Saúde
‘Quase perdi o pênis após 3 preenchimentos’: o que está por trás da febre da harmonização peniana no Brasil
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8 meses atrásem
As técnicas que engrossam ou aumentam o órgão sexual masculino se popularizaram nos últimos anos. Entenda quais são as opções disponíveis, em que casos elas realmente podem ajudar e como fugir de propagandas enganosas (e perigosas)
Jorge precisou passar por duas cirurgias para reconstruir o pênis depois que procedimentos estéticos que ele fez na região pélvica deram errado — e geraram complicações que poderiam ter lhe custado a vida.
“Em meados de 2005, fui convencido por propagandas publicadas em jornais e revistas que prometiam o aumento do pênis. Decidi viajar a São Paulo e fiz uma aplicação de PMMA numa clínica bem escondida. Nem sabia se o profissional que me atendeu era médico“, conta ele, que pediu para não ser identificado nesta reportagem porque os familiares e amigos mais próximos não conhecem essa história particular.
O PMMA citado por Jorge é uma sigla para polimetilmetacrilato, um acrílico que fica permanentemente depositado no organismo e é usado em algumas situações para fazer preenchimentos.
Jorge diz ter gostado do resultado inicial — e, dez anos depois, decidiu que precisava repetir a dose.
Ele procurou um atendimento na região onde mora, no Distrito Federal, e fez uma segunda injeção no pênis.
“Após três anos, em 2018, achei que precisava de mais uma aplicação. Dessa vez, busquei um urologista”, lembra ele.
Jorge conta que nessa terceira ocasião foi atendido por dois médicos — e um deles falou sobre a aplicação de um pouco de PMMA na bolsa escrotal.
Inclusive, segundo ele, esse profissional da saúde chegou a mostrar a própria região genital durante a consulta para convencê-lo a fazer um procedimento mais amplo.
“Eu aceitei a sugestão. E foi aí que começou o meu grande drama”, lembra ele.
Cerca de dois anos depois dessa terceira intervenção, Jorge passou a sofrer com inflamações recorrentes na pelve. Nos momentos de crise, a bolsa escrotal dele chegava a dobrar de tamanho — o que gerava muito incômodo e dor.
“Os médicos precisavam fazer aplicações de corticoides [remédios anti-inflamatórios] direto na minha bolsa escrotal”, relata ele.
Depois de um tempo, começaram a surgir feridas.
“Era como se meu corpo quisesse expulsar aquele PMMA de algum jeito”, diz Jorge, que correu o risco de perder o órgão sexual, caso o problema continuasse a evoluir.
Para piorar, embora os remédios ajudassem a controlar a inflamação, os efeitos colaterais deles já preocupavam: os exames de sangue mostraram que os rins de Jorge demonstravam sinais de desgaste pela sobrecarga de trabalho.
Como o caso ficava cada vez mais grave, Jorge foi orientado a apelar para uma solução drástica: ele precisaria ser submetido a cirurgias, onde o PMMA seria removido e os trechos do pênis acometidos pelas feridas passariam por uma reconstrução.
O urologista Ubirajara Barroso Jr., professor da Universidade Federal da Bahia e especialista em casos do tipo, ficou responsável por conduzir os procedimentos.
O primeiro deles aconteceu no ano passado e focou apenas na remoção do acrílico acumulado na bolsa escrotal.
A segunda operação ocorreu em abril de 2025 e Jorge ainda estava se recuperando quando conversou com a BBC News Brasil, exatamente um mês depois da cirurgia.
“Foi possível cicatrizar as feridas e remover boa parte do PMMA”, relata ele.
“Agora estou me sentindo bem e consegui recuperar parte da autoestima.”
Questionado sobre o que aprendeu a partir desse episódio, Jorge sugere que todos os homens “fujam das propagandas fantasiosas” e “procurem informações confiáveis” antes de aceitar qualquer procedimento no órgão sexual.
“Em nenhuma das três ocasiões eu sequer conversei com minha esposa, para saber o que ela achava. Pelo contrário, ela sempre se colocou muito satisfeita e disse que não precisava disso [aumentar o pênis].”
“Mas o homem tem essa vaidade, essa coisa imbecil e estúpida”, complementa ele.
