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A 3ª edição da pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados”, realizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA) em parceria com o Sesc, apresenta um diagnóstico sobre a realidade da violência de gênero no Brasil. Os dados, coletados entre 2021 e 2023, revelam que 50% das mulheres já vivenciaram algum tipo de violência praticada por homens ao longo da vida.
O levantamento destaca uma disparidade significativa entre a percepção espontânea e a realidade fática: apenas 23% das entrevistadas identificam inicialmente terem sido vítimas. No entanto, ao serem apresentadas a situações concretas de abusos, o percentual dobra, evidenciando uma forte naturalização de práticas abusivas, especialmente as que não envolvem agressão física direta.
A pesquisa estratifica a violência em diferentes categorias, demonstrando que as agressões psicológicas e morais são as mais disseminadas, embora as menos reconhecidas pelas vítimas em um primeiro momento.
Violência Psicológica: Relatada por 43% das mulheres em situações estimuladas.
Violência Moral: Atinge 37% das entrevistadas.
Violência Sexual: Registrada por 23%, incluindo casos de coerção dentro de relacionamentos afetivos.
Violência Física: Mencionada por 22% das mulheres quando questionadas sobre episódios específicos.
A dificuldade de reconhecimento da violência psicológica é apontada como um dos principais gargalos para o enfrentamento do problema, uma vez que o abuso emocional muitas vezes precede e pavimenta o caminho para a agressão física.
Um dos dados mais alarmantes do estudo refere-se à rede de proteção: 71% das mulheres que sofreram violência não formalizaram denúncia. O silenciamento é sustentado por uma combinação de fatores estruturais e emocionais, como o medo de represálias e a desconfiança nas instituições.
A dependência econômica aparece como um fator determinante para a permanência no ciclo de violência. Muitas mulheres relatam o retorno ao convívio com o agressor por não possuírem meios materiais para o sustento próprio ou dos filhos. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas que não foquem apenas na punição criminal, mas também na promoção da autonomia financeira e no acolhimento social.
A violência de gênero deixa marcas profundas que transcendem o momento da agressão. Segundo o diagnóstico:
69% das vítimas relatam impactos diretos na saúde mental, como traumas, síndrome do pânico, ansiedade e depressão.
Dificuldades em estabelecer novos vínculos e insegurança constante são sequelas frequentes.
Pela primeira vez, a pesquisa incluiu recortes específicos para mulheres trans e aprofundou dados sobre raça e território. Os resultados indicam que mulheres negras, periféricas e da comunidade LGBTQIA+ estão em maior situação de exposição e enfrentam barreiras ainda mais rígidas para acessar o sistema de justiça e saúde.
Com mais de 700 páginas de análise, o estudo serve como um instrumento estratégico para gestores públicos. Ele aponta que, apesar do avanço de marcos legais como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a rede de atendimento ainda é desigual, com concentração de serviços especializados (como as DEAMs) em grandes centros urbanos.
Especialistas defendem que os dados reiteram a urgência de uma rede integrada que articule proteção policial, suporte psicológico e, fundamentalmente, educação para a igualdade de gênero desde a base social.
Com informações: PT
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