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A força invisível da transformação industrial: como Sandra Aparecida de Oliveira Lima redefiniu finanças, governança e sustentabilidade em um dos setores mais estratégicos do Brasil

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A executiva que moldou um setor sem aparecer nos holofotes

Durante mais de vinte anos, Sandra Aparecida de Oliveira Lima vem ocupando posições de liderança em um dos setores industriais mais relevantes da economia brasileira: o de papel, celulose e embalagens, uma cadeia responsável por dezenas de milhares de empregos, bilhões em exportações e um dos maiores programas privados de reflorestamento do mundo.

Documentos corporativos analisados pela Fato Novo e entrevistas com CEOs de empresas do Setor, como o empresário Huang Po Hsi, principal acionista de uma grande empresa do setor, e executivos que atuaram ao lado de Sandra revelam que sua contribuição foi muito mais profunda do que a estrutura hierárquica das empresas permitia enxergar. Ela esteve no centro de decisões estratégicas que integraram finanças, governança, sustentabilidade e análise de risco em um momento decisivo para a modernização do setor industrial brasileiro.

Fontes com conhecimento direto do processo, como Joao Antônio Prestes, Diretor Florestal do Grupo Orsa e Grupo Jari, afirmam que sua atuação “foi determinante para elevar o padrão de avaliação financeira e socioambiental dentro de projetos de grande escala”, especialmente em um período de transição regulatória no qual poucas empresas estavam preparadas para integrar Compliance, sustentabilidade e Governança à tomada de decisão.

 

O projeto com o BNDES que se tornou referência em financiamento sustentável

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Entre os marcos de sua trajetória, destacam-se os projetos de expansão florestal e de biomassa submetidos ao BNDES, considerados por especialistas consultados pela reportagem e, também, pelo analista do BNDES, Rodrigo Kalinovisk, como uma das análises de viabilidade mais avançadas já produzidas no setor até então.

Segundo relatórios técnicos revisados pela Fato Novo e o próprio Rodrigo, os financiamentos, estimados em mais 1 bilhão, exigiram uma abordagem integrada que envolveu modelagem financeira de longo prazo, projeções de produtividade florestal baseadas em séries históricas, avaliação socioambiental detalhada e análises comparativas de eficiência industrial e energética.

A complexidade dos processos foi ampliada pela necessidade de alinhar diferentes áreas internas, industrial, jurídica, financeira e ambiental, cujas visões técnicas frequentemente colidiam. De acordo com Bell Ivanesciuc, Diretora Jurídica da Gearbulk e um consultor que acompanhou os projetos e falou sob condição de anonimato, “Sandra foi a única pessoa capaz de harmonizar perspectivas técnicas e transformar um conjunto fragmentado de informações em uma estratégia sólida, compreensível e financiável”.

Fontes do setor, como o Diretor do banco Safra, Jaime Santos, afirmam que sua capacidade de estruturação técnica foi um dos fatores centrais para as aprovações dos projetos pelo BNDES, que mais tarde os classificariam como exemplos de governança e sustentabilidade aplicada à expansão industrial.

 

A liderança que conectou governança, risco e estratégia em um só eixo

De acordo com Sergio Amoroso, principal acionista do Grupo Orsa e Grupo Jari e, também, registros internos obtidos pela reportagem mostram que Sandra exerceu funções de confiança diretamente ligadas à presidência e aos acionistas, com responsabilidade sobre decisões de financiamento, reestruturação de dívidas, negociações com bancos nacionais e internacionais e implantação de padrões de governança alinhados a recomendações que, anos depois, seriam consolidadas por organismos internacionais.

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Sua atuação incluía avaliação de riscos cambiais e operacionais, coordenação de auditorias rigorosas, implementação de métricas de governança, antecipação de riscos sistêmicos e desenho de indicadores financeiros que integravam sustentabilidade e estratégia corporativa.

Executivos entrevistados, como Mauro Sanchez, ex-diretor do Banco Santander e Jaime Santos, diretor do Banco Safra, descrevem Sandra como “uma estrategista rara”, capaz de interpretar cenários complexos e traduzi-los em planos financeiros claros, viáveis e competitivos. Uma fonte destacou que “Sandra tinha um entendimento sistêmico muito acima da média, conseguindo relacionar clima, risco financeiro, competitividade industrial e governança em uma única matriz analítica”.

 

Muito antes de ESG se tornar pauta global, Sandra já integrava ESG como método

Embora a sigla ESG só tivesse ganhado força internacional a partir de 2018, documentos avaliados pela reportagem indicam que Sandra já incorporava métricas ambientais e sociais em suas modelagens financeiras desde meados dos anos 2000.