Médicos ouvidos pela BBC News Brasil contam que episódios como o de Jorge se tornaram mais comuns nos últimos anos, à medida que a chamada “harmonização peniana” se espalhou pelas redes sociais e ganhou mais popularidade entre o público masculino — embora ainda não existam estatísticas oficiais sobre o número de procedimentos do tipo feitos no país.
Esse termo é usado em vídeos postados na internet para descrever uma série de procedimentos e intervenções que prometem aumentar o calibre ou a extensão do pênis.
Mas que técnicas estão disponíveis? Quando elas realmente podem ajudar? E como fugir de propagandas enganosas? Veja as respostas para essas e outras perguntas a seguir.
Uma nova era do aumento peniano
O médico Flávio Rezende, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, lembra que, por décadas, os homens foram bombardeados com promessas ilusórias sobre métodos para fazer o órgão sexual crescer.
“Eram anúncios sobre cremes massageadores, bombas a vácuo… Durante a vida inteira, muitos indivíduos não tinham qualquer possibilidade real de tratamento”, destaca o especialista.
Na visão dele, esse cenário se modificou nos últimos anos. E Rezende destaca um episódio particular que ajuda a marcar essa transformação.
Em meados de 2018, ele trabalhava no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, ligado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, quando atendeu um paciente acometido por queimaduras graves, que precisava passar por uma reconstrução das estruturas da pelve.
“Após a recuperação, ainda no ambulatório, esse indivíduo me perguntou se eu havia aumentado o pênis dele”, conta o cirurgião plástico.
Na ocasião, Rezende até instalou uma tela absorvível para fazer a reconstrução do órgão sexual, mas não havia ali o objetivo de fazer um engrossamento do órgão sexual.
O questionamento serviu de inspiração para que o especialista começasse a pesquisar o assunto e a testar diferentes métodos de aumento peniano.
Passados sete anos daquele episódio, Rezende divide as opções disponíveis hoje em dois grandes grupos.
As primeiras são as alternativas cirúrgicas. Elas envolvem, por exemplo, a liberação de ligamentos e cortes de algumas estruturas, que permitem um alongamento maior do órgão.
Outra possibilidade aqui é a lipoaspiração da pelve, ou a retirada de tecidos dessa região do corpo.
Esse método é particularmente bem-vindo para indivíduos com excesso de peso e obesidade que acumulam gordura na virilha e ficam com o pênis “embutido”, ou escondido.
Nesses casos, o objetivo não é apenas estético, como pode também facilitar a higiene e evitar doenças mais sérias, como o câncer de pênis, explicam os especialistas.
O segundo rol de opções não envolve o bisturi. O carro-chefe aqui é a aplicação de ácido hialurônico para engrossar o pênis.
Essa substância é usada para fazer o preenchimento de várias partes do corpo (como lábios e testa) e, ao contrário do PMMA, tem a vantagem de ser absorvida depois de alguns meses.
“O ácido hialurônico é um polímero formado por substâncias semelhantes a açúcares que têm a capacidade de atrair, absorver e reter água. O preenchimento que ele traz fica muito semelhante ao aspecto natural do pênis”, explica o urologista Fernando Facio, coordenador do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Existe ainda um composto que neutraliza o ácido hialurônico, caso o resultado não fique bacana ou o indivíduo apresente alguma alergia ou uma reação adversa grave.
O procedimento de aplicação é simples, pode ser feito no consultório mesmo e tem uma baixa taxa de complicações (caso seja feito adequadamente).
Há também clínicas e profissionais de saúde que fazem aplicações de botox na bolsa escrotal — que são conhecidas popularmente nas redes sociais como “escrotox”.
“Ainda não existem muitas evidências científicas sobre esse uso, mas a toxina botulínica pode tirar um pouco aquela sensação de bolsa enrugada que incomoda alguns homens”, diz Rezende.
Barroso Jr., que atendeu Jorge, pondera que nenhuma dessas técnicas ainda tem um segmento de longo prazo, por décadas — até porque essa é uma área da Medicina que ganhou atenção nos últimos anos.
“Mas órgãos como o Conselho Federal de Medicina validam o uso do ácido hialurônico para promover mudanças corporais”, lembra ele.
