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O polo industrial gigantesco no coração da Amazônia brasileira que surpreende o mundo

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Alimentado por isenções fiscais, o grande polo industrial amazonense é especializado na produção tecnológica

Em 1967, um decreto federal fundou, no município amazonense de Manaus, uma zona econômica franca que deveria incentivar a proliferação industrial na então isolada região amazônica.

O decreto envolvia a concessão de isenções fiscais e benefícios para empresas que se estabelecessem na região, numa extensão de 10 mil quilômetros quadrados entre a área urbana de Manaus e os municípios de Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo.

Os benefícios, no entanto, estendiam-se a partes amazônicas do Acre, de Rondônia e de Roraima, além do Amapá.

A intenção era criar um polo industrial gigantesco que desenvolvesse as localidades menos desenvolvidas dos estados e permitisse seu desenvolvimento e sua integração econômica. O polo produtor amazonense está localizado na Amazônia Ocidental, região que ocupa 25,8% do território nacional (metade dela representada pelo Amazonas), mas que tinha, até o começo dos anos 2000 uma densidade demográfica, não obstante, muito baixa.

O projeto vingou. Três polos econômicos surgiram na chamada Zona Franca de Manaus (ZFM), que é, na verdade, Zona Franca da Amazônia: um comercial, baseado nas mercadorias que circulavam nos portos não tributados; um industrial, em que mais de 600 indústrias de alta tecnologia já se estabeleceram; e o agropecuário, que envolve a piscicultura, o beneficiamento de madeira e a produção de alimentos.

Entre os benefícios oferecidos para o desenvolvimento da região estavam a isenção sobre impostos de importação, que permitia a entrada de tecnologia internacional, e de exportação, a fim de escoar os produtos regionais; de impostos sobre produtos industrializados (IPI); um desconto parcial sobre o ICMS, imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços; e, além disso, isenções sobre o imposto de renda (IRF), o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (contribuições para o financiamento da seguridade social).

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O modelo, no entanto, é superavitário, evidencia a SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que regula as atividades na região. A arrecadação é maior do que os benefícios concedidos: “o Amazonas é um dos oito estados [brasileiros] que devolvem à União a arrecadação de tributos federais em valores acima do repasse compulsório”.

Em 2017, por exemplo, o montante arrecadado na ZFM foi de R$ 13,9 bilhões, quase quatro vezes mais do que o valor das isenções e descontos oferecidos.

Os incentivos foram estabelecidos com um horizonte de 30 anos de duração. No entanto, foram estendidos pelo governo até 2073, para dar continuidade ao projeto de desenvolvimento econômico amazonense.

O projeto determina, além disso, que os lucros da produção devem ser reinvestidos localmente, inclusive na capacitação de pessoal qualificado.

Em fevereiro de 2025, ano em que cresceu 7,5% e teve o melhor resultado de unidades produzidas em uma década, a iniciativa — que mantém cerca de 112,5 mil empregos, de acordo com a Agência Brasil — completou seus 58 anos.

Sua produção está baseada principalmente em eletroeletrônicos (bens de informática), veículos de duas rodas e produtos agroindustriais.

Em 2023, um estudo divulgado pelo Banco Mundial que analisava a matriz econômica dos estados que compõem a Amazônia Legal evidenciava uma “perda de competitividade” expressiva no setor industrial da região, que “encontra cada vez mais dificuldade para atrair novas empresas”, a despeito dos benefícios fiscais oferecidos. Isso incentivaria o setor econômico a um retorno à dependência da agricultura extensiva, sugeria o relatório, o que ameaçaria o equilíbrio ambiental da Amazônia Legal.

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No entanto, a Suframa rebateu as críticas informando que havia registrado um recorde de arrecadação de sua série histórica, com R$ 174 bilhões.

Uma análise econômica produzida pelo órgão, além disso, contextualizava o desenvolvimento da indústria regional da ZFM com a aplicação da Lei de Kaldor-Verdoorn, paradigma de desenvolvimento industrial que prevê uma relação entre o aumento do volume produzido e um equivalente aumento da produtividade [isto é, do nível de eficiência na relação de transformação entre insumo e produção].

