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O temor das comunidades ribeirinhas de Minas Gerais se confirmou na manhã de 28 de janeiro, quando a lama avermelhada proveniente das minas Fábrica (Ouro Preto) e Viga (Congonhas) alcançou o leito do Rio Paraopeba. O transbordamento, ocorrido entre os dias 25 e 26 devido a falhas no sistema de drenagem durante as chuvas, reacende as feridas ainda abertas pelo crime de Brumadinho (2019).
Somente o extravasamento da Mina Fábrica despejou cerca de 300 mil metros cúbicos de sedimentos — volume equivalente a centenas de piscinas olímpicas de rejeitos — afetando os rios Goiabeiras, Maranhão e o próprio Paraopeba.
O governo de Minas Gerais agiu com rapidez administrativa, mas as medidas são vistas como insuficientes pelos atingidos:
Multa: R$ 1,7 milhão aplicada pela Secretaria de Meio Ambiente (Semad). O valor refere-se ao dano e à falha da Vale em não comunicar o fato em até duas horas.
Suspensão: Os alvarás de funcionamento das atividades associadas às minas foram suspensos cautelarmente.
Reparação: A Vale tem 10 dias para apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad).
A nova contaminação ocorre em um momento em que a limpeza dos rejeitos de 2019 está praticamente estagnada. Dados de dezembro de 2025 mostram que apenas 17% do volume estimado de rejeitos de Brumadinho foi retirado do rio.
Cenário Otimista: 44 anos de dragagem ininterrupta.
Cenário Pessimista: 741 anos para a recuperação total do ecossistema.
“A esperança que a gente tinha de um dia voltar a ter a nossa vida de volta acabou. Acabou!”, desabafa Patrícia Passarela, líder da comunidade ribeirinha de Esmeraldas.
A maior preocupação de especialistas e moradores é a redistribuição desses sedimentos. O Paraopeba é um dos principais afluentes do Rio São Francisco. Com as cheias de verão de 2026, a “lama da morte” tem o caminho livre para contaminar uma das bacias mais estratégicas do país, impactando a pesca, o consumo humano e a biodiversidade em escala interestadual.
Com informações: NACAB / Instituto Guacuy / Semad-MG / ECO
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