Conecte-se conosco

Meio Ambiente

O atobá quarentão que uniu gerações de pesquisadores

Publicado

em

Um sistema brasileiro tem mais de um milhão de registros de aves anilhadas, que ajudam a conservar espécies de vida livre

Uma ave encontrada no litoral fluminense aproximou cientistas de distintas gerações e pode ter abalado o que se conhecia sobre a longevidade da espécie. O achado também demonstrou a importância do anilhamento de animais de vida livre.

O poeta e compositor Vinícius de Moraes disse que a “vida é a arte dos encontros”. Na prática, certos encontros podem ser verdadeiras obras primas. Um deles ocorreu no salgado das águas de Búzios, a 180 km da capital Rio de Janeiro, numa trama que venceu décadas e distâncias.

Especializado em herpetologia na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), o biólogo Gaspar José Gomes Neto (25) queria ser biólogo “desde moleque”.

“Primeiro, quis ser paleontólogo. Aprendi a escrever copiando nomes de dinossauros de revistas”, detalhou o também consultor ambiental e resgatista de animais silvestres.

Já crescido, as práticas do pai e o gosto pela vida ao ar livre o fizeram um inveterado pescador. Todavia, ao invés dos petrechos usuais, adentra o mar num caiaque a pedal. Isso deixa as mãos livres para manejar varas e leme.

“Meu pai foi o primeiro pescador da família. Ele me levava. A pesca foi para mim também um jeito de ver os bichos mais de perto”, contou.

Anúncio

Contudo, o foco em anfíbios e répteis não apagou sua paixão pelas aves, declarada numa tatuagem de atobá. A marca, de agosto passado, igualmente agradece à espécie por apontar cardumes nas pescarias. “O atobá é meu bicho espiritual”, disse Gomes Neto.

O atobá-pardo estampado no braço de Gaspar Neto. Foto: Arquivo Pessoal

Nos últimos dias do ano passado, ele topou justamente com um espécime da ave que carrega no corpo, flutuando calma no verde-azulado do mar. Até desviou do animal, mas ele acabou enroscado na linha e prontamente subiu no caiaque.

“Vi que tinha uma anilha quando o imobilizei para desatá-lo. Depois, o soltei e ele continuou boiando”, descreveu. “Não parecia doente, tentou me bicar algumas vezes e as penas estavam em bom estado”, avaliou Gomes Neto. Tudo foi filmado pela câmera instalada no caiaque.

No dia seguinte, os dados da anilha foram enviados ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) e, passados cerca de 2 meses, o pesquisador recebeu um certificado com detalhes do anilhamento.

“Pouco depois, começaram a chegar muitos contatos por e-mail, telefone e redes sociais, perguntando onde a ave estava, se estava bem, se havia fotos e assim por diante”, relatou o biólogo.

O alvoroço tinha suas razões, pois o encontro pode ter sido revelador sobre a longevidade dos atobás. As informações mostravam que a anilha era de 1984, ou seja, a ave tinha pelo menos 40 anos de vida livre. Bem mais que a média de 25 anos estimada para a espécie.

Além disso, a marcação aconteceu no hoje Parque Nacional das Ilhas dos Currais, a cerca de mil quilômetros de distância de onde a ave foi encontrada, em Búzios (RJ), e sob a batuta do agrônomo e pioneiro ornitólogo Pedro Scherer Neto (76).

“Foi uma coisa espetacular, totalmente inesperada”, comemorou o mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). “É um recorde mundial de longevidade para a espécie. Meu trabalho fechou com chave de ouro”, relatou a ((o))eco.

Anúncio

O achado da ave quarentona também aproximou Scherer e Gaspar Gomes, que se reuniram na mesma área do histórico anilhamento. A marca ajudou num estudo sobre populações e reprodução de aves marinhas que envolveu quase 3 mil atobás e fragatas (Fregata magnificens), de 1983 a 1994.

“Isso permitiu comparar a situação e os comportamentos de aves no Paraná, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro”, detalhou Scherer Neto. “O anilhamento trouxe dados importantíssimos sobre o deslocamento das espécies, para onde há alimento e outras condições favoráveis”, explicou.

Ferrenho cientista

Ao longo das décadas, as pesquisas conduzidas por Scherer Neto reforçaram a criação do Parque Nacional das Ilhas dos Currais, em 2013, quase três décadas depois do anilhamento do atobá localizado em águas fluminenses, ano passado.

Segundo ele, proteger legalmente a região foi crucial para conter a pesca desregrada, o roubo de ovos das espécies que lá procriam e barcos soltando fogos ou buzinando para conferir e fotografar as revoadas de aves assustadas pela zoeira.