Especialistas entrevistados, como Joao Antônio Prestes, Diretor Florestal do Grupo Jari, afirmam que várias práticas utilizadas por ela, como análise de risco climático em projeções financeiras, avaliação de impacto socioambiental em decisões de investimento e integração de governança ao fluxo operacional das empresas, são hoje consideradas padrão em frameworks como TCFD e IFRS Sustainability Standards.

Um profissional do setor de consultoria industrial que revisou parte dos documentos afirmou: “Ela estava pelo menos uma década à frente do mercado”.

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Transição para o cenário global e consolidação como especialista

Sandra ampliou sua presença na esfera internacional ao ser responsável pelas empresas internacionais do Grupo e por sua atuação em projetos complexos da Gearbulk, uma das maiores empresas marítimas do Mundo.

Sua atuação começou a se expandir para áreas como:

  • finanças sustentáveis,
  • governança climática,
  • análise de risco global,
  • competitividade internacional,
  • transformação estratégica de empresas.

 

Conclusão: uma contribuição estrutural ao setor industrial brasileiro

A análise comparativa de documentos internos, entrevistas e evidências obtidas pela Fato Novo confirma que as contribuições de Sandra Lima foram decisivas para moldar estruturas de financiamento, modelos de governança e práticas sustentáveis que influenciaram toda a indústria de papel e celulose durante duas décadas.

Sua liderança técnica, capacidade de articulação e antecipação de tendências estabeleceram bases para decisões que ainda hoje definem competitividade, sustentabilidade e expansão industrial no setor.

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Especialistas afirmam que compreender a evolução recente da indústria brasileira sem considerar o impacto do trabalho de Sandra Lima equivaleria a ignorar um dos pilares mais importantes de sua transformação silenciosa.

 

Nota da Redação

Em razão da relevância técnica de sua atuação no setor industrial e da consistência de suas análises em finanças corporativas, governança e sustentabilidade, a Fato Novo convidou neste ano de 2019 Sandra Aparecida de Oliveira Lima a integrar o grupo de especialistas que contribuirão regularmente com artigos e entrevistas sobre temas de impacto nacional e global.

A partir desta publicação, Sandra passa a colaborar com a revista em matérias relevantes dentro das editorias de economia, finanças, Governança Corporativa, Sustentabilidade e ESG


Redação Fato Novo Reportagem Especial

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O que fazer se meu filho aparecer em conteúdos impróprios?

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Casos de exposição indevida reacendem debate sobre privacidade e proteção de crianças nas redes; advogada aponta quais medidas devem ser tomadas

O vídeo intitulado ‘Adultização’, feito pelo influenciador Felca, reacendeu a discussão sobre a proteção da imagem de crianças e adolescentes na internet. O uso indevido de fotos e vídeos de menores em conteúdos impróprios não é apenas uma questão ética, mas também jurídica, envolvendo responsabilidade civil e criminal. Com a repercussão do caso, pais e responsáveis têm buscado respostas sobre quais medidas adotar ao se depararem com esse tipo de situação.

“Em um mundo onde as informações são compartilhadas de forma cada vez mais acelerada, a primeira recomendação é agir rapidamente para retirar o conteúdo do ar. O ideal é registrar provas da publicação, como capturas de tela com data e hora, e em seguida acionar a plataforma onde a postagem foi feita, pedindo a remoção imediata”, declara Maria Eduarda Amaral, advogada especializada em Direito Digital e Propriedade Intelectual.

Outra medida essencial é registrar ocorrência policial, preferencialmente em delegacias especializadas em crimes cibernéticos. “Além de garantir a investigação, a denúncia formal é um caminho para responsabilizar os autores, tanto quem publicou quanto quem compartilhou. Em casos mais graves, é possível solicitar medidas judiciais urgentes para a retirada do material”, complementa a especialista, que tem atuado junto a influenciadores.

Além disso, o Conselho Tutelar e o Ministério Público também são órgãos que acolhem tais denúncias. Amaral afirma que a proteção da criança é prioridade absoluta prevista na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso significa que qualquer violação de imagem deve ser tratada com seriedade e celeridade. Afinal, a omissão pode gerar novos episódios de exposição, ampliando o dano.

“A conscientização é um dos instrumentos mais eficazes de prevenção. Orientar familiares, amigos e a comunidade escolar sobre os riscos de compartilhar imagens sem autorização ajuda a criar uma rede de proteção. Muitas vezes, o problema começa com a falta de cuidado de pessoas próximas, que não avaliam as consequências de uma simples postagem”, diz a especialista.

Quais são as penalidades para quem publica ou compartilha?

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O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê detenção de até seis anos e multa para quem divulgar material que envolva a exploração de menores, além de responsabilização civil por danos morais. Além da esfera criminal, há a responsabilidade civil pelo uso de imagem sem consentimento.