Em 2022, de acordo com a Suframa, haviam sido aprovados 202 projetos técnico-econômicos na ZFM, 90 deles em implantação e a sugerir novos empreendimentos no polo industrial, e 65% deles em parceria com institutos de tecnologia da região, o que “contribui significativamente para a consolidação do ecossistema de inovação” regional.

Os avanços regionais buscavam, sobretudo, superar alguns dos problemas identificados por um relatório produzido pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) em 1995, que identificava uma “produção primária insatisfatória” por falta de “políticas adequadas” na região, o que tornava Manaus dependente da importação de produtos agropecuários de outros estados; e, além disso, identificava o relatório, “a ZFM [havia] mostrado uma crescente dependência comercial em relação ao estrangeiro“, um reflexo da “baixa propensão a exportar demonstrada por sua indústria”.

O regime fiscal estabelecido na ZFM equipara suas vendas internas a exportações, o que permite que suas empresas tenham os mesmos benefícios fiscais de empresas exportadoras.

Em 2024, as exportações da região somaram R$ 581,5 milhões, com 18 países como parceiros comerciais.

“A contribuição do Polo Industrial de Manaus nas exportações brasileiras envolve a re-exportação de seus produtos por outros estados brasileiros“, diz um relatório apresentado pelos pesquisadores Jean-Marc Siroën, da Universidade de Paris-Dauphine, na França, e Ayçil Yücer, da Universidade de Dokuz Eylül, na Turquia, durante um seminário realizado pela SUFRAMA.

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Isso significa que sua produção local é vendida internamente para outros estados do Brasil, e então “re-exportada” para destinos internacionais, especialmente outras nações parte do Mercosul.

Até 2024, de acordo com a CIEAM (Centro de Indústrias do Estado do Amazonas), a participação do Amazonas na indústria de transformação do Brasil era de 2,8%, com 41,57% do faturamento partindo do setor de eletroeletrônicos e informática. O segundo maior setor, o de veículos de duas rodas, responde por 18,73%.


Fonte: Revista Fórum

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Pequenos empreendedores têm até 30 de janeiro para renegociar débitos inscritos na dívida ativa da União

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Edital prevê diferentes modalidades de transação, com descontos que podem chegar a até 100% sobre juros, multas e encargos legais

O Governo do Brasil prorrogou o prazo de adesão ao Edital nº 11/2025, que estabelece condições especiais para a renegociação de débitos inscritos na dívida ativa da União. Conforme disposto no art. 5º do edital, os interessados poderão aderir às modalidades de transação tributária até 30 de janeiro de 2026.

A medida beneficia microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte, que passam a contar com mais tempo para regularizar pendências fiscais e retomar a regularidade perante a União. O edital prevê diferentes modalidades de transação, com descontos que podem chegar a até 100% sobre juros, multas e encargos legais, além de prazos ampliados para parcelamento, de acordo com a situação da dívida e a capacidade de pagamento do contribuinte.

MODALIDADES — Entre as modalidades previstas estão a transação condicionada à capacidade de pagamento, a transação de débitos considerados irrecuperáveis, a transação de pequeno valor, que é aplicável a débitos consolidados de até 60 salários mínimos, com condições específicas para MEIs. Além disso, há também a transação de débitos garantidos por seguro garantia ou carta fiança.

CANAIS OFICIAIS — Os microempreendedores podem consultar suas pendências e formalizar a adesão ao edital por meio dos canais oficiais da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A prorrogação amplia o alcance da iniciativa e reforça o estímulo à regularização fiscal como instrumento de recuperação da atividade econômica dos pequenos negócios.

ADESÃO ÀS MODALIDADES — O prazo de 30 de janeiro refere-se exclusivamente à adesão às modalidades de renegociação de dívidas inscritas na dívida ativa da União. Trata-se de procedimento fiscal voltado à transação tributária e não se confunde com regras de enquadramento ou reenquadramento no Simples Nacional.

Prazo para renegociar dívidas é diferente do prazo para retorno ao Simples Nacional.

