Com o maior número de casos em três décadas, especialistas da Global Virus Network pedem urgência na imunização para evitar perda de status de eliminação da doença.
A rede global de virologistas Global Virus Network (GVN) emitiu um alerta crítico nesta semana sobre o avanço alarmante do sarampo nos Estados Unidos e em diversas partes do mundo. O que antes era uma doença considerada sob controle em muitos países desenvolvidos, agora ameaça retornar de forma sustentada em 2026. Segundo os especialistas, a combinação de baixa cobertura vacinal e o aumento das viagens internacionais criou a “tempestade perfeita” para a reintrodução de um dos vírus mais contagiosos conhecidos pela medicina.
Os números de 2025 nos Estados Unidos são os mais preocupantes em mais de 30 anos: foram registrados 2.242 casos confirmados em 45 estados. A gravidade da situação é evidenciada pelo índice de hospitalização, que atingiu 11% dos pacientes, além da confirmação de três mortes. Autoridades de saúde pública, como o CDC, alertam que o país está prestes a perder o status de “país livre de sarampo”, seguindo o recente e lamentável exemplo do Canadá, caso a transmissão não seja interrompida imediatamente.
O sarampo é uma doença viral aguda, transmitida por via aérea através de gotículas respiratórias. Sua capacidade de contágio é tão alta que uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas não imunizadas. Embora seja totalmente prevenível por meio da vacina tríplice viral (MMR), o vírus encontra brechas em comunidades onde a hesitação vacinal cresceu nos últimos anos, alimentada por desinformação e pela falsa sensação de segurança.
No cenário global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o sarampo tenha causado 95 mil mortes em 2024, sendo a grande maioria crianças menores de cinco anos. O professor Scott Weaver, do GVN, destaca que “o sarampo em qualquer lugar é uma ameaça em todos os lugares”, reforçando que a circulação do vírus em regiões com baixa proteção coloca em risco a segurança sanitária de todo o planeta. A vacina, utilizada com segurança desde a década de 1960, continua sendo a única ferramenta eficaz para evitar óbitos e sequelas graves, como cegueira e encefalite.
Para conter a expansão da doença neste início de 2026, o GVN e especialistas como a professora Heidi Larson, do Vaccine Confidence Project, recomendam quatro ações imediatas:
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Facilitação da Vacinação: Ampliar o acesso à vacina MMR para crianças e adultos que perderam doses de rotina.
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Vigilância Epidemiológica: Fortalecer os sistemas de detecção para isolar casos e bloquear surtos localizados rapidamente.
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Combate à Desinformação: Promover comunicações baseadas em evidências científicas para restaurar a confiança pública nas vacinas.
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Apoio Internacional: Fortalecer os esforços globais de imunização, entendendo que o controle depende de uma cobertura vacinal de, no mínimo, 95% de forma isonômica em todas as regiões.
No Brasil, embora o país tenha recuperado o certificado de país livre de sarampo recentemente, o risco de importação de casos é real e constante devido ao fluxo migratório e turístico. As autoridades de saúde recomendam que os brasileiros verifiquem suas cadernetas de vacinação, especialmente antes de viagens internacionais. A proteção individual é o pilar que sustenta a imunidade coletiva, impedindo que o vírus encontre hospedeiros suscetíveis para circular.
A humanização dessa crise passa pelo entendimento de que cada número nas estatísticas representa uma criança em risco de uma doença evitável. A ciência é clara: o sarampo não deveria mais ser uma preocupação em pleno 2026. A retomada de altas taxas de vacinação infantil é a única forma de garantir que o passado de surtos letais não se torne o futuro das próximas gerações.