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Ciência

Arábia Saudita revela 20 novos sítios de arte rupestre em Soudah

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Gravuras de até 5 mil anos na região de Asir revelam detalhes inéditos sobre as antigas tribos tamúdicas e a fauna milenar da Península Arábica

A Comissão de Patrimônio da Arábia Saudita, em colaboração com a Soudah Development (empresa do Fundo de Investimento Público), anunciou nesta semana uma descoberta arqueológica de magnitude histórica. Foram identificados 20 novos sítios de arte rupestre na região de Soudah Peaks, abrangendo uma área de 636 quilômetros quadrados na província de Asir. As gravuras, com idade estimada entre 4 mil e 5 mil anos, são consideradas alguns dos vestígios culturais mais antigos já registrados no sudoeste do país.

O achado oferece uma janela rara para o cotidiano de civilizações que habitaram as terras altas de Soudah e Rijal Almaa. Entre as descobertas mais significativas estão as inscrições tamúdicas, um sistema de escrita antigo associado à tribo Thamud. Além da escrita, as rochas exibem representações detalhadas de animais que outrora eram abundantes na região, como hienas, avestruzes e íbices (cabras selvagens), evidenciando um ecossistema muito mais úmido e diversificado no passado.

As cenas gravadas em pedra não se limitam à fauna; elas retratam uma sociedade complexa com gravuras de caçadores em ação, grupos de dançarinos, armas e palmeiras. Segundo os arqueólogos, esses registros comprovam que a região foi um centro vital de assentamento humano e atividade cultural contínua. A descoberta faz parte de um levantamento científico em quatro etapas que visa documentar, classificar e, acima de tudo, preservar esses monumentos antes que o desenvolvimento turístico da região avance.

Turismo cultural e preservação em 2026

A descoberta ocorre em um momento estratégico para a Arábia Saudita, que em 2026 consolida sua Visão 2030 para o turismo. O projeto Soudah Peaks, conhecido por abrigar o ponto mais alto do país, pretende integrar esse novo patrimônio arqueológico a uma experiência turística de luxo e autenticidade. “O objetivo é criar uma jornada cultural integrada que reflita a riqueza histórica do Reino”, afirmaram as autoridades em comunicado oficial.

Paralelamente à arte rupestre, outras descobertas recentes na região têm fascinado a comunidade científica. No início deste mês, pesquisadores revelaram a localização de múmias de chitas em cavernas próximas, preservadas naturalmente por quase 2 mil anos. Esses achados somam-se às gravuras milenares para pintar um quadro completo de como as mudanças climáticas e a ocupação humana transformaram a Península Arábica ao longo dos milênios.

A proteção desses sítios é agora uma corrida contra o tempo. A Comissão do Patrimônio já iniciou o processo de registro nacional de cada formação rochosa para garantir que o fluxo de visitantes não degrade as inscrições. Para os pesquisadores, Soudah e Rijal Almaa deixam de ser apenas destinos de natureza exuberante para se tornarem um dos maiores laboratórios de arqueologia a céu aberto do Oriente Médio, conectando o presente moderno com as raízes mais profundas da humanidade.

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Com informações: Agência Brasil, ICL Notícias, SPA e Saudi Gazette

 

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Ciência

Missão Artemis 2 inicia contagem regressiva para o retorno à Lua

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Após meio século, a NASA mobiliza o foguete mais poderoso da história para levar astronautas ao solo lunar; lançamento está previsto para fevereiro de 2026

A humanidade está a poucos passos de reviver a era das grandes explorações espaciais. A NASA anunciou que o foguete Artemis 2 Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion iniciaram sua jornada definitiva rumo à plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O deslocamento da imponente estrutura de 5 milhões de quilos — que se move a uma velocidade lenta e constante de 1,6 km/h — marca o começo da fase operacional da missão que levará quatro astronautas para uma órbita lunar de dez dias.