Quem precisa da harmonização peniana?
Em linhas gerais, procedimentos que aumentam o calibre e a extensão do órgão sexual são indicados em algumas situações específicas.
É o caso de homens que têm micropênis, quando o tamanho dessa estrutura fica bem abaixo da média da população.
Segundo a SBU, o comprimento médio do pênis do homem adulto é de 8,5 a 9,5 centímetros (quando flácido) e de 13 a 14 cm (em ereção).
Outro exemplo aqui, como já citado anteriormente, são os indivíduos que acumulam muita gordura na pelve e ficam com o órgão sexual “embutido”.
Mas e um sujeito que fica dentro da média e mesmo assim não está satisfeito? Ele não pode optar por fazer alguma intervenção por motivos particulares?
Os médicos dizem que a palavra-chave é autonomia.
“Seria muito preconceito dizer a um homem com desejo de engrossar o pênis que ele não pode fazer isso. Falamos de procedimentos de baixa complexidade que, muitas vezes, podem gerar melhoras na autoestima e na percepção corporal”, pontua Barroso Jr.
No entanto, antes de partir para qualquer intervenção, há um consenso entre especialistas de que é preciso avaliar se aquele paciente tem autonomia de fato — ou se a decisão de fazer uma harmonização peniana é influenciada por questões de saúde mental.
Isso porque existe uma condição chamada dismorfia corporal, que atinge até 2% da população.
Pessoas acometidas por esse distúrbio são excessivamente incomodadas com algum detalhe do próprio corpo e não há procedimento estético ou cirurgia plástica que resolva isso.
A médica Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, aponta que muitos homens com dismorfia corporal tendem a concentrar as preocupações sobre a aparência justamente no tamanho ou no formato do pênis.
“Esse paciente não consegue perceber o órgão sexual exatamente como é. Ele acha que possui dimensões menores e não vai ficar satisfeito, mesmo depois de qualquer intervenção”, descreve ela.
“Muitas vezes, esse indivíduo faz procedimentos à exaustão que lesam o pênis e geram complicações.”
“É muito triste receber pacientes com os órgãos completamente deformados e abalados emocionalmente com tudo que passaram”, lamenta ela.
Nesses casos, antes de partir para qualquer tratamento na região genital, o mais adequado é cuidar da saúde mental.
Segundo Abdo, existem protocolos desenvolvidos especificamente para lidar com a dismorfia corporal que envolvem psicoterapia e algumas medicações.
Particularidades masculinas
A psiquiatra chama a atenção para a importância do pênis para os homens.
“O órgão sexual masculino é visto como um símbolo de poder, potência, competência, virilidade”, destaca a especialista, que também é professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
“Ele possui um valor simbólico muito grande para o público masculino”, complementa ela.
Rezende, que recentemente abriu uma clínica voltada exclusivamente ao tratamento genital e à estética íntima masculina no Rio de Janeiro, vê como esse simbolismo se materializa no dia a dia.
“Falar da própria genitália ainda é um tabu entre os homens”, constata ele.
“Como os pacientes têm vergonha de se expor, nós agendamos as consultas com um intervalo, para que ninguém se encontre na sala de espera. Além disso, todos os atendentes são homens e a maioria dos interessados não nos procura por telefone. Eles preferem escrever mensagens via WhatsApp”, descreve o cirurgião plástico.
“Mesmo nas redes sociais, vemos que os conteúdos que produzimos recebem muitas visualizações, mas poucas curtidas ou comentários. O homem deseja saber mais sobre o assunto, mas prefere não ser identificado nesse processo.”
“Basicamente, não existe propaganda boca a boca. O paciente passa pelas intervenções, fica satisfeito, mas não quer que ninguém saiba que ele fez um preenchimento com ácido hialurônico”, complementa ele.
Rezende ainda revela que, ao contrário do que muita gente possa imaginar, a principal motivação na busca por procedimentos para engrossar ou alongar o órgão sexual não está ligada diretamente à ereção ou à performance sexual.
“Em alguns homens, o pênis pode reduzir até quatro vezes quando flácido. Então eles têm mais insatisfação nesses momentos, quando precisam se expor num vestiário perto dos amigos”, observa o médico.
