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Economia

A Guerra Comercial EUA–China expõe fragilidades da economia global e pressiona empresas a rever modelos de governança e risco

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Por Sandra Aparecida de Oliveira Lima – Maio de 2019
Artigo solicitado pela Fato Novo devido à relevância internacional do tema.

A intensificação da disputa comercial entre Estados Unidos e China, marcada pela elevação das tarifas americanas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses e pela resposta imediata de Pequim, desencadeou um período de forte instabilidade nos mercados globais. O episódio revela um conjunto de fragilidades estruturais que já pressionava o sistema econômico internacional e expõe de forma inédita como decisões geopolíticas podem afetar, em questão de dias, cadeias globais de suprimento, custos operacionais e estratégias de governança corporativa.

Para empresas e investidores, o conflito marca não apenas uma ruptura conjuntural, mas um ponto de inflexão na forma como risco, eficiência e competitividade são avaliados em escala global.

Cadeias de suprimentos se tornam o epicentro da tensão

A dependência da China como polo central de manufatura tornou a guerra comercial especialmente disruptiva. Setores como tecnologia, automotivo, químico e agronegócio enfrentaram aumento imediato de custos e incertezas sobre abastecimento. Empresas que operavam com ciclos enxutos e grande dependência de fornecedores asiáticos passaram a revisar modelos de produção e rotas logísticas.

Segundo Sandra Lima, especialista em finanças e governança corporativa, a crise expôs uma vulnerabilidade que vinha sendo negligenciada:

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“Cadeias de valor excessivamente concentradas em um único país transformam risco geopolítico em risco financeiro imediato. A guerra comercial revelou uma fragilidade sistêmica que estava mascarada pelo longo período de expansão econômica global.”

O deslocamento parcial da produção, antes considerado improvável por motivos de custo e eficiência, voltou ao centro das discussões estratégicas.

Mercados financeiros reagem com aumento da aversão ao risco

A escalada tarifária provocou quedas sucessivas nas bolsas globais, fortalecimento do dólar e aumento da procura por títulos americanos. Economias emergentes sentiram a pressão da volatilidade cambial e da fuga de capitais, enquanto exportadores viram margens se estreitarem.

Para Sandra Lima, o ambiente exige respostas financeiras rápidas e estruturadas:

“A governança financeira precisa ser capaz de absorver choques abruptos. A guerra comercial mostrou que decisões políticas podem reconfigurar, de um dia para o outro, contratos, custos, projeções e riscos.”

Empresas com exposição ao comércio internacional viram a necessidade de reforçar modelos de liquidez, revisar compromissos cambiais e construir cenários de contingência.

O conflito expõe falhas profundas na governança global

O episódio também revela limites do atual modelo de governança internacional, que integrou mercados e cadeias produtivas, mas não avançou no mesmo ritmo na coordenação de mecanismos de mitigação de risco geopolítico.

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A ausência de previsibilidade regulatória acendeu um alerta para conselhos de administração:

  • modelos de decisão precisam incorporar cenários extremos;
  • risco geopolítico deve ser tratado como variável estratégica;
  • estruturas de governança precisam de autonomia técnica para agir rapidamente;
  • resiliência operacional passa a ser prioridade, e não apenas eficiência.

Como destaca Sandra:

“Governança não pode ser reativa. Em um ambiente global sujeito a rupturas políticas, antecipação é a única forma de proteger competitividade e continuidade operacional.”

Riscos de médio e longo prazo se acumulam

Economistas avaliam que, caso o conflito se prolongue, os impactos podem incluir:

  • desaceleração do crescimento internacional;
  • retração do comércio global;
  • aumento estrutural de custos produtivos;
  • redução de investimentos estratégicos;
  • fragmentação das cadeias produtivas.

Setores como exportação, manufatura internacional, fundos de investimento e mercados emergentes já sofrem pressões significativas.

Conclusão: a redefinição da governança corporativa global

A guerra comercial EUA–China vai muito além de tarifas ou disputas diplomáticas. Ela marca uma mudança estrutural na forma como empresas, investidores e governos precisam avaliar riscos internacionais.

“A volatilidade não é exceção, é o novo padrão. Empresas que compreenderem a profundidade desse momento e ajustarem seus modelos de estratégia e governança estarão preparadas para dominar a próxima década”, conclui Sandra.

O ciclo aberto em 2019 inaugura uma nova percepção sobre risco global. A partir daqui, resiliência deixa de ser vantagem competitiva e se transforma em condição essencial para a sobrevivência corporativa.

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*FATO NOVO SOLICITA ANÁLISE ESPECIAL SOBRE A CRISE COMERCIAL EUACHINA

Distrito Federal

Banco de Brasília descarta intervenção e afirma ter solidez patrimonial

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Instituição financeira nega risco iminente, projeta venda de ativos do Banco Master e esclarece que eventuais aportes não afetarão o orçamento público

O Banco de Brasília (BRB) ocupou o centro do debate econômico nesta segunda-feira (19) ao vir a público descartar, de forma categórica, qualquer risco de intervenção por parte das autoridades monetárias. Em nota oficial, a instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) afirmou possuir “suficiência patrimonial” para absorver os impactos das investigações relacionadas às operações com o Banco Master. A manifestação surge como uma resposta estratégica para acalmar o mercado financeiro e os correntistas, após especulações sobre a necessidade urgente de uma injeção de capital bilionária.