Este voo é considerado um marco histórico e técnico. O SLS, com seus 65 metros de altura, é o foguete mais potente já construído, capaz de gerar um empuxo de 3,9 milhões de quilos para romper a gravidade terrestre. Diferente da missão Artemis 1, que foi um teste não tripulado, a Artemis 2 testará todos os sistemas de suporte à vida e comunicação com humanos a bordo, servindo como o ensaio final para a Artemis 3, que planeja o pouso efetivo na superfície lunar até 2028.

A segurança é a palavra de ordem nesta etapa. O lançamento, agora previsto para o início de fevereiro, ocorre com um atraso de 15 meses em relação ao cronograma original. A NASA justificou a espera pela necessidade de ajustes finos no escudo térmico e nos sistemas de energia da cápsula Orion. “A segurança da tripulação continuará sendo nossa principal prioridade em cada etapa”, afirmou Lori Glaze, administradora associada da agência, reforçando que o retorno à Lua não permite margens para erro.

A nova corrida espacial: EUA e China disputam o polo sul lunar

O lançamento da Artemis 2 não é apenas um feito científico, mas um movimento estratégico no tabuleiro geopolítico global. A NASA mantém o foco em garantir que os Estados Unidos cheguem primeiro ao polo sul lunar, uma região rica em gelo e recursos, antes da China. Pequim tem avançado rapidamente com suas missões robóticas em Marte e na Lua, além de já ter consolidado sua própria estação espacial, a Tiangong, em 2022.

O cronograma apertado da agência norte-americana reflete essa urgência. No final de janeiro, será realizado um ensaio geral completo, incluindo o abastecimento dos 2,6 milhões de litros de propelente criogênico e uma contagem regressiva simulada. Se todos os protocolos de segurança forem validados, a janela de lançamento de fevereiro será confirmada, encerrando um hiato de voos tripulados para as proximidades da Lua que dura desde 1972, com a missão Apollo 17.

Para os entusiastas e cientistas, a Artemis 2 representa o início de uma presença humana sustentável fora da Terra. A ideia é que a Lua sirva como um “posto avançado” e campo de testes para tecnologias que, futuramente, permitirão a viagem de humanos para Marte. O mundo estará com os olhos voltados para o céu nas próximas semanas, acompanhando o que pode ser o evento tecnológico mais importante da década.

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Com informações: Live Science

 

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Ciência

Cientistas revelam mapa inédito da topografia oculta sob o gelo da Antártida

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Estudo utiliza dados de satélite e física de fluxo glacial para mapear montanhas e vales submersos, fundamentais para prever o aumento do nível do mar.

Cientistas alcançaram um feito histórico ao mapear a rocha subjacente à enorme camada de gelo da Antártida com uma precisão sem precedentes. O estudo, publicado na revista Science nesta quinta-feira (15 de janeiro), revelou uma paisagem complexa de montanhas, vales e bacias escondidos sob mais de 14 milhões de quilômetros quadrados de gelo. Até então, o interior do continente gelado era uma das superfícies menos conhecidas do sistema solar devido à dificuldade de realizar levantamentos terrestres e aéreos em condições tão extremas.

A nova cartografia foi possível graças à combinação de imagens de satélite de alta resolução com modelos físicos que analisam como o gelo flui sobre as irregularidades da rocha. Ao integrar essas medições, os pesquisadores conseguiram identificar estruturas de 2 a 30 quilômetros de extensão que antes eram invisíveis. Entre as descobertas estão canais de rios que se estendem por centenas de quilômetros — prováveis vestígios da paisagem antártica antes da glaciação — e vales profundos em regiões onde se acreditava haver apenas planície.

Um novo mapa das características ocultas sob o gelo da Antártica mostra o continente gelado com detalhes sem precedentes.

O novo mapa topográfico da IFPA revela novas características na paisagem abaixo da Antártica, desde colinas e cordilheiras até detalhes de cadeias montanhosas inteiras, e preenche lacunas entre linhas de pesquisa de radar.