“Não se trata do ato sexual necessariamente, mas da impressão que o homem passa ao vestir uma sunga, por exemplo. É como se o pênis fosse o representante desse homem e mostrasse o quanto ele vale, o quanto é potente, o quanto é grande”, reflete Abdo.
“Na sexualidade, o homem sempre quer se comparar a algo, principalmente a pênis maiores, como se o tamanho do órgão fosse diretamente proporcional ao prazer”, analisa Facio.
Diversos estudos já comprovaram que, nesse contexto, tamanho não é documento: uma relação sexual boa para todos os envolvidos está mais relacionada ao conhecimento sobre como o corpo funciona.
“Você não precisa ter um pênis grande e grosso para ter e distribuir prazer. Conhecer a anatomia das parcerias é o principal ponto aqui”, ensina Facio.
“No caso da vagina, o prazer está na superfície. Não há nenhum ganho nesse sentido com os procedimentos penianos”, concorda Barroso.
O ideal de um pênis grande também ganha espaço diante do acesso ampliado pela internet à pornografia — em que atores são selecionados por serem naturalmente avantajados, além do claro uso de ângulos e técnicas de filmagem para valorizar certas partes do corpo.
“A partir do contato com a pornografia, o homem tem ali referendado que o pênis dele é menor. E o público masculino tem no órgão sexual um reflexo de sua autoestima, de sua identidade”, reforça Abdo.
“A depender da reação de cada indivíduo, o contato com esses conteúdos pode gerar um prejuízo, já que muitas vezes o homem não é superdotado e não consegue repetir a performance sexual exuberante que vê nas telas”, complementa ela.
Cuidados e ajustes de expectativas
Outro ponto importante nesse debate é entender o quanto os procedimentos incluídos na tal harmonização peniana realmente modificam o órgão sexual masculino.
“O preenchimento com ácido hialurônico leva a um ganho ao redor de 1,5 a 2 cm no calibre”, calcula Barroso Jr.
Já Rezende calcula que a transformação depende da quantidade de substância a ser injetada — o que varia conforme as características de cada paciente.
“A cada 34 ml, é possível ganhar em torno de 1 cm de circunferência”, estima ele.
“Hoje é possível chegar a até 3 ou 4 cm de ganho, a depender do conhecimento técnico do profissional e da estética, para que a intervenção não fique perceptível”, complementa o cirurgião plástico.
Vale lembrar aqui que o ácido hialurônico é absorvido pelo corpo depois de algum tempo e exige reaplicações depois de um ou dois anos.
Mas a SBU reforça que nenhuma técnica chega a aumentar de fato o comprimento do pênis — elas apenas promovem mudanças visuais que dão uma sensação de que o órgão ficou maior (ou mais grosso).
Os especialistas também chamam a atenção para a necessidade de fazer esses procedimentos com profissionais que entendam do assunto.
“A gente vê situações de pessoas que fazem até uma autoaplicação, como se essas intervenções fossem a mesma coisa que passar um creme no rosto. O pênis é um órgão único, cheio de vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas, com funções sexuais e urinárias”, detalha Facio.
“Esses procedimentos precisam ser feitos com todo o rigor técnico e científico”, defende o urologista.
Rezende dá uma ideia de como esse trabalho é complexo: o ácido hialurônico precisa ser aplicado numa das camadas que ficam logo abaixo da pele.
“Elas têm uma espessura de poucos milímetros, como se fossem folhas de papel empilhadas em um caderno”, compara ele.
E o que acontece se o profissional injeta a substância no lugar errado?
Na melhor das hipóteses, ela “escorrega” e vai parar na parede pélvica. Nesse caso, não há eventos adversos graves. O pênis continua a mesma coisa, sem nenhum ganho de calibre.
No pior dos cenários, o ácido hialurônico pode acabar no interior de um dos vasos sanguíneos que irrigam a região. Aqui a situação fica bem mais séria e pode desembocar em necrose e embolismo, com risco à vida.
O mesmo acontece com as injeções na bolsa escrotal. “Se elas perfurarem o cordão espermático, o testículo desse homem acabou, com complicações reprodutivas e hormonais”, acrescenta Barroso Jr.