O Código Civil garante que menores de 18 anos tenham sua imagem protegida, cabendo aos pais ou responsáveis legais autorizar qualquer uso. Quando essa autorização não existe, os responsáveis pela publicação podem ser condenados a indenizar a criança pelos danos causados.

“É um erro acreditar que só quem posta a primeira vez será responsabilizado. O simples ato de repassar a imagem já caracteriza infração e sujeita o autor às penalidades legais”, aponta a advogada.

Sobre Maria Eduarda Amaral

Maria Eduarda Amaral é advogada especializada em Direito Digital e Propriedade Intelectual. É graduada em Direito pela Escola Superior Dom Helder Câmara, pós-graduada em Propriedade Intelectual pelo IBMEC-BH, especialista em Gestão Jurídica e Proteção de Dados Pessoais pelo IBMEC-BH e membro da ABPI (Associação Brasileira de Propriedade Intelectual).


Informações para a imprensa – 2PRÓ Comunicação

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A democracia depende da verdade

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Por Ricardo Viveiros

Logo depois das eleições municipais de 2024, foi dada a largada para as presidenciais em 2026. E o Brasil debate um tema cada vez mais relevante: fake news. Pesquisa do Instituto DataSenado revela que 81% dos brasileiros acreditam que as notícias falsas podem influenciar significativamente os resultados eleitorais. Tal dado relevante destaca a urgência de aprofundarmos o debate sobre desinformação e suas consequências para a democracia.

De acordo com o mesmo levantamento, 72% dos entrevistados relataram ter encontrado notícias falsas nas redes sociais nos últimos seis meses que antecederam as eleições de 2024. Essa realidade levanta preocupações sobre a integridade do processo eleitoral, uma vez que a disseminação de informações enganosas pode distorcer a percepção pública e manipular a opinião dos eleitores. A produção de fake news é prática desonesta, que adultera informações e busca mudar a verdade. Tem crescido com o mal uso da inteligência artificial, porque a burrice natural segue sendo uma triste realidade.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investigaria a propagação de desinformação nas redes sociais, nasceu e morreu sem conclusões. E o Projeto de Lei sobre o tema, por que não anda? A necessidade de um combate mais rigoroso às fake news, com um olhar para 2026, poderá evitar um impacto perigoso sobre os resultados das urnas.

A pesquisa “Panorama Político” do DataSenado, realizada em junho do ano passado, entrevistou mais de 21 mil brasileiros de todos os estados e revelou que 72% dos usuários de redes sociais desconfiam de notícias que encontram online. Tal sentimento é um reflexo da dificuldade em identificar informações falsas, com 50% dos entrevistados considerando difícil a tarefa. A polarização política também desempenha um papel importante, com 29% dos brasileiros se identificando como de direita, 15% de esquerda e 11% de centro. Enquanto 40% não se alinham a nenhuma corrente política – o que preocupa ao mostrar a perigosa desesperança dos eleitores com a política. Cinco por cento sequer responderam.

A responsabilidade das plataformas de redes sociais na disseminação de fake news é outro ponto crucial. A pesquisa indica que 81% da população acredita que essas empresas devem ser responsabilizadas ao não impedir a propagação de informações falsas. Isso sugere um apoio crescente na implementação de filtros e políticas de moderação mais rigorosos. O que temos observado na prática é o contrário, como na decisão do executivo do Grupo Meta, que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, o norte-americano Mark Zuckerberg, anunciando o fim da checagem de fatos em suas plataformas. Ele usa a questionável justificativa de que há erros nos mecanismos verificadores, gerando censura. Como visa apenas lucro, esquece que liberdade de expressão exige responsabilidade de expressão.

Por fim, a pesquisa do DataSenado revela que um terço dos brasileiros está insatisfeito com a democracia, embora 66% ainda acreditem que é a melhor forma de governo. Esse desagrado pode ser exacerbado pela desinformação, que mina a confiança nas instituições democráticas. É fundamental fortalecê-las e garantir que o processo eleitoral seja transparente e justo. Que mentiras não contaminem os eleitores, ludibriando os fatos com falsas versões.

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Para identificar fake news, deve-se observar: títulos exagerados; erros de ortografia em gramática; mensagens que incentivam o compartilhamento rápido; e a falta de fontes confiáveis – estes são alguns dos indícios de que a informação pode ser falsa. A conscientização sobre como reconhecer fake news é uma ferramenta essencial para proteger a democracia e garantir que os eleitores façam escolhas conscientes baseadas na realidade.

O combate às fake news é uma questão crucial que requer a participação de todos os setores da sociedade. À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, é vital que os cidadãos estejam cientes dos riscos da desinformação e que as instituições trabalhem para garantir um ambiente eleitoral correto e transparente. A manutenção do estado democrático de direito, das liberdades constitucionais e da justiça social são nosso valioso patrimônio.


*Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura; membro da Academia Paulista de Educação (APE); e autor, entre outros, de “A Vila que Descobriu o Brasil” (Geração), “Justiça Seja Feita” (Sesi-SP) e “Memórias de um Tempo Obscuro” (Contexto).


Atendimento à imprensa – Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

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Quando o trânsito revela a ausência de humanidade

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 Por Adalgisa Lopes

O que mais me chocou no caso do empresário que matou o gari Laudemir de Souza Fernandes não foi apenas a brutalidade do crime, mas o que veio depois: ele simplesmente foi para a academia. Como se tivesse apenas discutido com alguém no trânsito, ou concluído um dia estressante no trabalho. Como se não tivesse ceifado uma vida.

Esse comportamento nos obriga a olhar além da superfície. Não estamos falando apenas de raiva no trânsito: estamos diante de algo muito mais perturbador.

Quando nascemos, somos movidos por impulsos primitivos. Uma criança pequena que quer um brinquedo simplesmente avança, morde, toma. É natural. Mas conforme crescemos, desenvolvemos o que chamamos de estruturas psíquicas que nos permitem viver em sociedade. Aprendemos a conter nossos impulsos, a considerar o outro, a sentir culpa quando machucamos alguém. No caso desse empresário, algo falhou gravemente nesse processo. Ele reagiu como aquela criança primitiva: queria passar, foi contrariado, então atacou. A diferença é que tinha uma arma na mão e 44 anos de idade.

A ausência assustadora do remorso

O que mais me inquieta é a sequência dos fatos. Após disparar contra um trabalhador inocente, ele não correu desesperado. Não tentou socorrer a vítima. Não demonstrou qualquer sinal de arrependimento ou choque com o próprio ato. Simplesmente seguiu sua rotina, como se nada tivesse acontecido. Essa frieza aponta para uma ausência preocupante de estruturas psíquicas fundamentais. Onde está o senso crítico? Onde está a capacidade de se colocar no lugar do outro? Onde está a angústia que qualquer pessoa sentiria após tirar uma vida?

O trânsito tem uma característica única: ele expõe quem realmente somos quando nossas máscaras sociais caem. Ali, protegidos pelo metal do carro e pela velocidade, muitos revelam aspectos sombrios de sua personalidade. Mas este caso vai além. Estamos diante de uma pessoa que, mesmo após cometer um homicídio, manteve-se completamente desconectada da gravidade de seus atos. É impossível que esse comportamento tenha surgido do nada. Com certeza existem antecedentes, episódios de agressividade, desrespeito ou violência que foram minimizados ou ignorados.

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A sociedade tem uma tendência perigosa de normalizar pequenas violências até que explodem em tragédias como esta. Neste caso específico, há um componente a mais que leva à normalização dessas pequenas violências: esse indivíduo cultivava uma imagem pública impecável, se autodenominava cristão, pai de família, patriota. Tinha quase 30 mil seguidores nas redes sociais. Aparentava ser um cidadão exemplar.

Aqui, aprendemos mais uma lição: a capacidade de manter uma fachada social não indica saúde mental. Pelo contrário, pode ser um sinal ainda mais preocupante quando existe uma dissociação completa entre a imagem projetada e os impulsos reais. O trânsito, nesse contexto, funciona como um laboratório onde essas falhas se manifestam. É ali que vemos quem realmente respeita o outro como ser humano e quem vê apenas obstáculos a serem removidos.

Precisamos parar de romantizar a agressividade no trânsito como algo “normal” ou “compreensível”. Não há nada de normal em ameaçar trabalhadores. Não há nada de compreensível em escalar uma discussão de trânsito para violência letal. Precisamos cuidar da saúde mental dos nossos motoristas de forma adequada, não apenas na obtenção da CNH. Hoje, apenas os motoristas profissionais fazem avaliações psicológicas constantes. Para o resto dos condutores, o laudo é vitalício: um erro que custa milhares de vidas todos os anos e custou a vida do Laudemir.

A morte de Laudemir nos força a encarar uma verdade desconfortável: existem pessoas entre nós que não possuem as estruturas psíquicas básicas para a vida em sociedade. Elas podem ter diplomas, dinheiro, família, seguidores nas redes sociais – mas por dentro são crianças primitivas com acesso a armas letais. O trânsito apenas revelou o que já estava lá. A pergunta que fica é: quantos outros estão dirigindo por aí, esperando apenas o próximo “obstáculo” para mostrar quem realmente são?


*Adalgisa é Psicóloga Especialista em Trânsito e presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (ACTRANSMG)

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