Para Amauri Chamorro, controle territorial e apoio popular impedem transição imediata; Delcy Rodríguez assume presidência interina e busca diálogo
O sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças do governo de Donald Trump não significa o fim da Revolução Bolivariana na Venezuela. Segundo o estrategista político Amauri Chamorro, em entrevista ao programa Conexão BdF, o movimento chavista continua no poder e a estrutura do Estado permanece funcional. Chamorro argumenta que os Estados Unidos estão cientes de que a Venezuela é ingovernável sem o chavismo, motivo pelo qual Washington não conseguiu impor figuras da oposição, como María Corina Machado, como presidenta da República de forma imediata.
A agora presidenta interina, Delcy Rodríguez, assumiu formalmente o cargo nesta segunda-feira (5) sob determinação do Supremo Tribunal da Venezuela, por um período inicial de 90 dias. Em uma de suas primeiras medidas, Rodríguez enviou uma carta a Donald Trump apelando pela paz e pelo diálogo, enfatizando que o caminho da guerra não trará resultados positivos para a América Latina. A posse contou com a presença da embaixadora brasileira Glivânia Maria de Oliveira, reforçando o reconhecimento diplomático do governo de Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão institucional no país vizinho.
Continuidade e resistência institucional
O governo venezuelano demonstrou coesão interna diante da ofensiva estrangeira:
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Posse no Legislativo: Deputados tomaram posse hoje para o novo período constitucional (2026-2031), elegendo Jorge Rodríguez como presidente da Assembleia Nacional.
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Resistência Simbólica: Durante a sessão, a cadeira da deputada Cilia Flores permaneceu vazia e foi aplaudida em plenário como sinal de repúdio ao seu sequestro.
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Posicionamento de Maduro: Em Nova York, Nicolás Maduro declarou-se prisioneiro de guerra e reafirmou sua inocência perante o tribunal estadunidense.
O papel da diplomacia internacional
A crise na Venezuela gerou reações imediatas nas Nações Unidas e entre vizinhos regionais:
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Conselho de Segurança da ONU: Brasil, China e Rússia condenaram a ofensiva militar no Conselho de Segurança, classificando-a como uma grave violação da soberania nacional.
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Carta Conjunta: México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha uniram-se ao Brasil em uma carta condenando as ações militares e o uso da força pelos Estados Unidos.
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Fronteira Brasileira: O Exército Brasileiro reforçou a segurança em Pacaraima (RR) para monitorar possíveis instabilidades migratórias ou militares após os ataques.
Análise das falhas globais
Amauri Chamorro criticou duramente a Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que a entidade carece de capacidade política ou militar para punir os Estados Unidos. Para o estrategista, a ONU funciona como uma fachada de governança global equitativa, mas, na prática, não consegue impedir ações unilaterais de potências que financiam e dominam suas estruturas. A inação dos organismos internacionais, segundo ele, acaba por validar precedentes perigosos para o direito internacional e a autodeterminação dos povos latino-americanos.
Com informações: Brasil de Fato