A estratégia do banco para manter sua estabilidade envolve a venda de ativos recuperados do banco privado, buscando reforçar seu caixa sem depender exclusivamente de recursos governamentais. De acordo com o comunicado, qualquer medida de recomposição de capital só será concretizada após o encerramento das auditorias independentes e das análises detalhadas conduzidas pelo Banco Central (BC). O BRB enfatizou que, caso um aporte do acionista controlador seja necessário, os recursos não serão retirados das áreas destinadas a políticas públicas essenciais, como saúde e educação.

O Ministério da Fazenda também se pronunciou para dissipar rumores de um possível socorro financeiro imediato. Em nota, a pasta negou que o ministro Fernando Haddad tenha estabelecido prazos ou cobrado o governo do DF sobre aportes sob ameaça de intervenção. Embora a Fazenda tenha mantido silêncio sobre as discussões técnicas com o Banco Central, a negativa oficial retira o caráter de urgência política do caso, transferindo o foco para os resultados das investigações forenses que ainda estão em curso para dimensionar os prejuízos reais.

No vídeo abaixo, entenda como as investigações do Banco Central impactam as instituições financeiras estatais e quais são os mecanismos de proteção aos correntistas em casos de desenquadramento prudencial.

A ausência do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre tem sido um dos pontos de maior atenção dos analistas. O BRB justificou o atraso afirmando que os valores exatos de eventuais perdas estão sendo apurados por uma auditoria independente e pelo próprio Banco Central. A instituição reforçou que qualquer dado não oficial que circule publicamente sobre prejuízos deve ser tratado como “meramente especulativo”, garantindo que as operações de atendimento ao público e serviços bancários seguem funcionando dentro da normalidade.

A crise que envolve o BRB está diretamente ligada à sua relação com o Banco Master, investigado por supostas fraudes em carteiras de crédito. Dados do Banco Central indicam que a instituição estatal adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras que, posteriormente, foram apontadas como fraudulentas. Além disso, estima-se que o banco tenha injetado outros R$ 5 bilhões em operações variadas com o Master. A nova gestão do BRB agora trabalha para auditar cada contrato assinado entre 2024 e 2025, visando separar ativos legítimos de operações irregulares.

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Essas movimentações financeiras levaram o banco a um descumprimento temporário dos limites prudenciais exigidos pelo BC no início de 2025. O “desenquadramento” resultou em uma determinação do Banco Central para que o BRB limitasse a compra de novos ativos e apresentasse um plano de solução definitivo até abril de 2026. Mesmo diante desse cenário de monitoramento rigoroso, a cúpula do banco insiste que a estrutura de capital é resiliente e que os mecanismos de governança interna foram reforçados para evitar novos desvios.

O desfecho do caso depende agora da conclusão da investigação forense conduzida por um escritório de advocacia independente. Enquanto isso, o governo local monitora a situação de perto, ciente da importância do BRB para a economia do Distrito Federal. A transparência nos próximos relatórios trimestrais será decisiva para confirmar se a “suficiência patrimonial” alegada pela diretoria será capaz de estancar a crise de confiança gerada pelas operações com o Banco Master.

Para o leitor comum, o recado da instituição é de estabilidade: os depósitos e investimentos seguem seguros, enquanto a disputa técnica se concentra nos bastidores da alta gestão financeira. O compromisso com a isonomia e a prestação de contas agora aguarda os números finais das auditorias para encerrar o ciclo de incertezas que cercam a maior instituição financeira do Centro-Oeste.


*Com informações: Agência Brasil

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Brasil

Porto de Santos bate recorde histórico com 186 milhões de toneladas

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O maior complexo portuário da América Latina cresceu 3,6% em 2025, impulsionado pela soja e pelo comércio com a China, consolidando-se como motor do PIB

O Porto de Santos, em São Paulo, encerrou o ano de 2025 com uma marca sem precedentes na história da logística nacional. O complexo movimentou 186,4 milhões de toneladas de carga, superando o recorde anterior de 2024 e reafirmando sua posição como a principal porta de saída das riquezas brasileiras. Esse crescimento de 3,6% reflete não apenas a pujança do agronegócio, mas também a eficiência das recentes expansões na infraestrutura portuária.

As exportações foram o grande destaque do ano, somando 137,4 milhões de toneladas, um salto de 4,6%. No topo da lista de embarques aparecem as commodities que sustentam a balança comercial: a soja liderou com quase 45 milhões de toneladas, seguida pelo açúcar, milho e celulose. Esse fluxo massivo de mercadorias fez com que o porto fosse responsável por quase 30% de toda a corrente comercial do Brasil, evidenciando que quase um terço de tudo o que o país negocia com o mundo passa pelo cais santista.

