O elemento químico facilita a extração do ouro, à medida que se liga às suas partículas, formando “amálgamas”. Com um ponto de fusão menor do que o metal precioso, esses compostos são posteriormente queimados de forma a separar o ouro do mercúrio. Em estado gasoso, o elemento tóxico acaba por ser liberado na atmosfera, oferecendo riscos ambientais e prejuízos à saúde humana.
De forma a determinar se as árvores poderiam ser utilizadas para demonstrar aproximadamente onde e quando o mercúrio atmosférico foi liberado, uma equipe internacional de pesquisadores examinou três espécies nativas da Amazônia peruana. Os resultados encontrados foram compartilhados em um artigo publicado na segunda-feira (7) na revista Frontiers in Environmental Science.
Assim, amostras de núcleo dessas árvores foram coletadas em dois locais distantes da atividade de mineração e três locais dentro de 5 km de cidades de mineração onde amálgamas são comuns. Um dos locais de extração, inclusive, ficava próximo a uma floresta protegida.
“Há muitas variáveis que determinam as concentrações individuais de mercúrio nas árvores, e é difícil determinar os drivers específicos”, explica Jacqueline Gerson, líder do projeto, em comunicado. “As árvores no estudo eram todas da mesma espécie e dos mesmos locais, expostas à mesma concentração atmosférica de mercúrio. Amostramos várias árvores e então usamos valores médios”.
Com isso, atestou-se que as concentrações de mercúrio no tronco da árvore foram maiores nos dois locais de amostragem próximos à atividade de mineração. Da mesma forma, os valores eram menores no local impactado pela extração adjacente à floresta protegida e nos locais distantes das cidades de mineração.
Para os autores do projeto, o sucesso dos resultados encontrados reitera que a Ficus insipida pode ser usada como uma ferramenta barata e poderosa para examinar grandes tendências espaciais nas emissões de mercúrio nos neotrópicos. O mesmo possivelmente pode ser dito sobre outras árvores que formam anéis biomarcadores.
A descoberta é particularmente importante quando contextualizada frente à Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, da Organização das Nações Unidas (ONU). O tratado internacional reconhece o impacto da substância e de seus compostos à saúde coletiva, além de visar reduzir as suas emissões e mitigar riscos.