
O Tribunal do Júri de Planaltina encerrou, no final da noite desta segunda-feira (13/4), o primeiro dia de julgamento dos cinco réus acusados de protagonizar a maior chacina da história do Distrito Federal. A sessão, que teve início às 9h, estendeu-se por mais de 10 horas, sendo marcada por depoimentos técnicos e um clima de forte tensão entre familiares das vítimas e os acusados.
Ao todo, seis das 23 testemunhas previstas foram ouvidas hoje. O depoimento mais longo foi o do delegado Achilles Benevides Júnior, que detalhou por cerca de duas horas a complexa investigação que desvendou a morte de dez pessoas da mesma família entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Além dele, prestaram depoimento agentes da Polícia Civil de Goiás, um policial rodoviário federal e o pai de uma das vítimas.
No plenário, os réus Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva acompanharam tudo algemados. Sentados lado a lado, eles mantiveram uma postura de indiferença, sem demonstrar arrependimento ou emoção diante dos relatos dos crimes brutais, que incluíram a morte de três crianças de 6 e 7 anos.
A investigação concluiu que a motivação para o crime foi a ganância pela posse de uma chácara avaliada em R$ 2 milhões no Paranoá. Os criminosos planejaram o extermínio de toda a linhagem familiar de Marcos Antônio Lopes de Oliveira para garantir que não houvesse herdeiros que pudessem contestar a posse ou a venda das terras.
A tragédia começou a ser desvendada em janeiro de 2023, após o desaparecimento da cabeleireira Elizamar Silva e seus três filhos pequenos. O carro dela foi encontrado carbonizado em Cristalina (GO). Nos dias seguintes, a polícia localizou outros veículos queimados e corpos enterrados em cativeiros em Planaltina, confirmando a execução sistemática de:
Elizamar e seus três filhos (Rafael, Rafaela e Gabriel);
Thiago Gabriel (marido de Elizamar);
Marcos Antônio (sogro) e sua esposa Renata Belchior;
Gabriela Belchior (cunhada);
Cláudia Regina e Ana Beatriz (ex-mulher e filha de Marcos Antônio).
O julgamento será retomado na manhã desta terça-feira (14/4). A expectativa é que a análise das provas e os interrogatórios se estendam até o próximo domingo (19). Os réus respondem por uma série de crimes, incluindo homicídio qualificado, extorsão, roubo, sequestro e ocultação de cadáver. As penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão para cada um dos envolvidos.
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