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Mineração ilegal de ouro deixa rastros de contaminação em árvores da Amazônia

Mineração ilegal de ouro deixa rastros de contaminação em árvores da Amazônia

Redação
Por: Redação
15/04/2025 às 12h32 Atualizada em 15/04/2025 às 15h32

O elemento químico facilita a extração do ouro, à medida que se liga às suas partículas, formando “amálgamas”. Com um ponto de fusão menor do que o metal precioso, esses compostos são posteriormente queimados de forma a separar o ouro do mercúrio. Em estado gasoso, o elemento tóxico acaba por ser liberado na atmosfera, oferecendo riscos ambientais e prejuízos à saúde humana.

De forma a determinar se as árvores poderiam ser utilizadas para demonstrar aproximadamente onde e quando o mercúrio atmosférico foi liberado, uma equipe internacional de pesquisadores examinou três espécies nativas da Amazônia peruana. Os resultados encontrados foram compartilhados em um artigo publicado na segunda-feira (7) na revista Frontiers in Environmental Science.

Análise dos anéis de árvores

Os investigadores analisaram o interior de figueiras selvagens (Ficus insipida), castanhas-do-pará (Bertholletia excelsa) e tornillos (Cedrelinga catenaformis) em busca de seus anéis que servem como biomonitores. Eles perceberam, contudo, que, devido ao clima, apenas as figueiras exibiram formação de anéis.

Assim, amostras de núcleo dessas árvores foram coletadas em dois locais distantes da atividade de mineração e três locais dentro de 5 km de cidades de mineração onde amálgamas são comuns. Um dos locais de extração, inclusive, ficava próximo a uma floresta protegida.

“Há muitas variáveis que determinam as concentrações individuais de mercúrio nas árvores, e é difícil determinar os drivers específicos”, explica Jacqueline Gerson, líder do projeto, em comunicado. “As árvores no estudo eram todas da mesma espécie e dos mesmos locais, expostas à mesma concentração atmosférica de mercúrio. Amostramos várias árvores e então usamos valores médios”.

Com isso, atestou-se que as concentrações de mercúrio no tronco da árvore foram maiores nos dois locais de amostragem próximos à atividade de mineração. Da mesma forma, os valores eram menores no local impactado pela extração adjacente à floresta protegida e nos locais distantes das cidades de mineração.

Ferramenta barata e poderosa

Para os autores do projeto, o sucesso dos resultados encontrados reitera que a Ficus insipida pode ser usada como uma ferramenta barata e poderosa para examinar grandes tendências espaciais nas emissões de mercúrio nos neotrópicos. O mesmo possivelmente pode ser dito sobre outras árvores que formam anéis biomarcadores.

A descoberta é particularmente importante quando contextualizada frente à Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, da Organização das Nações Unidas (ONU). O tratado internacional reconhece o impacto da substância e de seus compostos à saúde coletiva, além de visar reduzir as suas emissões e mitigar riscos.


Fonte: Galileu
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