A relação comercial com a China continua sendo o pilar central das operações em Santos. Em 2025, o gigante asiático foi o destino ou origem de 29,6% de todo o fluxo de cargas. Esse alinhamento estratégico permitiu que o porto registrasse recordes mensais consecutivos na movimentação de contêineres, demonstrando uma resiliência operacional que acompanhou o crescimento da demanda global por alimentos e matérias-primas brasileiras.

Investimentos e infraestrutura para 2026

O sucesso operacional de 2025 é creditado ao planejamento de longo prazo e à segurança jurídica atraída pelo setor. Segundo Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária, a constância nos recordes mensais prova que os investimentos em dragagem e acessos terrestres estão surtindo efeito. O porto não apenas recebeu mais carga, mas operou mais navios: foram 5.708 atracações ao longo do ano, um aumento de 2,7% que exigiu precisão cirúrgica na gestão do tráfego marítimo.

Olhando para o futuro imediato, o governo federal aposta em projetos estratégicos para manter o ritmo de crescimento. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que a ampliação da capacidade de contêineres, através de projetos como o Tecon Santos 10, será o próximo divisor de águas. Essas obras visam preparar o porto para uma nova classe de navios gigantes, garantindo que o Brasil não perca competitividade frente a outros centros logísticos globais.

Nas importações, o porto manteve estabilidade com 49 milhões de toneladas desembarcadas. Os insumos para o campo, como adubos e fertilizantes, lideraram as entradas, seguidos por combustíveis e trigo. Essa dinâmica de “mão dupla” — exportar alimento processado e importar insumos para a produção — cria um ecossistema econômico vital para o interior do país, especialmente para estados produtores que dependem da ferrovia e das rodovias que desaguam em Santos.

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Com informações: Agência Brasil

 

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Brasil

Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico após 26 anos

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O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, integrando 720 milhões de pessoas e eliminando tarifas para 90% dos produtos bilaterais

Neste sábado (17), um capítulo decisivo da história econômica global foi escrito em Assunção, no Paraguai. Representantes do Mercosul e da União Europeia (UE) assinaram o acordo de livre comércio que vinha sendo negociado desde junho de 1999. A cerimônia ocorreu no Teatro José Asunción Flores, local simbólico onde o Mercosul foi fundado em 1991, selando a união de dois blocos que, juntos, representam um mercado consumidor de proporções gigantescas.

O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, uma vez que o presidente Lula permaneceu no Rio de Janeiro após receber a cúpula europeia na véspera. O tratado prevê a redução gradual de tarifas para produtos industriais e agrícolas, com prazos de transição que chegam a 15 anos. A expectativa do governo brasileiro, compartilhada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, é que a ratificação ocorra ainda no primeiro semestre, permitindo que o acordo entre em vigor no segundo semestre de 2026.

Os Pilares do Acordo: Indústria e Agronegócio

A implementação do tratado deve trazer ganhos imediatos e estruturais para a economia brasileira. Segundo estimativas da ApexBrasil, o incremento nas exportações nacionais pode chegar a US$ 7 bilhões.

  • Zerar de Tarifas: O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus, enquanto a UE fará o mesmo para 95% dos bens sul-americanos.

  • Setores Industriais Beneficiados: Máquinas, equipamentos, automóveis, autopeças e produtos químicos terão tarifa zero ou reduzida, facilitando a integração do Brasil às cadeias globais de valor.

  • Cotas Agrícolas: Para proteger produtores sensíveis, produtos como carne bovina, frango e açúcar terão cotas limitadas de importação com tarifas reduzidas. Acima desses volumes, a tributação padrão é mantida.

  • Compras Públicas: Empresas brasileiras agora poderão disputar licitações públicas em solo europeu, abrindo um novo mercado multibilionário.

Compromisso Ambiental e Desafios

Um dos pontos mais debatidos e que garantiu a assinatura final foi a inclusão de cláusulas ambientais vinculantes. O acordo estabelece que produtos beneficiados não podem estar vinculados ao desmatamento ilegal. Além disso, o texto prevê a suspensão do tratado caso haja violação dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.

Apesar do otimismo dos governos, o tratado ainda enfrenta resistência. Agricultores europeus, especialmente na França e Irlanda, temem a competitividade da agropecuária sul-americana. Por outro lado, o governo brasileiro e a ministra Marina Silva defendem que o texto final é equilibrado, promovendo o desenvolvimento econômico sem sacrificar a preservação da natureza.

Próximos Passos para a Vigência

A assinatura no Paraguai é o fim da fase diplomática, mas o início da fase legislativa. Para que os benefícios comecem a valer, o texto precisa ser aprovado:

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  1. Pelo Parlamento Europeu em Bruxelas.

  2. Pelos Congressos Nacionais dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).


Com informações: Agência Brasil

 

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