O urologista relata que atendeu casos recentes de homens que, assim como Jorge, tiveram sérias complicações ao se submeterem a procedimentos do tipo.
“Outro dia operei um paciente que se injetou uma substância e teve uma necrose completa de pele. Ele queria ter um pênis maior e acabou ficando com 3 cm. Tive que fazer uma reconstrução, com o auxílio de enxertos”, detalha.
“Um segundo indivíduo aplicou um produto no corpo cavernoso [estruturas que concentram o sangue para o pênis endurecer durante uma ereção]. Ele perdeu o pênis completamente.”
Entre avanços e riscos, Rezende entende que os procedimentos estéticos na região púbica vieram para ficar.
“Da mesma maneira que tivemos um boom de colocação de próteses mamárias entre as mulheres, vivemos agora a era do aumento peniano entre os homens”, acredita ele.
“Falamos hoje de uma realidade. E essa é uma demanda de mercado crescente e real”, conclui ele.
Comportamento
Acidentes com lagartas em crianças exigem atenção redobrada durante o verão
Publicado
10 horas atrásem
27/01/2026
O contato com cerdas venenosas pode causar desde irritações leves até hemorragias graves; o gênero Lonomia é o principal risco para a saúde pública no Brasil
Com a elevação das temperaturas e o aumento das atividades de lazer em áreas verdes, cresce também o risco de acidentes por erucismo — a reação provocada pelo contato da pele com as cerdas de lagartas. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou mais de 26 mil ocorrências entre 2019 e 2023, sendo que 20% das vítimas eram crianças de até 9 anos. O Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em pediatria, alerta que o público infantil é o mais vulnerável devido à menor massa corporal e à fragilidade do sistema imunológico.
O perigo reside nas cerdas pontiagudas que, ao serem tocadas, injetam veneno diretamente na pele. Em crianças, a dificuldade em relatar os sintomas precocemente e o hábito de brincar próximo a troncos e folhagens potencializam a toxicidade do acidente, exigindo vigilância constante de pais e responsáveis em parques, quintais e áreas arborizadas.
Identificação das lagartas e os sintomas hemorrágicos
As lagartas envolvidas em acidentes no Brasil dividem-se basicamente em duas famílias. As “cabeludas” (Megalopygidae) possuem pelos sedosos que escondem cerdas urticantes. Já as “espinhudas” (Saturniidae), com aparência de pequenos pinheiros, incluem o gênero Lonomia, o mais perigoso para a saúde humana.
Enquanto a maioria das lagartas causa apenas dor intensa, queimação e inchaço local, o veneno da Lonomia interfere diretamente na coagulação sanguínea. Se não houver tratamento rápido, o quadro pode evoluir para:
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Manchas roxas pelo corpo e sangramentos nas gengivas;
-
Presença de sangue na urina;
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Insuficiência renal aguda e risco de morte.
O Brasil é pioneiro e único produtor mundial do soro antilonômico, desenvolvido pelo Instituto Butantan e distribuído gratuitamente pelo SUS. O antídoto é a única forma de neutralizar os efeitos graves do envenenamento, que costumam apresentar piora progressiva nas primeiras 12 horas após o contato.
Procedimentos imediatos para reduzir a absorção do veneno
Ao identificar que uma criança teve contato com uma lagarta, a recomendação médica é agir com rapidez, mas sem aplicar substâncias caseiras. A dermatologista pediátrica Flavia Prevedello orienta o uso de fita adesiva para remover cerdas que ainda estejam presas à pele, seguido de lavagem com água e sabão. Compressas frias podem ser utilizadas para aliviar a dor local.
O que nunca fazer:
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Não esfregar o local: Isso pode quebrar mais cerdas e espalhar o veneno.
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Não aplicar álcool ou vinagre: Essas substâncias podem agravar a irritação.
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Não usar aspirina ou anti-inflamatórios: Esses medicamentos aumentam o risco de sangramento, o que é fatal em casos de acidente com Lonomia.
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Não fazer torniquetes ou sucção: Tais práticas são ineficazes e danificam os tecidos.