“Os animais eram ameaçados por vandalismo e outras atitudes não compatíveis com a necessária conservação da natureza”, resumiu o cientista.

Pela quantidade e variedade de espécies que lá moram, se reproduzem ou descansam em jornadas migratórias, Currais foi reconhecido, pela ong BirdLife International, como uma das áreas globais mais valiosas para conservar aves.

Incansável, além de deixar sua marca na conservação de aves marinhas, Scherer Neto ajudou igualmente a formar inúmeros outros pesquisadores. Um deles é Raphael Sobânia (46), que aos 14 anos se aproximou do pioneiro estudioso das aves.

Anúncio

“Estudava e gostava desses animais desde pequeno. Daí fui até o Pedro perguntar como me tornar um ornitólogo. Ele viu meu interesse e me aceitou como estagiário”, contou o também fotógrafo e guia de observação de aves em ambientes naturais.

Para Sobânia, o esforço de Scherer Neto posicionou as aves do Paraná entre as mais estudadas do país e o estado como um celeiro de especialistas nessas espécies. “Ele está na raiz disso tudo”, assegurou o biólogo, formado na Faculdades Integradas Espírita.

Segundo ele, as aves cumprem funções como dispersar de sementes a ovas de peixes, polinizar plantas, controlar populações de animais vivos e reciclar animais mortos. “Sua relação com outras espécies animais e vegetais mantém o equilíbrio dos ecossistemas”, destacou.

Cadastros alados

A ave com anilha encontrada em Búzios igualmente demonstrou a importância dessa prática científica para a conservação e monitoramento de impactos sobre espécies animais.

No Brasil, aves silvestres de vida livre, como o atobá quarentão, recebem anilhas desde os anos 1970. Elas já somam mais de 1 milhão. Suas letras e números apontam para sexo do animal, local e data das marcações.

“É como se fosse um CPF [Cadastro de Pessoa Física] de cada ave”, comparou Manuella Souza, coordenadora-substituta do Sistema Nacional de Anilhamento (SNA), vinculado ao ICMBio.

A prática é similar a de outros países e para outras espécies, como as tartarugas. Os dados brasileiros são compartilhados globalmente, ajudando até a traçar rotas de aves migrantes. As de criadouros têm outro sistema.

Anúncio

Apesar do número crescente, localizar uma dessas marcas não é corriqueiro. A taxa brasileira de recuperação é análoga à internacional, de aproximadamente 5%, ou menos de 50 mil anilhas.

Uma delas só foi encontrada por um detector de metais, enterrada no Rio Grande do Sul. Outras vêm à tona em encontros singulares, como o do cientista Gaspar Neto com o atobá-pardo, no litoral de Búzios (RJ).

“Essa é a parte mais legal. Anilhamos aves para que sejam encontradas e tragam essas informações sensacionais”, comemorou Manuella Souza (ICMBio).

Além de indicar por onde andam e tempo de vida, essas marcações ajudam a monitorar os impactos de obras, como de hidrelétricas e exploração de petróleo, bem como a proteger animais ameaçados de extinção.

Por isso, cada encontro com uma anilha é valioso e deve ser comunicado por meio do siteredes sociais ou email do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

“Quem informa e quem anilhou recebem certificados a cada recuperação, que pode ser feita por qualquer pessoa”, detalhou a coordenadora-substituta do Sistema Nacional de Anilhamento (SNA).

“É a ciência cidadã colaborando com o trabalho de pesquisadores”, acrescentou o ornitólogo Pedro Scherer Neto. A prática é uma parceria entre amadores e cientistas para coletar dados úteis a estudos formais.

Anúncio

A viagem de ((o))eco ao Paraná foi em parte apoiada pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), patrocinado pela Petrobras e realizado pela Associação Mar Brasil (AMB).

Continue lendo
Anúncio

Clique para comentar

Deixa uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Meio Ambiente

Reflorestar a Amazônia: a nova fronteira econômica e climática do Brasil

Publicado

em

Por

Um estudo do projeto Amazônia 2030 revela que o bioma possui 35 milhões de hectares de áreas degradadas aptos para o reflorestamento, representando uma oportunidade bilionária para a bioeconomia e a remoção de carbono

A crise climática global evidenciou uma realidade há muito negligenciada: a floresta é a tecnologia de remoção de carbono mais barata e eficiente do mundo. Enquanto bilhões de dólares são investidos em soluções artificiais, a Amazônia executa esse serviço naturalmente e em escala massiva. Diante deste cenário, um novo estudo do projeto Amazônia 2030 propõe uma estratégia inovadora e pragmática: transformar o passivo ambiental de 85 milhões de hectares desmatados em um ativo econômico produtivo através do reflorestamento.