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Já o dia 31 de janeiro é o prazo para outro procedimento: a solicitação de retorno ao Simples Nacional por microempreendedores individuais que foram desenquadrados do regime. Esse processo possui critérios próprios e depende da regularização de pendências específicas, mas não substitui nem é substituído pela renegociação de dívidas prevista no edital da PGFN.


Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

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Brasileiros iniciam 2026 com maior otimismo nas finanças e no crédito

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Estudo da TransUnion revela que 73% das famílias esperam melhora financeira este ano, com a Geração Z liderando a confiança, apesar do alerta contínuo sobre a inflação

Os consumidores brasileiros entraram em 2026 com uma percepção renovada de otimismo em relação às suas perspectivas financeiras. De acordo com o mais recente estudo Consumer Pulse, conduzido pela TransUnion, 73% dos entrevistados acreditam que a situação econômica de suas famílias irá melhorar nos próximos 12 meses. O levantamento destaca que o crescimento recente da renda e a maior facilidade de acesso ao crédito são os principais pilares que sustentam esse sentimento positivo.

A Geração Z (jovens de 18 a 28 anos) desponta como o grupo mais confiante: 84% desses jovens preveem um cenário financeiro favorável para este ano. Entre os Millennials e a Geração X, a sensação de estabilidade também é predominante, com índices de 70% e 65%, respectivamente. Esse clima de esperança é reforçado pelo fato de que 76% dos brasileiros esperam novos aumentos salariais ou de renda ao longo de 2026.

Consumidores mantêm cautela e ajustes nos gastos opcionais

Apesar do otimismo generalizado, o planejamento das famílias brasileiras não está isento de preocupações. A inflação dos produtos de consumo diário é citada por 64% dos entrevistados como o maior desafio econômico, seguida pelas altas taxas de juros (52%) e pela insegurança em relação ao emprego (47%). Apenas 39% dos brasileiros acreditam que seus ganhos serão suficientes para acompanhar integralmente o aumento dos preços.

Para equilibrar as contas, os consumidores têm adotado uma postura de prudência:

  • Corte de supérfluos: 66% reduziram gastos com refeições fora de casa e 56% diminuíram o uso de aplicativos de entrega.

  • Viagens e lazer: 54% dos entrevistados afirmaram ter cortado ou adiado planos de viagens nos últimos três meses.

  • Serviços Digitais: Cerca de 21% cancelaram ou reduziram assinaturas de TV a cabo e internet para aliviar o orçamento mensal.

Motor de qualidade de vida e inclusão financeira

O acesso ao crédito continua sendo visto como um instrumento fundamental para o progresso socioeconômico no Brasil. Para 65% dos consumidores, o crédito é a via principal para alcançar objetivos de vida, como a casa própria, o financiamento de estudos ou a abertura de um novo negócio. Esse valor é ainda mais expressivo entre os jovens da Geração Z, onde 64% consideram o crédito vital para suas metas.

Helena Leite, especialista da TransUnion Brasil, observa que a confiança no sistema de crédito cresceu: 58% dos brasileiros sentem que têm acesso suficiente a produtos financeiros, um aumento notável em comparação ao final de 2024. No entanto, o estudo aponta uma desigualdade no atendimento: enquanto 71% das pessoas de alta renda se sentem bem atendidas, o índice cai para 47% entre a classe média, sugerindo uma demanda reprimida que as instituições financeiras ainda precisam suprir.

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Expectativas de alta atividade no setor bancário

Com a confiança em alta, a previsão é de um mercado de crédito aquecido para o restante do ano. Cerca de 38% dos brasileiros pretendem solicitar novos produtos financeiros ou refinanciar dívidas atuais nos próximos meses. Entre os produtos mais desejados estão:

  1. Novos cartões de crédito (38%)

  2. Empréstimos pessoais (36%)

  3. Aumento de limite de crédito (30%)

As instituições financeiras estão sendo desafiadas a utilizar dados alternativos para promover uma inclusão mais justa, permitindo que consumidores de rendas média e baixa também consigam aprovações. Para as empresas do setor, o momento é de fidelizar clientes através de ofertas personalizadas que antecipem as necessidades de consumo consciente desta nova fase econômica.