Como evitar o contato e proteger as áreas de lazer
O aumento de lagartas em zonas urbanas está diretamente ligado ao desequilíbrio ambiental e ao desmatamento. Para prevenir acidentes, é essencial observar atentamente troncos e galhos antes de permitir que crianças se aproximem. O uso de luvas em atividades de jardinagem e a recomendação de nunca tocar em lagartas, mesmo as que pareçam mortas (pois as cerdas mantêm a toxicidade), são medidas eficazes.
Em caso de emergência, além de procurar uma unidade de saúde, é recomendável fotografar o inseto para auxiliar na identificação pela equipe médica. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) atende pelo telefone 0800 644 6774 para orientações específicas sobre animais peçonhentos em todo o país.
Com informações: Hospital Pequeno Príncipe, Ministério da Saúde
Saúde
Check-up anual é essencial para detectar doenças silenciosas e garantir longevidade
Publicado
11 horas atrásem
27/01/2026
A negligência com exames preventivos pode atrasar o diagnóstico de condições graves como diabetes e hipertensão; especialistas recomendam revisões periódicas conforme a faixa etária
A busca por atendimento médico no Brasil ainda está fortemente atrelada ao surgimento de sintomas, deixando de lado a cultura da prevenção. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a maior parte da população só procura serviços de saúde em situações de doença já instalada. No entanto, médicos alertam que este comportamento é um risco para o diagnóstico de enfermidades silenciosas, como a hipertensão arterial, o diabetes e as dislipidemias (alterações no colesterol), que muitas vezes não apresentam sinais claros em estágios iniciais.
De acordo com a médica Josie Velani Scaranari, do Sabin Diagnóstico e Saúde, o acompanhamento periódico é a ferramenta mais eficaz para identificar fatores de risco e evitar complicações que podem comprometer a qualidade de vida a longo prazo. O check-up atua como um mapeamento da saúde atual do paciente, permitindo intervenções precoces que aumentam significativamente as chances de sucesso em tratamentos e reduzem a necessidade de internações de emergência.
Orientações variam conforme o sexo e o histórico familiar
O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia estabelecem diretrizes específicas para a realização do check-up, levando em conta que as necessidades do organismo mudam ao longo do tempo. A recomendação geral é dividida da seguinte forma:
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Adultos de 18 a 40 anos: Devem realizar uma revisão clínica completa a cada três anos, caso sejam saudáveis e não possuam sintomas.
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Acima de 40 anos: A orientação passa a ser de revisões bienais (a cada dois anos), com foco aumentado na saúde cardiovascular.
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Idosos (acima de 60 anos): Devem realizar exames anuais, especialmente aqueles que já possuem fatores de risco conhecidos, como histórico familiar de doenças graves ou sedentarismo.
Os exames fundamentais incluem o hemograma completo, testes de glicemia, perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos), além da aferição da pressão arterial e avaliação do índice de massa corporal (IMC). Para as mulheres, somam-se os exames ginecológicos preventivos e a mamografia, essenciais para o diagnóstico precoce de câncer.
Revisão do cartão vacinal é etapa obrigatória do cuidado preventivo
Um aspecto frequentemente esquecido do check-up anual é a atualização da imunização. A prevenção de doenças infectocontagiosas contribui diretamente para a redução de casos graves, especialmente em grupos de risco. Durante a consulta, a revisão do cartão de vacinas permite identificar doses de reforço necessárias ou novas vacinas indicadas para a fase atual de vida do paciente.
Entre os imunizantes que devem estar no radar de adultos e idosos em 2026 estão os contra a Influenza (Gripe), COVID-19, Tríplice Bacteriana (dTpa) e as vacinas pneumocócicas. Manter o sistema imunológico atualizado é considerado por especialistas como um dos pilares da medicina preventiva moderna, funcionando como uma barreira extra contra complicações sistêmicas.
Hábitos saudáveis potencializam os resultados dos exames
Para que o check-up não seja apenas uma formalidade burocrática, ele deve estar inserido em um contexto de cuidado integral. A Dra. Josie Scaranari ressalta que o estilo de vida influencia diretamente os indicadores laboratoriais. O planejamento de refeições nutritivas e a prática regular de atividades físicas são estratégias fundamentais para manter os níveis de glicose e colesterol sob controle, mesmo para quem possui uma rotina acelerada.
