Grupos industriais investem milhões em publicidade para associar instalações de IA a empregos e energia limpa, enquanto estudos apontam baixa geração de postos de trabalho permanentes e impacto nas contas de luz
A rápida expansão dos centros de processamento de dados, impulsionada pelo boom da Inteligência Artificial, gerou uma crise de imagem para as gigantes de tecnologia. Para enfrentar a crescente resistência de comunidades locais, empresas como Meta e grupos de lobby como a Virginia Connects iniciaram campanhas de relações públicas em larga escala. Os anúncios, que inundam a TV e as redes sociais, apresentam os data centers como investidores em energia verde e motores de criação de “empregos bem remunerados”.
No entanto, a realidade técnica e econômica dessas instalações contradiz parte do discurso publicitário. Especialistas e pesquisadores alertam que, embora a construção exija milhares de trabalhadores temporários, a operação contínua de um data center demanda pouquíssima mão de obra humana, tornando-o uma das indústrias mais intensivas em capital e menos eficientes em geração de empregos permanentes por metro quadrado.
Investimento bilionário resulta em poucos postos operacionais
A principal bandeira das campanhas de marketing é a promessa de revitalizar economias locais. Contudo, estudos da Universidade de Michigan e da organização Food & Water Watch indicam que o custo para criar um único emprego permanente em um data center é quase 100 vezes maior do que em indústrias de manufatura ou armazenamento tradicional.
Diferente de uma fábrica, onde centenas de operários circulam diariamente, um data center de última geração é projetado para ser monitorado remotamente. Após a fase de obras, o quadro de funcionários fixos resume-se a poucas dezenas de técnicos de segurança e manutenção. Em Altoona, Iowa, por exemplo, a Meta afirma apoiar cerca de 400 empregos, um número significativamente menor do que os 1.000 postos gerados pelo cassino local, apesar do investimento bilionário em infraestrutura.
Residentes temem arcar com custos de expansão energética
Outro ponto de fricção é o consumo colossal de eletricidade e água. Na Virgínia, estado que abriga a maior concentração de data centers do mundo, 73% da população acredita que essas instalações são responsáveis pelo aumento nas tarifas de energia. A preocupação reside no fato de que a construção de novas linhas de transmissão e usinas para alimentar a IA acaba sendo financiada, em parte, por todos os consumidores da rede.
Para conter o desgaste político, reguladores da Virgínia aprovaram uma nova estrutura tarifária que entrará em vigor em 2027. O objetivo é garantir que as empresas de tecnologia paguem o “custo total do serviço”, protegendo os clientes domésticos de aumentos derivados da demanda industrial. Essa mudança reflete uma vitória para ativistas que comparam o marketing atual da indústria de tecnologia às antigas campanhas que omitiam os riscos do tabagismo.
Quase 200 grupos ativos bloqueiam investimentos bilionários
A resistência não é apenas retórica; ela tem causado impactos financeiros reais. De acordo com o projeto Data Center Watch, entre abril e junho de 2025, grupos comunitários conseguiram bloquear ou atrasar 20 projetos, o que representa um potencial de US$ 98 bilhões em investimentos paralisados. As principais queixas incluem:
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Drenagem de recursos hídricos: Necessidade de milhões de litros de água para resfriamento de servidores.
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Poluição sonora e do ar: Ruído constante de sistemas de ventilação e uso de geradores a diesel em emergências.
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Integridade de zonas úmidas: Impacto ambiental em áreas de preservação próximas às construções.
A indústria argumenta que sem esses centros, a evolução da sociedade digital e da economia da IA seria impossível. No entanto, para ativistas como Elena Schlossberg, do condado de Prince William, a “pasta de dente já saiu do tubo”: a conscientização pública sobre os custos sociais e ambientais dessas estruturas tornou o marketing tradicional insuficiente para convencer as comunidades de que o progresso tecnológico compensa os impactos locais.
Com informações: Grist, Politico, Spotlight Delaware
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