Quarta, 09 de Setembro de 2026
18°C 28°C
Brasília, DF
Publicidade

Expedição vai investigar as profundezas do Atlântico

Pesquisador do Brasil lidera 25 cientistas, de cinco países. Grupo usará robô submarino para mapear região pouco estudada

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
09/09/2026 às 19h15
Expedição vai investigar as profundezas do Atlântico
Dales Hoeckesfeld

Durante 42 dias, um trio de pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estará a bordo do navio de pesquisa oceanográfica R/V Falkor (too). Eles foram selecionados para liderar a expedição internacional “The Gap”, que vai investigar as profundezas do Oceano Atlântico. O grupo partirá de Fortaleza, em 15 de setembro, e desembarcará em Tema (Gana), no dia 29 de outubro. A iniciativa é uma parceria com a organização filantrópica Schmidt Ocean Institute, que tem sede nos Estados Unidos.

O professor Angel Perez, da Escola Politécnica, atuará como cientista-chefe da expedição, formada por 25 cientistas de cinco países. Os oceanógrafos e técnicos de laboratório Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto, completam o time de pesquisadores da Univali na incursão. Na oportunidade, Gavazzoni também vai coletar dados para a sua tese de doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA), na Universidade.

O que será explorado

A expedição The Gap terá como foco a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales. Situada no oceano Atlântico, ao longo da linha do Equador, a área está localizada a meio caminho entre a costa nordeste do Brasil e oeste do continente africano.

O professor Angel explica que as profundezas desta região ainda não foram estudadas com apoio de tecnologias modernas. Sendo assim, a expedição ajudará a levantar evidências científicas concretas que ajudarão a ampliar, significativamente, o conhecimento que se tem sobre a área.

O objetivo é fazer um mapeamento em alta resolução, permitindo realizar estudo da coluna de água e a observação de fundo do oceano, seus habitats e suas biodiversidade. Para isso, os cientistas vão usar o SuBastian, um robô operado remotamente (ROV), capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade.

O equipamento, considerado de alta performance, será responsável por coletar amostras submarinas que servirão de subsídio para estudos futuros. Todos os dados, informações, imagens e amostras, coletadas durante a expedição, serão disponibilizados ao público.

“Esta área que vamos investigar está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. Acredita-se que, essa característica, chegue ao fundo sustentando importantes comunidades que, por sua vez, possam demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas”, justifica Perez.

Transmissão ao vivo

Um dos pontos altos da expedição será a transmissão, em tempo real, dos mergulhos executados pelo (ROV) SuBastian. As atividades serão realizadas com narração em português e inglês e exibidas em alta definição. Estas incursões terão duração de cerca de oito horas e poderão ser acompanhadas, por qualquer pessoa, no canal oficial da Schmidt Ocean Institute no Youtube.

Oceano esconde surpresas

A Univali integra o Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), tendo participado, desde 2009, de expedições desta natureza. As demais explorações ocorreram nos anos de 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.

O professor Angel explica que estas expedições são um legado para a preservação do Oceano Atlântico, pois ajudam os cientistas a compreender o mar profundo, uma área equivalente a cerca de 70% da superfície de todo o planeta.

“Excluindo os continentes e a parte mais rasa do oceano, que fica submersa, todo o restante é considerado mar profundo. Ao somarmos toda a área percorrida por ROVs no fundo do oceano até hoje, isso equivaleria a cerca de 0,01% desta superfície. Ou seja, mais de 99,9% desse ambiente ainda não foi explorado. E o mais interessante é que esse 0,01% que já conhecemos revelou uma enorme quantidade de descobertas”, observa.

Angel, que já participou de outras investigações ao fundo do oceano, acrescenta que a ciência constrói o seu conhecimento com base no que já foi observado e documentado não sendo raro, ao longo destas explorações, os cientistas se depararem com realidades completamente diferentes do imaginado.

“É por isso que não é exagero afirmar que o mar profundo é o lugar da Terra onde estão as maiores surpresas", conclui.

Sobre a Schmidt Ocean Institute

A Schmidt Ocean Institute (SOI) é uma organização sem fins lucrativos. Fundada em 2009, pelos filantropos Eric e Wendy Schmidt, a entidade visa promover a pesquisa oceanográfica, a descoberta e o conhecimento, bem como incentivar o compartilhamento de informações sobre os oceanos.

Por meio do navio de pesquisa R/V Falkor (too), a entidade oferece a cientistas de todo o mundo acesso gratuito às tecnologias de ponta para pesquisa marinha, em troca da disponibilização pública dos resultados das pesquisas. A embarcação atua amplamente em todos os oceanos, não estando vinculada a nenhuma localização geográfica específica, e também dispõe de uma plataforma para testes de novas tecnologias.

Todos os anos a SOI lança uma chamada para propostas de exploração marítima. Um comitê de seleção, composto por especialistas externos, conselho consultivo e equipe interna, é responsável pela seleção dos projetos.

Em 2026, a SOI está promovendo um total de nove expedições no Atlântico Sudoeste e Mar do Caribe. Cientistas brasileiros, incluindo jovens pesquisadores, estão marcando presença nessas expedições além de serem os proponentes e chefes científicos de duas delas, a “The Gap” (liderada pelo professor Angel Perez, da Univali) e a “Seamount Journey” (liderada por Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo - Ufes).

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
25°
Tempo nublado
Mín. 18° Máx. 28°
25° Sensação
3.09 km/h Vento
50% Umidade
100% (1.47mm) Chance chuva
06h11 Nascer do sol
18h06 Pôr do sol
Quinta
30° 21°
Sexta
32° 21°
Sábado
34° 22°
Domingo
32° 22°
Segunda
31° 20°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,11 +0,46%
Euro
R$ 5,95 +0,67%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 422,537,24 -0,63%
Ibovespa
185,629,05 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias