Edinho Silva foi eleito neste domingo (3) novo presidente do Partido dos Trabalhadores durante o 17º Encontro Nacional. O resultado reflete o maior Processo de Eleições Diretas (PED) da história do partido, com 547 mil filiados participantes.
Edinho Silva assume presidência do PT com meta de unificação e fortalecimento da base
O jornalista e militante Edinho Silva foi oficialmente eleito novo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) neste domingo (3), ao final do 17º Encontro Nacional do partido, realizado em Brasília. A eleição ocorreu no contexto do maior Processo de Eleições Diretas (PED) da história da legenda, com a participação de 547 mil filiados em todo o Brasil.
Durante seu discurso de posse, Edinho agradeceu à militância, aos delegados e às delegadas presentes, além de citar colegas que participaram do PED, como Romênio Pereira, Valter Pomar e Rui Falcão. Também saudou dirigentes estaduais, municipais e nacionais, bem como ex-presidentes do partido, ministros, parlamentares e representantes de partidos aliados e delegações internacionais.
Compromisso com presença nacional e fortalecimento partidário
Edinho Silva destacou que visitou 22 estados durante o processo eleitoral e afirmou que, a partir da próxima semana, concluirá a agenda de visitas nos cinco estados restantes para garantir que, até o fim do ano, tenha estado em todos os 27 estados brasileiros. O objetivo, segundo ele, é manter uma gestão próxima da base e fortalecer a organização partidária em todo o território nacional.
“Quero ser um presidente presente na vida do nosso partido, quero viajar o Brasil e quero estar junto com vocês no dia a dia na construção do nosso partido”, afirmou.
Desafio pós-Lula e necessidade de renovação
Um dos pontos centrais do discurso foi a preparação do PT para um período sem a liderança direta de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. Edinho reafirmou a frase do presidente: “O substituto do Lula será o Partido dos Trabalhadores”. Segundo ele, o partido precisa se fortalecer institucionalmente para enfrentar os desafios futuros, especialmente após 2026, quando Lula não deverá mais concorrer.
“Não nascerá outro Lula, porque as condições históricas que o fizeram surgir não se repetirão. Nós teremos que construir um partido capaz de enfrentar grandes embates”, disse.
Fortalecimento das instâncias partidárias e da base
Edinho ressaltou a importância de fortalecer as instâncias internas do partido, especialmente os núcleos de base. Ele defendeu que esses espaços se tornem centrais na tomada de decisões e reafirmou o compromisso de retomar a prática da nucleação como orientação da direção nacional.
“Ninguém faz disputa de consciência de classe postando reels. A consciência de classe se constrói com reuniões, educação popular e presença nas periferias”, afirmou, destacando a necessidade de reconectar o partido com a classe trabalhadora, a juventude e os excluídos.
Agenda programática e apoio ao governo Lula
O novo presidente também apresentou prioridades programáticas, entre elas:
- Economia solidária: compromisso de criar secretarias de economia solidária nos sindicatos e fortalecer cooperativas como forma de organizar novos segmentos da classe trabalhadora.
- Orçamento participativo: defesa da retomada do orçamento participativo como instrumento de democracia direta.
- Transição energética: o PT deve liderar o debate sobre sustentabilidade e produção de riqueza sem destruição da natureza.
- Segurança pública: defesa de um modelo que inclua reinserção social de apenados, programas para adolescentes em conflito com a lei e uso de tecnologias de monitoramento.
- Educação integral: apoio à universalização da educação desde a primeira infância.
- Exploração de recursos naturais: necessidade de debater a exploração da Costa Equatorial e das terras raras em favor do desenvolvimento nacional sustentável.
- Tarifa zero no transporte público: apontada como bandeira prioritária para garantir acesso à mobilidade, cultura e lazer.
Reforma política e unidade interna
Edinho defendeu a retomada do debate sobre reforma política, com destaque para o voto em lista, visando fortalecer os partidos e reduzir o poder de interesses individuais no Congresso. Criticou o esvaziamento do presidencialismo nos governos Temer e Bolsonaro e afirmou que o PT deve trabalhar para restabelecer os poderes do Executivo.
Por fim, fez um apelo à unidade partidária: “Os nossos adversários estão do outro lado da trincheira, não estão dentro do PT”. Comprometeu-se a ser presidente de todo o partido, sem favorecimento a grupos ou tendências, e reafirmou que o PT é um instrumento de luta do povo brasileiro, não de projetos pessoais.
Com informações: Site do PT