
O empresariado brasileiro entra em 2026 com um otimismo que não se via há anos. Segundo os dados mais recentes do International Business Report (IBR), da Grant Thornton, a expectativa de aumento de receita atingiu o nível histórico de 86% no fechamento do quarto trimestre de 2025. O salto é significativo se comparado aos 75% registrados no trimestre anterior, consolidando o Brasil como um dos mercados mais resilientes e confiantes do cenário global.
Mesmo com as incertezas geopolíticas e as barreiras comerciais que travam economias vizinhas, o Brasil parece ter encontrado um motor próprio. O otimismo com a economia doméstica subiu para 71%, ancorado na força do consumo interno e na estabilidade das exportações. Para os líderes corporativos, o momento não é apenas de esperar o crescimento, mas de financiar a expansão: os investimentos em equipamentos subiram para 70%, enquanto os aportes em tecnologia atingiram o teto de 92%, o maior patamar da série.
Um dado curioso do relatório é o recuo pontual nos investimentos em ESG (Ambiental, Social e Governança), que caíram de 76% para 72%. No entanto, especialistas alertam que este não é um abandono da pauta, mas uma "pausa tática". Com a implementação das normas globais S1 e S2 e a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, a sustentabilidade deixará de ser uma escolha para se tornar um pedágio obrigatório.
"Quando o acordo for assinado, o tema ESG tende a se recolocar como prioridade estratégica, especialmente para empresas com foco em exportação", afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil.
A exigência europeia por cadeias produtivas transparentes e inventários de emissões de gases estufa deve transformar a gestão ambiental em um diferencial competitivo agressivo em 2026. Quem não se adaptar às normas de rastreabilidade poderá ver as portas do mercado comum europeu se fecharem.
Além das máquinas e softwares, o empresário brasileiro percebeu que o maior gargalo para o crescimento em 2026 é o capital humano. O investimento em capacitação de pessoas deu um salto de 12 pontos percentuais, atingindo 83%.
Diante de uma escassez crônica de mão de obra qualificada, a estratégia mudou: em vez de buscar talentos prontos no mercado, as organizações decidiram "fabricá-los" internamente. Esse movimento visa não apenas reter funcionários, mas garantir que a inovação tecnológica instalada seja operada com eficiência máxima. O ano de 2026 desenha-se, portanto, como o ano da eficiência operacional, onde tecnologia e pessoas caminham juntas para sustentar as margens de lucro em um mercado cada vez mais sofisticado.
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