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Religiosidade

Uma visão sobre o cristianismo popular e o Jesus das brasilidades

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Texto celebra a espiritualidade presente no cotidiano das ruas, nos festejos folclóricos e na resistência do povo brasileiro em vez da pompa institucional

Às vésperas do Natal, uma reflexão sobre a figura de Jesus Cristo propõe um olhar afastado das grandes catedrais e dos ternos engravatados. Inspirado pela tradição de transformar água em vinho para garantir a alegria de uma festa, este “Jesus das miudezas” é apresentado como uma figura que transita entre o sagrado e o profano, encontrando morada nos botequins de esquina, nos campos de várzea e nas mãos calejadas dos devotos.

Essa perspectiva do cristianismo popular valoriza a fé que se manifesta nas “lapinhas”, nos pastoris e nas folias de reis, onde a celebração é regada a café, bolo de fubá e cachaça. É um Cristo que se identifica com o “menino brasileiro” que sobrevive diariamente à dureza da vida, encontrando descanso apenas quando o sol se põe nos subúrbios e nas fábricas.

Respeito à diversidade e aos deserdados

Diferente das visões excludentes, esse Cristo é descrito como alguém que caminha ao lado dos que não possuem Natal e que respeita todas as divindades — de Tupã a Olorum, de Shiva a Vishnu. Sua manifestação mais pura não estaria nas vestes sacerdotais, mas na empatia de quem compartilha o pão, independentemente de sua crença.

O sagrado no cotidiano

A celebração deste Natal foca na beleza das coisas pequenas e invisíveis aos olhos dos poderosos:

  • Folia de Reis: O brilho das fitas azul e encarnada que celebram os Santos Reis.

  • Comunhão: A mesa farta compartilhada entre amigos e quem “chegar em paz”.

  • Solidariedade: A fé manifestada na ação do ateu que ajuda o próximo.

  • Resistência: A sobrevivência das crianças das ruas e periferias.

Em suma, a mensagem reforça que a verdadeira espiritualidade natalina reside na simplicidade e na humanidade daqueles que ralam, jogam bola e sonham com um mundo mais justo, longe do luxo das basílicas.


Com informações: ICL Notícias.

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Culto a Egungun no Benin: tradição milenar convida afro-brasileiros para festival em 2026

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Família Iloko Arelu, em Sakété, preserva a herança dos ancestrais iorubás e reforça a conexão espiritual com a diáspora africana no Brasil

No coração de Sakété, no Benin, o culto a Egungun permanece como um pilar inabalável da identidade iorubá. A tradição, que atravessa gerações, é mantida com rigor pela família Iloko Arelu, descendente de ancestrais que trouxeram a divindade de Oyó, na Nigéria. Para a comunidade local, o Egungun não é apenas uma representação religiosa, mas a própria morte que retorna de forma espiritual e visível para abençoar os vivos. Sob a liderança de Osseni Kolade, o chefe da divindade, a família prepara-se para a grande festa trienal, prevista para março de 2026, e faz um chamado especial para que afrodescendentes brasileiros retornem às suas raízes e participem das celebrações.

A espiritualidade em Sakété se entrelaça com o cotidiano, onde crianças e adultos entoam cantos sagrados para garantir a harmonia familiar e a prosperidade. A iniciação dos “Ojes” — homens responsáveis por dar corpo aos ancestrais através de roupas sagradas e do uso do bastão ixan — começa muitas vezes no nascimento, identificada por sinais físicos ou comportamentais. Essa herança, que sobreviveu ao período da escravidão e à colonização, encontra eco no Brasil, especialmente na Ilha de Itaparica, na Bahia, onde o culto aos ancestrais é preservado com a mesma devoção, mantendo viva a chama da identidade iorubá fora do continente africano.

Pilares da tradição Egungun no Benin

O culto fundamenta-se na continuidade da linhagem e no respeito aos que vieram antes:

  • Ancestralidade Viva: O Egungun representa o espírito do antepassado que reencarna temporariamente para guiar a comunidade.

  • Periodicidade do Festival: Devido à complexidade e ao custo dos rituais, a grande festa ocorre apenas a cada três anos; a próxima será em março de 2026.

  • Conexão com o Brasil: O chefe Osseni Kolade destaca que, embora os corpos tenham sido levados na travessia atlântica, as almas retornam ao território ancestral através dos Egun.

  • Iniciação dos Ojes: O processo de escolha dos guardiões é sagrado e vital para evitar problemas espirituais ao longo da vida dos descendentes.

Solidariedade e preservação cultural

Apesar da riqueza espiritual, a família Iloko Arelu enfrenta desafios materiais para manter seu espaço sagrado. Atualmente, a casa que guarda a divindade em Itabalè necessita de reformas urgentes, especialmente no telhado, para proteger as vestimentas e objetos rituais. Uma campanha de arrecadação on-line foi organizada para auxiliar na restauração deste patrimônio cultural endógeno. A preservação deste local é vista como essencial para que a tradição nunca desapareça, garantindo que as futuras gerações continuem a honrar a herança deixada pelos ancestrais de Oyó.

