
Uma ação rápida da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) resultou, neste domingo (31), na libertação de uma jovem de 25 anos que era mantida em cárcere privado pelo próprio namorado, de 19 anos. A vítima passou cerca de 24 dias sob o completo domínio do agressor, período no qual foi submetida a agressões físicas recorrentes, violência psicológica e isolamento social forçado, sendo impedida de se comunicar com familiares ou pedir ajuda.
O calvário da jovem começou após o casal, que se conheceu em Campinas (SP) e iniciou um relacionamento, realizar uma viagem de turismo para o Paraguai no início de abril. Durante a estadia no país vizinho, o suspeito perdeu todo o dinheiro em cassinos, deixando ambos em situação de extrema vulnerabilidade social, passando a residir nas ruas. Conforme explicou o delegado Thiago Boeing, responsável pelo caso na 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), a violência explodiu quando a mulher manifestou o desejo de voltar para sua cidade natal. Para impedir o abandono, o homem passou a agredi-la fisicamente e a ameaçou de morte, afirmando que assassinaria os familiares dela caso ela fugisse.
Sob o controle do agressor, a vítima foi forçada a peregrinar por diferentes cidades dos estados do Paraná, São Paulo e Goiás, sobrevivendo em situação de rua. Enquanto o casal se deslocava de forma precária pelo país, a família da jovem, sem notícias sobre o seu paradeiro devido ao bloqueio de comunicações imposto pelo rapaz, registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento junto à Polícia Civil de São Paulo.
A oportunidade de libertação surgiu neste domingo, quando o casal buscou atendimento no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) de Taguatinga. No local, o suspeito iniciou uma ríspida discussão com os seguranças da unidade pública. Aproveitando o momento de distração do agressor, a jovem conseguiu abordar os funcionários do centro e relatar a situação de violência, o que levou a equipe a acionar imediatamente as forças policiais.
"O suspeito afirmava que mataria familiares dela caso fosse abandonado". — Delegado Thiago Boeing, 17ª DP.
De posse das características do suspeito, os agentes da PCDF iniciaram uma varredura na região. Ao notar a aproximação dos policiais, o jovem tentou escapar correndo em direção a uma área de mata fechada e resistiu fisicamente à abordagem. Ele foi contido pelos policiais, imobilizado e preso em flagrante. Na delegacia, os investigadores constataram que o rapaz já possuía antecedentes criminais no estado de Goiás pelos crimes de lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo. O agressor foi autuado e responderá pelos crimes de cárcere privado, violência psicológica e resistência à prisão.
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PCDF / Cárcere Privado / Taguatinga / 17ª DP / Violência Contra a Mulher / Lei Maria da Penha