Descobertas e relevância geológica

O mapeamento detalha o “esqueleto” do continente e sua influência no clima global:

  • Estruturas Ocultas: Revelação de colinas, cordilheiras e cadeias montanhosas inteiras anteriormente desconhecidas.

  • Limites Tectônicos: Identificação de transições acentuadas entre terras altas e baixas, sugerindo falhas e divisões de placas.

  • Canais Ancestrais: Evidências de sistemas fluviais antigos que agora servem como trilhos para o movimento das geleiras.

  • Dinâmica Glacial: O mapa permite observar como a topografia esculpe a superfície do gelo e orienta seu fluxo em direção ao oceano.

Impacto nas projeções climáticas

A importância deste estudo vai além da geologia pura. Como a paisagem rochosa determina a velocidade com que o gelo desliza para o mar, o novo mapa é uma ferramenta essencial para a climatologia. Com dados mais exatos sobre o relevo subaquático e subglacial, os cientistas podem aprimorar os modelos de derretimento causados pelo aquecimento global. Isso torna as projeções sobre o aumento do nível do mar muito mais precisas, permitindo que nações costeiras planejem melhor suas defesas contra as mudanças climáticas nas próximas décadas.

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Com informações: Live Science e Science

 

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Ciência

Cientistas desvendam mistério dos “pequenos pontos vermelhos” detectados pelo James Webb

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Estudo publicado na revista Nature sugere que objetos enigmáticos são buracos negros supermassivos jovens escondidos em densas nuvens de gás

Desde que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) iniciou suas operações em 2022, astrônomos ficaram intrigados com a presença de “pequenos pontos vermelhos” no universo primitivo. Esses objetos desafiavam as teorias de evolução cósmica, pois pareciam possuir massa demais para o pouco tempo de existência do universo naquelas coordenadas. No entanto, um estudo publicado nesta quarta-feira (14 de janeiro) na revista Nature trouxe uma nova explicação: esses pontos são, na verdade, buracos negros supermassivos em fase de crescimento, envoltos em “casulos” de gás que ocultam suas emissões de raios X e rádio.

A pesquisa analisou o espectro de luz infravermelha de 30 desses objetos e revelou que o movimento acelerado do hidrogênio ao seu redor é uma evidência clara de núcleos galácticos ativos. Segundo Rodrigo Nemmen, astrofísico da Universidade de São Paulo (USP), as velocidades extremas observadas comprovam a presença de buracos negros “famintos” atraindo matéria. Com a nova interpretação de que o gás mascara o tamanho real dos objetos, os cientistas recalcularam suas massas e descobriram que eles são cerca de 100 vezes menores do que se supunha, o que finalmente os enquadra nos modelos padrão de evolução do cosmos.

A natureza dos pequenos pontos vermelhos

A descoberta ajuda a preencher lacunas sobre como os gigantes espaciais se formam:

  • O Casulo Gasoso: Nuvens densas de gás retêm radiações de alta energia, explicando por que o JWST não detectava ondas de rádio ou raios X.

  • Massa Corrigida: Ao entender a interferência do gás, cientistas descobriram que esses objetos têm massas muito menores, compatíveis com a idade do universo primitivo.

  • Velocidades Extremas: O gás ao redor dos pontos move-se a milhares de quilômetros por segundo, atraído pela gravidade do núcleo central.

  • Evolução Cósmica: A confirmação desses “buracos negros bebês” valida as teorias de como galáxias e seus centros gravitacionais crescem ao longo de bilhões de anos.

Próximos passos na astronomia infravermelha

A identificação desses objetos como jovens buracos negros supermassivos abre uma nova janela para o estudo da infância do universo. O desafio agora é determinar se essa fase de “casulo” é uma etapa comum para todos os buracos negros supermassivos ou se os pequenos pontos vermelhos representam uma classe rara de evolução. Pesquisadores pretendem usar o James Webb para observar centenas de outros candidatos, buscando assinaturas de luz que revelem como esses gigantes limpam o gás ao seu redor para se tornarem os quásares brilhantes que observamos em eras posteriores.


Com informações: Live Science e Nature

 

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