Assista ao vídeo sobre o culto: https://www.youtube.com/watch?v=E5fW3uWxYtA


Com informações: Brasil de Fato

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Mundo

Papa Leão 14 faz apelo à paz mundial em sua primeira missa de 2026

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Pontífice pede o fim da violência entre nações e nos lares durante a oração do Angelus na Praça São Pedro

O papa Leão 14 iniciou o ano de 2026 com uma mensagem de esperança e um forte apelo pela harmonia global. Diante de aproximadamente 40 mil fiéis reunidos no Vaticano, o pontífice celebrou sua primeira missa do ano e destacou a necessidade urgente de encerrar conflitos em países castigados pela guerra e pela miséria. Em seu discurso, ele enfatizou que a renovação do calendário só faz sentido se acompanhada por um desejo genuíno de bem e amizade entre todos os povos.

Durante a oração do Angelus, o papa também direcionou suas preces às esferas privadas, pedindo paz para as famílias feridas pela violência doméstica e pela dor. Leão 14 reforçou a importância de “desarmar os corações” e rejeitar qualquer forma de agressão, convidando os cristãos a serem agentes ativos na promoção da paz em suas comunidades e no mundo.

Destaques da mensagem papal

O pronunciamento de Leão 14 focou em três pilares principais para o início deste novo ciclo:

  • Conflitos Internacionais: Um pedido direto pelo fim das hostilidades em nações ensanguentadas por guerras e pela falta de recursos básicos.

  • Paz Doméstica: A preocupação com a segurança e o bem-estar dentro dos lares, pedindo a intercessão divina pelas famílias em crise.

  • Dia Mundial da Paz: A lembrança da data, celebrada pela Igreja desde 1968, como um marco para a reflexão sobre o desarmamento espiritual e físico.

O convite ao desarmamento dos corações

Ao encerrar sua mensagem, o pontífice retomou palavras de sua própria eleição, repetindo o desejo de que a paz esteja com todos. Ele incentivou a rejeição sistemática da violência e o apoio a iniciativas globais que busquem o diálogo. Para o papa, o início de 2026 deve ser visto como uma oportunidade para inaugurar uma era de amizade, onde a justiça e a esperança sejam os guias da humanidade.


Com informações: Opera Mundi

 

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Brasil

Mobilização Social: Organizações Pedem a Dom Odilo Scherer Revisão de Sanções Contra Padre Júlio Lancellotti

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Mais de 40 organizações que trabalham com a população em situação de rua em São Paulo enviaram uma carta ao cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer, solicitando que reavalie a decisão de suspender as transmissões de missas e o uso das redes sociais pelo Padre Júlio Lancellotti. As entidades argumentam que a restrição afeta diretamente as redes de solidariedade e o debate público sobre a extrema pobreza na cidade.


Rede de Solidariedade Pede Reavaliação da Medida

A carta, enviada nesta terça-feira (16), representa uma articulação significativa do terceiro setor e movimentos sociais em defesa do Padre Júlio Lancellotti. O religioso foi instruído por Dom Odilo Scherer a suspender suas atividades online, sob o argumento de que seria um “tempo de recolhimento” e “proteção”.

No documento, as organizações signatárias, lideradas pelo Instituto GAS – Grupo de Atitude Social e incluindo grupos como Médicos do Mundo e Fundo Fica, expressam a preocupação de que a limitação da manifestação pública do Padre Júlio:

  • Afeta as Redes de Solidariedade: O trabalho do Padre Júlio, frequentemente divulgado nas redes, é um ponto focal para a mobilização de voluntários e recursos.

  • Prejudica o Debate: A voz do religioso é considerada essencial no debate sobre a pobreza extrema, a situação das pessoas em situação de rua e o modo de vida capitalista na cidade de São Paulo.

  • Impacto no Acolhimento: O documento foca no impacto social negativo que a decisão provoca no trabalho contínuo de acolhimento e atendimento à população vulnerável.

Ato Público de Apoio Convocado

Além da carta formal, os movimentos sociais convocaram lideranças e voluntários das mais de 40 organizações para uma missa em apoio ao Padre Júlio Lancellotti no próximo domingo (21), às 10h, na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca. O ato é descrito pelos organizadores como uma demonstração pública de apoio à atuação do religioso.

As entidades fazem questão de ressaltar que o apelo não questiona a autonomia da Igreja Católica, mas se concentra unicamente nas consequências sociais das restrições comunicadas ao Padre Lancellotti, cuja atuação na cidade é há décadas associada à defesa da população em situação de rua.

A carta também registra a preocupação com a possibilidade, ainda não confirmada, de que Dom Odilo Scherer decida pela retirada do Padre Júlio da Paróquia São Miguel Arcanjo, onde ele atua há cerca de 40 anos.


Com informações: DCM

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