O relatório intitulado “Para Proteger a Floresta Amazônica, Precisamos Reflorestar Áreas Degradadas” argumenta que o combate ao desmatamento, embora essencial, não é suficiente se não for acompanhado de uma alternativa econômica sólida. Atualmente, a região abriga vastas extensões de terras abandonadas ou subutilizadas, muitas vezes fruto de atividades ilegais ou de baixa produtividade. A proposta central é converter essas áreas em sistemas produtivos baseados na floresta, como agroflorestas e silvicultura moderna.

Oportunidade econômica sem conflito com o agronegócio

O levantamento identificou que existem 35 milhões de hectares na Amazônia com alto potencial para o reflorestamento que não competem com a produção atual de soja ou gado. Trata-se de terras degradadas que, se recuperadas, poderiam inserir o Brasil em um mercado global de produtos compatíveis com a floresta que hoje supera os 233 bilhões de dólares por ano. Atualmente, a Amazônia captura apenas 3% desse montante, evidenciando uma lacuna de desenvolvimento.

A meta é expandir a atividade econômica dentro do que já foi destruído. Ao criar “empregos verdes” e cadeias de valor estruturadas, a conservação deixa de ser uma imposição externa para se tornar uma escolha econômica viável para a população local, reduzindo a dependência de atividades predatórias como a extração mineral ilegal e a grilagem de terras.

Insegurança jurídica e gargalos de investimento

Apesar do cenário promissor, o estudo aponta desafios críticos que impedem o ganho de escala:

  • Insegurança Fundiária: A falta de regularização de propriedades antigas e a proteção ineficiente de florestas públicas geram incerteza jurídica para investidores e produtores.

  • Escassez de Financiamento: O capital global existe, mas faltam instrumentos financeiros adaptados aos ciclos longos da produção florestal, como fundos de garantia e contratos futuros.

  • Capacitação Técnica: A transição para uma economia florestal moderna exige máquinas adaptadas, assistência técnica especializada e treinamento de operadores locais.

Integração entre meio ambiente, economia e segurança

Os pesquisadores enfatizam que o reflorestamento deve ser encarado como uma infraestrutura essencial para o futuro do Brasil. O estudo recomenda:

Anúncio

  1. Priorização de Territórios Críticos: Focar as ações em áreas onde a degradação ambiental e a violência se sobrepõem.

  2. Fortalecimento de Órgãos de Controle: Dotar agências ambientais de tecnologia e financiamento estável para garantir a presença do Estado.

  3. Desenvolvimento de Biofármacos e Bioeconomia: Incentivar o uso produtivo de espécies nativas que garantam soberania alimentar e geração de renda a longo prazo.

  4. Uso do Mercado de Carbono: Implementar mecanismos de REDD+ Jurisdicional para recompensar regiões que evitam emissões e restauram a cobertura vegetal.

Reflorestar o que foi perdido não é apenas uma tentativa de retornar ao passado, mas uma forma de organizar o futuro climático e social do planeta. A Amazônia será decisiva para o equilíbrio hidrológico e térmico global, e o reflorestamento de suas áreas degradadas é a reconstrução das condições necessárias para que a floresta em pé permaneça de pé.


Com informações: ECO, Projeto Amazônia 2030

 

Continue lendo

Meio Ambiente

Drones e IA: A nova arma da Irlanda contra a poluição plástica nas praias

Publicado

em

Por

Pesquisadores da Universidade de Limerick desenvolvem aplicativo que mapeia lixo em tempo real para orientar grupos de limpeza voluntária

A luta contra a poluição marinha ganhou um aliado tecnológico de peso na Irlanda. O professor Gerard Dooly, do Centro de Robótica e Sistemas Inteligentes da Universidade de Limerick, desenvolveu um sistema que utiliza drones equipados com Inteligência Artificial para localizar e mapear resíduos plásticos em áreas costeiras de difícil acesso.

O projeto, financiado pela União Europeia através da iniciativa BluePoint, visa otimizar o trabalho de grupos voluntários que, embora dispostos a limpar as praias, muitas vezes perdem eficiência por não saberem exatamente onde os detritos se concentram. Agora, com o auxílio de coordenadas GPS precisas enviadas diretamente para um aplicativo móvel, a remoção do lixo torna-se muito mais rápida e direcionada.

Como funciona a tecnologia

O sistema opera em três etapas principais que integram visão computacional e mobilidade:

  1. Vigilância Aérea: Drones sobrevoam a costa (podendo ser pilotados por pesquisadores ou por cidadãos comuns que queiram colaborar).

  2. Reconhecimento por IA: Um algoritmo treinado analisa as imagens para distinguir plástico de elementos naturais, como algas, rochas e conchas. A tecnologia é tão precisa que consegue detectar objetos de apenas 1 cm de altura a 30 metros de altitude.