Além da saúde física, o sono de qualidade e o bem-estar emocional são pilares indissociáveis. O estresse crônico e a privação de sono podem desencadear alterações metabólicas e hipertensão, mascarando os benefícios de uma vida teoricamente saudável. Portanto, olhar para a saúde de forma holística — corpo e mente — é o caminho para garantir que os resultados do check-up reflitam uma longevidade real e sustentável.
Com informações: Sabin Diagnóstico e Saúde, Ministério da Saúde, IBGE
Saúde
Mapeamento genético surge como novo pilar na prevenção ao melanoma
Publicado
13 horas atrásem
27/01/2026
Estudo genético complementa o uso de protetor solar ao identificar mutações hereditárias, auxiliando no combate ao câncer de pele mais agressivo, que pode registrar aumento de 80% em mortes até 2040
O cuidado com a pele durante o verão e as férias escolares ganhou um novo aliado tecnológico: o mapeamento genético. Embora a fotoproteção diária continue sendo a regra de ouro, especialistas ressaltam que a identificação de predisposições hereditárias é fundamental para enfrentar o melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele. Projeções da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) indicam um cenário alarmante, com o número de óbitos pela doença no Brasil podendo chegar a 4 mil por ano até 2040.
Atualmente, a exposição solar inadequada e o uso de câmaras de bronzeamento são responsáveis por cerca de 75% dos casos mundiais. No entanto, o avanço da medicina personalizada permite agora que o histórico genético do paciente seja utilizado para traçar estratégias de vigilância muito mais rigorosas e eficazes, indo além das recomendações gerais de saúde pública.
Identificação de mutações e acompanhamento individualizado
O teste genético foca na busca por variantes patogênicas em genes específicos que predispõem o indivíduo ao melanoma. De acordo com a dermatologista Ana Cândida Bracarense, do Hospital Orizonti, o exame não é um substituto para o filtro solar, mas sim um guia para um cuidado personalizado. Quando uma mutação é detectada, o protocolo de atendimento muda drasticamente para garantir a detecção precoce.
As principais medidas para pacientes com risco genético incluem:
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Dermatoscopia Digital: Realização do mapeamento corporal completo para monitorar a evolução de sinais e manchas ao longo do tempo.
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Consultas Frequentes: Redução do intervalo entre as visitas ao dermatologista para exames clínicos minuciosos.
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Autoexame Rigoroso: Orientação específica para que o paciente identifique novas lesões ou mudanças em sinais já existentes.
Critérios de indicação e síndromes de risco
Apesar de sua eficácia, o mapeamento genético não é indicado para a população em geral de forma indiscriminada, uma vez que a maioria dos melanomas é esporádica (causada por fatores externos). O teste é recomendado para grupos específicos que apresentam maior vulnerabilidade biológica:
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Histórico Familiar: Pessoas com parentes de primeiro grau que já tiveram melanoma.
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Histórico Pessoal: Pacientes que já foram diagnosticados com um melanoma primário anteriormente.
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Síndrome do Nevo Displásico: Indivíduos que possuem uma quantidade elevada de sinais irregulares espalhados pelo corpo.
A importância de manter os cuidados de rotina
Mesmo com o diagnóstico genético em mãos, a prevenção clássica permanece insubstituível. A radiação ultravioleta (UV) tem efeito cumulativo na pele, e a proteção física e química é a única barreira contra os danos ao DNA celular causados pelo sol. O uso de chapéus, óculos com proteção UV e roupas adequadas, somado à busca por sombra nos horários críticos, compõe o tripé da segurança cutânea.
A integração entre a tecnologia de ponta e os hábitos saudáveis é, atualmente, a estratégia mais robusta para reduzir a mortalidade por câncer de pele. Como ressalta a equipe do Hospital Orizonti, o teste genético define a intensidade da vigilância, mas é a proteção diária que impede a formação de novas lesões, garantindo que mesmo os perfis mais vulneráveis possam desfrutar do período de verão com segurança.
Com informações: Hospital Orizonti, IARC, JeffreyGroup
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vorbelutrioperbir
05/07/2025 em 23:36
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