
O conflito iniciado em 28 de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou o mundo diante de uma nova realidade: a guerra assistida por Inteligência Artificial em tempo real. O foco das atenções é o Maven Smart System, uma tecnologia que utiliza processamento de imagens e modelos de linguagem para sugerir e priorizar alvos no campo de batalha.
Embora o Exército dos EUA utilize a IA para logística e análise de dados, o uso do Maven no Irã levanta questões críticas. Teoricamente, a precisão da IA poderia reduzir baixas civis; na prática, especialistas como Craig Jones, da Universidade de Newcastle, alertam que não há evidências disso. Conflitos recentes na Ucrânia e em Gaza, onde a IA também foi aplicada, continuam registrando altos índices de mortes de civis.
Um dos episódios mais marcantes desta semana foi o rompimento temporário entre o Departamento de Defesa dos EUA e a empresa Anthropic. O motivo? Uma cláusula imposta pelo governo Trump exigindo que a IA pudesse ser usada para "qualquer fim legal", sem restrições.
A resistência da Anthropic: A empresa recusou-se a remover salvaguardas que impedem o uso do modelo Claude para vigilância doméstica em massa ou para guiar armas totalmente autônomas.
A entrada da OpenAI: Após o veto à Anthropic, o governo assinou com a OpenAI, que garantiu em contrato que sua tecnologia não seria usada para fins de autonomia letal sem supervisão humana — ao menos por enquanto.
Enquanto acadêmicos e juristas se reúnem em Genebra para discutir a regulamentação de Sistemas de Armas Autônomas Letais (LAWS), a tecnologia avança em uma velocidade que a diplomacia não consegue acompanhar. O grande temor é a proliferação de drones capazes de identificar e matar sem qualquer intervenção humana.
Atualmente, modelos de linguagem (LLMs) ainda não são considerados confiáveis o suficiente para cumprir as leis humanitárias internacionais, que exigem a distinção clara entre combatentes e civis. "A falha atual em regular a guerra por IA sugere que uma proliferação descontrolada é iminente", alerta Michael Horowitz, da Universidade da Pensilvânia.
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