Com informações: TransUnion Brasil, Imagem Corporativa

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Desigualdade racial e de gênero no Brasil apresentam estabilidade apesar de avanços econômicos

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Dados de 2024 indicam que a extrema pobreza atingiu níveis recordes de queda, mas a população negra ainda representa a maioria absoluta entre os estratos mais pobres, evidenciando barreiras estruturais

Embora o Brasil tenha registrado avanços significativos nos indicadores sociais nas últimas três décadas, a estrutura das desigualdades raciais e de gênero demonstra uma estabilidade persistente. Em 2024, o país alcançou os menores índices de pobreza desde meados dos anos 1990, com a extrema pobreza recuando de 25% para patamares inferiores a 5%. Entretanto, a desagregação desses dados revela que o benefício do crescimento econômico e das políticas públicas não atinge todos os grupos da mesma forma.

Segundo a teoria do prêmio Nobel Amartya Sen, a pobreza deve ser entendida de forma multidimensional, focando no que o indivíduo consegue realizar com seus recursos. No contexto brasileiro, essa “liberdade real” é limitada por hierarquias históricas. Mesmo com o aquecimento do mercado de trabalho e a consolidação de programas como o Bolsa Família, a população afrodescendente permanece sobrerepresentada nos indicadores de vulnerabilidade social.

Raça e gênero como determinantes da vulnerabilidade

Os números de 2024 ilustram a disparidade entre os grupos étnico-raciais. Pessoas pretas e pardas compõem 57% da população brasileira, mas somam mais de 70% do total de brasileiros vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza. Enquanto a extrema pobreza atinge pouco mais de 2% da população branca, o índice sobe para aproximadamente 5% entre os pardos.

A desigualdade é visível também no mercado de trabalho, mesmo quando se compara profissionais com o mesmo nível de escolaridade. No ensino superior completo, a disparidade salarial é acentuada:

  • Trabalhadores brancos: Recebem, em média, R$ 43,20 por hora.

  • Trabalhadores pretos: Recebem cerca de R$ 29,90 por hora para funções equivalentes.

Historicamente, entre 2012 e 2024, a renda domiciliar per capita da população negra manteve-se em torno de apenas 50% da renda da população branca. Esse fenômeno sugere que, embora todos os grupos tenham tido ganhos nominais, a distância relativa entre as bases e o topo da pirâmide social não sofreu alterações estruturais.

Regressividade fiscal e responsabilidade doméstica

O modelo tributário brasileiro, focado no consumo (impostos indiretos), agrava a situação da população negra. Como este grupo concentra-se nas faixas de menor renda, uma parcela proporcionalmente maior de seus ganhos é consumida por impostos embutidos em produtos básicos.

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Dentro deste cenário, as mulheres negras enfrentam o maior desafio. Elas acumulam as menores médias salariais, ocupações mais precárias e, frequentemente, a responsabilidade exclusiva pelo sustento e cuidado dos domicílios. Esse acúmulo de fatores faz com que os ciclos de recuperação econômica cheguem por último a esse segmento, dificultando a conversão de ganhos salariais em mobilidade social real.

Desafios na conversão de diploma em prestígio social

Nas últimas décadas, políticas de ação afirmativa e a expansão do acesso ao ensino superior aumentaram a presença de pessoas negras nas universidades e no serviço público. No entanto, o acesso à educação não tem garantido automaticamente a ocupação de cargos de alto prestígio ou liderança no setor privado.

As desigualdades permanecem profundas na pós-graduação, na produção científica e no mercado de trabalho qualificado. Especialistas apontam que o racismo sistêmico atua como um filtro que restringe a conversão dos títulos acadêmicos em ascensão profissional duradoura. Para superar esse quadro, economistas defendem que o país precisa ir além da gestão técnica da pobreza e enfrentar as estruturas de dominação que mantêm as hierarquias sociais praticamente inalteradas, apesar da flutuação positiva dos números macroeconômicos.


Com informações: Diplomatique

 

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