  3. Mapeamento Interativo: As áreas poluídas são marcadas em um mapa dentro de um aplicativo gratuito (disponível para iOS e Android), funcionando como um “caça ao tesouro” ecológico para os voluntários.

[00:15] No vídeo demonstrativo, é possível ver o drone sobrevoando a praia de Banna Strand, identificando automaticamente garrafas, tampas e redes de pesca entre os seixos da areia.

A plataforma de detecção de plástico aceita imagens de drones de qualquer fonte, como pessoas comuns pilotando seus próprios drones. O processamento requer apenas software de laptop padrão. Os usuários carregam imagens e recebem coordenadas GPS mostrando locais plásticos detectados. O aplicativo móvel, disponível gratuitamente para iOS e Android, exibe esses locais como um mapa interativo.

— Gerard Dooly, professor e pesquisador de engenharia na Universidade de Limerick

Desafios de Desenvolvimento

Treinar a “visão” do drone não foi uma tarefa simples. O software passou por meses de refinamento para superar obstáculos visuais:

Anúncio

  • Sombras e Luz: Versões iniciais confundiam áreas sombreadas com acúmulo de detritos.

  • Mimetismo Natural: O algoritmo precisou aprender a não confundir madeira flutuante (driftwood) com garrafas plásticas foscas.

  • Testes Extremos: Foram realizados centenas de voos em diferentes condições climáticas da costa irlandesa para garantir que o sistema funcionasse mesmo sob luz baixa ou vento.

Participação Cidadã e Expansão

O projeto BluePoint já distribuiu mais de 30 drones parceiros pela Europa. A plataforma é aberta: qualquer pessoa com um drone e um laptop padrão pode carregar imagens para o sistema, que processa os dados e gera as coordenadas de limpeza.

“Queremos mobilizar a comunidade. O aplicativo fornece o mapa, os voluntários fornecem a ação.” — Gerard Dooly, Universidade de Limerick.

Local de Teste Principal Tramore, Condado de Waterford (Irlanda)
Financiamento União Europeia (Projeto BluePoint)
Precisão de Detecção Objetos a partir de 1 cm
Disponibilidade App gratuito para iOS e Android


Com informações: The Conversation, Olhar Digital e Universidade de Limerick

Vídeo de Referência: Beach Survey – Bluepoint

 

Continue lendo

Meio Ambiente

Ibama nega licença e arquiva projeto da maior termelétrica a gás do Brasil

Publicado

em

Por

Órgão ambiental barrou a construção da UTE São Paulo, em Caçapava, após detectar falhas graves no estudo de impacto ambiental e falta de comprovação de viabilidade

O Ibama anunciou nesta sexta-feira (23) o arquivamento do processo de licenciamento da Usina Termelétrica (UTE) São Paulo, que seria instalada em Caçapava, no Vale do Paraíba. O projeto, orçado em R$ 5 bilhões pela empresa Natural Energia, estava planejado para ser a maior planta de geração de energia a gás fóssil da América Latina, mas foi rejeitado por não apresentar garantias de preservação ambiental e saúde pública.

A usina teria capacidade de 1,74 GW, queimando cerca de 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano. No entanto, o Ibama verificou falhas críticas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), confirmando as preocupações de especialistas e da sociedade civil sobre o impacto atmosférico e hídrico em uma região que já sofre com a saturação de poluentes.

Os Motivos do Impedimento

A decisão do Ibama reflete anos de pressão do Ministério Público Federal (MPF) e de movimentos sociais locais. Os principais pontos que levaram ao arquivamento foram:

  • Inviabilidade Ambiental: A empresa não conseguiu provar que o empreendimento não degradaria irreversivelmente o ecossistema local.

  • Consumo de Água: Termelétricas desse porte exigem volumes massivos de água para resfriamento, o que ameaçaria o abastecimento público das cidades de Caçapava e Taubaté.

  • Impacto Atmosférico: O Vale do Paraíba possui uma geografia que favorece a concentração de poluentes (inversão térmica), e a queima de combustíveis fósseis agravaria os índices de doenças respiratórias.

  • Danos Climáticos: O projeto ia na contramão das metas de descarbonização do país, ao priorizar o gás fóssil em vez de fontes renováveis.

Histórico de Resistência no Vale do Paraíba

O processo, que tramitava desde 2022, foi marcado por batalhas judiciais e protestos populares:

Ano Evento
2022 Início do processo de licenciamento no Ibama.
2024 Justiça suspende audiência pública após ação do MPF; fortes protestos em Caçapava.
2026 Ibama nega licença prévia e determina o arquivamento definitivo do processo.


Com informações: ECO e MPF

 

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights