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Ford recua nos carros elétricos e aposta em baterias para rede de energia e data centers

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Montadora registra perda contábil de US$ 19,5 bilhões ao abandonar metas de eletrificação automotiva; foco agora será no crescente mercado de armazenamento de energia.


Em uma reviravolta estratégica histórica, a Ford anunciou o abandono de suas ambições de liderar o futuro dos veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos. A empresa confirmou uma redução de quase US$ 20 bilhões em seu valor contábil para se desvincular de investimentos em EVs, marcando uma das maiores perdas corporativas da história recente. A mudança, descrita pela companhia como uma “redistribuição decisiva de capital”, sinaliza uma capitulação diante da queda na demanda por carros elétricos no mercado americano.

O impacto é imediato no chamado “Cinto de Baterias” do Sudeste dos EUA. Fábricas bilionárias em Kentucky e no Tennessee, originalmente planejadas para impulsionar a frota elétrica da Ford, estão sendo reformuladas. A unidade de Kentucky demitirá 1.600 funcionários, enquanto a fábrica do Tennessee passará a produzir caminhões movidos a gasolina em vez de modelos elétricos, como o F-150 Lightning, que terá sua produção encerrada.


Do Automóvel para a Rede Elétrica

Apesar de se afastar dos carros, a Ford não desistiu das baterias. A nova estratégia foca no mercado de armazenamento de energia estacionário — um setor que está em franca expansão nos EUA, impulsionado pela demanda de data centers de Inteligência Artificial (IA) e pela necessidade de estabilizar a rede elétrica.

  • Foco em LFP: A Ford investirá US$ 2 bilhões para produzir células de fosfato de ferro-lítio (LFP).

  • Escala Industrial: O plano é fabricar contêineres de 20 pés com capacidade de 5 megawatts-hora cada — um concorrente direto do Megapack da Tesla.

  • Meta: Enviar pelo menos 20 gigawatts-hora anualmente até o final de 2027.

O “Abismo” dos Carros Elétricos nos EUA

A decisão da Ford reflete um cenário econômico e político desafiador para os EVs nos EUA, onde as vendas representam apenas 10% do mercado total, contra 25% na média mundial. Analistas apontam três fatores principais para o “tombo” do setor:

  1. Fim dos Incentivos: O crédito fiscal federal para consumidores de EVs terminou em setembro de 2025, tornando os elétricos mais caros que os modelos a combustão.

  2. Custo de Energia: Enquanto o preço da gasolina caiu abaixo de US$ 3 o galão, as tarifas de eletricidade residencial subiram 13% no último ano.

  3. IA e Data Centers: A explosão da IA gerou uma demanda por baterias de grande escala que hoje é vista como um fluxo de receita mais lucrativo e diversificado do que a venda de veículos de passeio.

Oportunidade no “Made in USA”

A Ford espera se beneficiar de novas regras federais que dificultam a importação de componentes da China a partir de 2026. Com a exigência de que projetos de armazenamento de energia utilizem baterias fabricadas domesticamente, a montadora poderá encontrar um mercado ávido por fornecedores locais, apesar de sua falta de histórico no setor de infraestrutura elétrica.


Com informações: informações: Grist

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Tecnologia

Google assume liderança na corrida da inteligência artificial com o Gemini 3

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Estratégia combina infraestrutura própria de chips, integração profunda com dados de usuários e parceria histórica com a Apple para dominar o setor

A disputa pelo topo do mercado de inteligência artificial sofreu uma reviravolta significativa. Após um início conturbado com o Bard, o Google consolidou o Gemini 3 como o modelo a ser batido. Lançado em novembro de 2025, o novo sistema superou concorrentes como o ChatGPT e o Claude em diversos testes de desempenho, sendo classificado por especialistas como a “IA mais inteligente” já desenvolvida pela empresa. O diferencial do Google, segundo análise do The Verge, não está apenas no código, mas na posse de toda a cadeia: chips próprios (TPUs), infraestrutura de escala global e uma base de usuários massiva.

A expansão do alcance do Gemini ganhou um impulso bilionário com a recente parceria oficializada entre o Google e a Apple. A partir de agora, o Gemini será integrado à Siri, processando parte das 1,5 bilhão de solicitações diárias feitas por usuários de iPhone em todo o mundo. Esse movimento coloca a IA do Google no centro da interface móvel mais utilizada do planeta, garantindo um fluxo contínuo de dados e contexto que retroalimenta o aprendizado do modelo, tornando-o cada vez mais preciso e personalizado.

Os pilares do domínio do Google em IA

A empresa reuniu quatro elementos fundamentais que poucos concorrentes conseguem igualar:

  • Chips Proprietários (TPUs): O uso de hardware desenvolvido internamente reduz a dependência da Nvidia e permite otimizar custos e desempenho em escala ilimitada.

  • Inteligência Pessoal: O Gemini agora acessa o histórico de e-mails, fotos, arquivos e buscas no Chrome para fornecer respostas altamente contextualizadas sem esforço do usuário.

  • Parceria com a Apple: A integração com a Siri garante que o Gemini esteja presente em bilhões de dispositivos, capturando uma fatia gigantesca do mercado de assistentes virtuais.

  • Ecossistema Integrado: Ao contrário de modelos isolados, o Gemini atua transversalmente em todos os produtos Google (Docs, Gmail, Maps e Android).

O futuro da IA: personalização e escala

Com o lançamento do recurso “Inteligência Pessoal”, o Google remove a barreira dos prompts longos. A IA já “sabe” quem é o usuário com base nos dados acumulados ao longo de anos, permitindo uma interação muito mais natural e preditiva. Embora o ChatGPT ainda possua uma base fiel de usuários diretos, a estratégia do Google foca na onipresença: estar onde o usuário já está, seja pesquisando no computador ou falando com o celular. Essa integração sistêmica sugere que a corrida da IA agora não é mais sobre quem lança o primeiro modelo, mas sobre quem detém o ecossistema mais completo.


