Ibaneis ao Senado altera as negociações de todas as legendas do DF. Partidos menores que buscavam abrigo na sombra do GDF agora precisam recalcular se apoiam o governador ou se migram para a órbita bolsonarista. O que é certo é que o feriado de 2026 começará com uma das disputas mais acirradas da história de Brasília, com três gigantes da política local disputando apenas duas vagas.
Ibaneis Rocha / Senado 2026 / Michelle Bolsonaro / Bia Kicis / PL / MDB / Eleições DF / Política Brasília / Celina Leão / Sucessão GDF