Estudo Perfil ADV, realizado pela OAB e FGV, mostra que 64% dos advogados ganham até 5 salários mínimos e aponta a instabilidade como motor para migração aos concursos em 2026.
O cenário da advocacia brasileira passou por uma análise detalhada no estudo Perfil ADV, um “censo” que ouviu mais de 20 mil profissionais em um universo de 1,3 milhão de inscritos na OAB. Os dados explicam o movimento crescente de bacharéis em direção às carreiras públicas: a advocacia atual é marcada pela autonomia solitária e por uma pirâmide de renda altamente desigual, onde o topo é estatisticamente raro de ser alcançado.
Segundo o levantamento, a realidade do “advogado bem-sucedido” é uma exceção. Enquanto carreiras como a Magistratura e o Ministério Público oferecem remunerações iniciais que superam os 20 salários mínimos, apenas 4,93% dos advogados atingem esse patamar. Essa disparidade financeira, somada à sobrecarga do trabalho autônomo, tem transformado o sonho do concurso público em um projeto de estabilidade para 2026.
Os números que explicam a crise na advocacia
Os dados revelam uma estrutura profissional onde a flexibilidade muitas vezes mascara a precariedade do mercado:
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Autonomia Forçada: 72% dos profissionais atuam como autônomos, acumulando funções de comercial, financeiro e atendimento, além da produção jurídica técnica.
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Baixa Renda: 34% ganham até 2 salários mínimos e 30% recebem entre 2 e 5 salários mínimos. Ou seja, 64% da classe vive com rendimentos baixos para a complexidade da função.
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Plano B: 26% dos advogados precisam exercer outra atividade profissional fora do Direito para complementar a renda, um sinal claro de instabilidade financeira.
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Home Office: É a realidade para 43% dos inscritos, o que, apesar da flexibilidade, gera jornadas sem fim e dificuldade de separar a vida pessoal do trabalho.
Carreira pública: previsibilidade como atrativo
Diferente da advocacia, onde o aumento da renda depende diretamente de captação de clientes e variações do mercado, as carreiras jurídicas de Estado (Juiz, Promotor, Defensor, Procurador e Delegado) oferecem um projeto de vida previsível. A busca pela aprovação em 2026 foca na substituição da inconsistência de demanda pela segurança do cargo público.
Para quem deseja migrar, especialistas apontam que o caminho exige um plano de ação estruturado, incluindo testes vocacionais para identificar o perfil ideal entre as carreiras e um cronograma de estudos que considere o panorama de editais previstos para o próximo ano.
Planejamento para 2026
Se o mercado jurídico já demonstrou, em dados, que a advocacia autônoma cobra um preço alto em termos de saúde mental e estabilidade, o próximo ano deve ser focado em métodos de estudo eficazes:
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Plano Personalizado: Montar roteiros de acordo com a disponibilidade real de tempo.
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Dashboard de Dados: Analisar cargos vagos e remunerações reais dos órgãos.
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Constância: Priorizar a qualidade do estudo sobre a quantidade de horas no grito.
Com informações: Direito News