Com informações: Olhar Digital e The Verge

 

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Tecnologia

Google lança protocolo universal para unificar compras via inteligência artificial

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Novo padrão aberto permite que agentes de IA realizem desde a busca de produtos até o pagamento final sem sair da interface de conversação

O Google anunciou o Universal Commerce Protocol (UCP), um protocolo de código aberto desenvolvido para padronizar a comunicação entre diferentes agentes de inteligência artificial e plataformas de vendas. O objetivo é criar uma “linguagem comum” que permita que assistentes digitais realizem jornadas completas de consumo — incluindo descoberta de itens, checkout e suporte pós-venda — em diversas empresas, eliminando a necessidade de integrações técnicas complexas e individuais para cada varejista.

Com a implementação do UCP, os usuários poderão finalizar compras diretamente no app Gemini ou na busca do Google em modo IA. O sistema utilizará automaticamente as informações de pagamento do Google Pay e dados de envio da Google Wallet para agilizar o processo. Segundo estimativas da McKinsey, o comércio baseado em agentes pode movimentar até US$ 5 trilhões até 2030, e o Google posiciona o novo protocolo como a infraestrutura necessária para escalar esse mercado globalmente, competindo diretamente com soluções similares da OpenAI, Microsoft e Amazon.

Inovações no comércio baseado em agentes

A estratégia do Google foca na integração total da experiência do cliente:

  • Checkout Nativo: Possibilidade de comprar itens de varejistas (inicialmente nos EUA) sem sair do chat da IA, com suporte futuro para PayPal.

  • Personalização com Gemini: O sistema Gemini Enterprise for Customer Experience (CX) permite que empresas, como a rede Kroger, sugiram produtos baseados em restrições alimentares e sensibilidade a preço.

  • Ofertas Diretas (Direct Offers): Marcas podem disparar cupons de desconto exclusivos no momento exato em que o usuário demonstra intenção de compra durante a conversa.

  • Padrão Aberto: O UCP busca evitar que o setor seja fragmentado por barreiras técnicas, permitindo que qualquer desenvolvedor utilize as primitivas funcionais do protocolo.

O novo cenário competitivo da IA

A corrida para dominar o “e-commerce agentic” está acelerada. Enquanto a OpenAI aposta no Instant Checkout via ChatGPT em parceria com a Stripe, e a Microsoft integra o Copilot ao Shopify, o Google utiliza sua vasta base de dados de busca e publicidade para oferecer uma solução mais granular. A introdução de anúncios nativos para IA, que aparecem como recomendações úteis durante a interação, sinaliza uma mudança profunda no modelo de marketing digital, onde a utilidade da ferramenta se torna o principal veículo para a conversão de vendas.


Com informações: Tech Crunch, CNBC, The Wall Street Journal e Olhar Digital

 

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Ciência

Reator de fusão nuclear da China supera limite crítico de densidade de plasma

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Experimento no EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak) mantém estabilidade em densidades extremas, abrindo caminho para energia limpa e ilimitada

O reator de fusão nuclear da China, conhecido como “sol artificial” (EAST), atingiu um marco histórico ao operar o plasma além do seu limite de densidade habitual, o chamado Limite de Greenwald. Em um estudo publicado na revista Science Advances, os cientistas revelaram que conseguiram manter o plasma estável em densidades de 1,3 a 1,65 vezes superiores ao limite operacional comum. O avanço é crucial porque densidades mais elevadas aumentam a probabilidade de colisão entre átomos, tornando o processo de fusão mais eficiente e econômico.

A fusão nuclear busca replicar o processo que alimenta o Sol, fundindo átomos para liberar energia sem as emissões de gases de efeito estufa ou os resíduos radioativos de longa duração da fissão nuclear. O sucesso no EAST foi possível graças ao controle rigoroso da interação do plasma com as paredes do reator, utilizando uma técnica de auto-organização que evitou as instabilidades que normalmente interrompem a reação. Embora a tecnologia ainda consuma mais energia do que produz, este “regime livre de densidade” teórico agora comprovado aproxima a humanidade de uma fonte de energia sustentável para o futuro.

Avanços técnicos e o Limite de Greenwald

A superação deste obstáculo físico representa um salto na engenharia de tokamaks:

  • O Problema da Densidade: O Limite de Greenwald define o ponto onde o plasma se torna instável e “apaga”. Operar acima dele é essencial para viabilizar centrais elétricas.

  • Técnica de Estabilização: Os pesquisadores controlaram a pressão inicial do gás e o aquecimento por micro-ondas (ressonância ciclotron de elétrons) para equilibrar o sistema.

  • Auto-organização (PWSO): O estudo validou a teoria de que o plasma pode se auto-organizar em relação às paredes do reator, mantendo-se estável mesmo sob condições extremas.

  • Comparativo Global: O feito se soma a avanços nos EUA (DIII-D e Wisconsin), consolidando dados para o projeto internacional ITER.

O caminho até 2039 e a crise climática

Apesar do entusiasmo, cientistas ressaltam que a fusão nuclear ainda é experimental. O ITER, o maior tokamak do mundo em construção na França com participação de dezenas de países (incluindo China e EUA), tem previsão para iniciar reações em larga escala apenas em 2039. Portanto, embora promissora para as próximas gerações, a fusão não é vista como solução imediata para a crise climática atual, que exige cortes drásticos de emissões no presente através de tecnologias já disponíveis.


Com informações: Live Science

 

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