
O Morro da Capelinha, em Planaltina, reafirmou-se nesta Sexta-Feira Santa (3/4) como o epicentro da devoção no Distrito Federal. Sob um sol que testou a resistência dos fiéis, a governadora Celina Leão (PP) participou da missa presidida pelo cardeal arcebispo Dom Paulo Cezar Costa, destacando que o espetáculo transcende denominações religiosas. "Não é sobre religião ou igrejas, mas sobre aquele que está acima de todo nome. Quem nunca veio, deveria vir", afirmou a chefe do Executivo, visivelmente emocionada com a mobilização que para o DF há mais de 50 anos.
A edição de 2026 carrega um simbolismo especial: é a primeira após a aprovação da Via-Sacra de Planaltina como patrimônio nacional pelo Senado. Com o tema "Nada te aflija! Não estou aqui eu que sou tua mãe?", inspirado em Nossa Senhora de Guadalupe, a encenação mobilizou um exército de 1.400 voluntários, sendo 1.100 atores. Entre eles, veteranos como Cláudio Abrantes, que há 35 anos dedica sua vida ao grupo, e jovens talentos como Rafael, que interpreta Jesus e iniciou sua jornada na Via-Sacra da Criança.
Para garantir que a multidão — que em 2025 chegou a 150 mil pessoas — pudesse professar sua fé em paz, o GDF montou uma operação de guerra. O secretário de Segurança em exercício, Alexandre Patury, coordenou um efetivo de mais de mil profissionais. A novidade deste ano foi o uso intensificado de reconhecimento facial e drones oficiais para monitoramento em tempo real, visando coibir furtos e garantir a fluidez na dispersão do público.
A estrutura incluiu a Cidade da Segurança Pública, uma base móvel que centralizou o atendimento de emergências. O Corpo de Bombeiros (CBMDF) escalou 215 militares e 25 viaturas para lidar com as dificuldades do terreno íngreme e casos de insolação. Além disso, a Sala Lilás Itinerante ofereceu suporte especializado para mulheres, e postos de identificação garantiram a segurança das crianças presentes no evento.
Além do aspecto espiritual, a Via-Sacra é o motor da economia local nesta época do ano. O administrador regional de Planaltina, Wesley Fonseca, pontuou que o comércio e os ambulantes registram seus maiores lucros no feriado. A cidade se preparou com meses de antecedência para acolher turistas de todo o Brasil, consolidando o espetáculo como um produto turístico de alta performance para o Distrito Federal.
Ao longo de quatro horas de encenação e um percurso de 800 metros, a história da Paixão de Cristo foi revivida com o realismo que tornou o grupo de Planaltina um dos maiores do mundo. Para os fiéis que subiram o morro em busca de milagres ou apenas para contemplar a arte, a mensagem de Celina Leão ressoou como um convite à reflexão: a Via-Sacra é, antes de tudo, um exercício de pertencimento e identidade cultural do povo brasiliense.
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Palavras Chaves: Via-Sacra / Planaltina / Morro da Capelinha / Celina Leão / Paixão de Cristo