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Das 10 entidades que mais arrecadam via folha do INSS, 5 atuam desde antes de 2023, aponta CGU

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Relatório da CGU expõe sistema de arrecadação milionária, adesões em massa, falta de controle e omissão institucional no INSS desde 2019

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), obtido pelo ICL Notícias, revela um esquema de convênios firmado entre o INSS e entidades associativas que operam com acesso direto à folha de pagamento de servidores ativos, inativos e pensionistas.

Segundo a CGU, essas entidades atuam sem comprovar finalidade pública e com diversos indícios de irregularidades estruturais, operacionais e jurídicas que colocam em risco o patrimônio público e os direitos dos servidores.

A auditoria foi conduzida com base em denúncias e análises de rotina do sistema de gestão de pessoas da Administração Pública Federal (SIAPE). Ao todo, foram identificadas 157 entidades com convênios ativos com o INSS. Destas, 96 foram analisadas em profundidade. Apenas uma minoria demonstrou possuir documentação regular, sede física real e práticas mínimas de transparência e governança.

A maioria das entidades funciona como clubes de benefícios, oferecendo vantagens como descontos em farmácias, planos odontológicos, serviços de assistência funeral, seguros de vida e até empréstimos consignados. De acordo com a CGU, essas atividades não se enquadram como de interesse público e tampouco justificam o uso da estrutura do Estado para facilitar sua arrecadação.

As associações se valem de convênios para realizar descontos diretos em folha dos contracheques dos servidores vinculados ao INSS. Segundo o relatório, os valores movimentados por essas entidades ultrapassam os milhões de reais mensalmente, sem que haja um controle efetivo por parte do órgão público. Os convênios são firmados com base em modelos padronizados, sem exigência formal de comprovação de representatividade ou de comprovação de que a entidade cumpre finalidade assistencial, cultural ou educacional, como exigido pela legislação.

A CGU aponta que muitas dessas entidades sequer têm CNPJ ativo na Receita Federal, apresentam endereços residenciais como sede e não prestam contas regularmente aos órgãos de controle. Há entidades que não realizam assembleias internas ou eleições há mais de uma década. Um dos casos destacados no relatório mostra que uma entidade permaneceu sob o comando do mesmo dirigente por 14 anos consecutivos, sem qualquer documento que comprove a realização de assembleias, atas ou mudanças de diretoria.

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Conclusões da CGU

A ausência de autorização válida para os descontos também é considerada um dos pontos mais graves. A CGU identificou dezenas de casos em que servidores tiveram valores descontados de seus vencimentos sem qualquer tipo de anuência expressa. Em vários exemplos, os formulários de autorização não continham data, assinatura ou estavam digitalizados de forma genérica, dificultando a verificação da origem da autorização.

Além disso, os mecanismos de cancelamento dos descontos são falhos: muitos servidores relataram não conseguir sequer localizar ou identificar qual entidade estava promovendo os descontos, o que caracteriza uma violação ao direito básico de informação e consentimento.

Em meio a esse cenário, a CGU também verificou casos de conflito de interesse. Servidores ativos do próprio INSS figuram como presidentes ou representantes legais de entidades conveniadas. Em outras situações, os mesmos servidores participaram de trâmites internos relacionados à liberação ou renovação dos convênios em que as entidades tinham interesse direto. Essa sobreposição de papéis compromete a lisura dos processos administrativos e viola os princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.

Segundo a CGU, o ambiente institucional dentro do INSS se mostra permissivo. O relatório menciona ausência de controles internos robustos, inexistência de critérios objetivos para aprovação de convênios e uma cultura de tolerância a práticas irregulares que, ao longo do tempo, consolidou a atuação dessas entidades na estrutura da autarquia.

A auditoria também identificou que em alguns casos havia sobreposição de convênios: servidores tinham descontos simultâneos de diversas entidades com objetos semelhantes, sem qualquer coordenação entre elas ou análise de compatibilidade. Há indícios de que algumas entidades compartilham bancos de dados de servidores para aumentar a base de associados sem consentimento prévio.

Entre as recomendações, a CGU propõe: a suspensão imediata dos convênios que não apresentem comprovação legal de finalidade pública; apuração individualizada da responsabilidade dos servidores envolvidos; a modernização e maior transparência no sistema de gestão de consignações; além do envio dos autos ao Ministério Público Federal, à Advocacia-Geral da União e à Corregedoria-Geral da União para apuração das possíveis responsabilizações civis, administrativas e penais.

A Controladoria também sugere que o Ministério da Gestão e da Inovação revise as normas que regulam o acesso à folha de pagamento da União, impondo critérios mais rigorosos e mecanismos de verificação documental e funcional das entidades proponentes.

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Essas fragilidades não são recentes. O relatório aponta que desde 2019 órgãos de controle e o Ministério Público Federal vinham indicando irregularidades nos convênios do INSS com entidades associativas. Em novembro de 2023, a Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS reforçou o alerta, apontando falhas estruturais e legais nos convênios vigentes. Apesar disso, o INSS manteve os contratos, ignorando recomendações técnicas e jurídicas.

Outro dado revelador é que, segundo a CGU, apenas 29% da amostra de beneficiários de descontos apresentava documentação completa. Em 71% dos casos, a documentação estava incompleta (32%) ou ausente (39%). Além disso, 76% das entidades não apresentaram contratos ou documentos que detalhassem os serviços prestados aos associados, evidenciando a ausência de controle sobre a natureza das contrapartidas oferecidas.

Mesmo com arrecadação expressiva, muitas dessas entidades não conseguiram comprovar possuir estrutura física ou capacidade operacional compatível com sua atuação nacional. A CGU destaca que esse descompasso entre atuação e infraestrutura é indicativo de que o sistema pode estar sendo usado como fachada para outras finalidades.

Auditoria realizada pela CGU

Em setembro de 2024, a Dataprev apresentou ao INSS uma nova solução tecnológica para registro e controle de autorizações de desconto. O sistema, porém, foi recusado pela direção do INSS, que optou por uma solução provisória menos segura e sujeita a falhas, permitindo a continuidade do modelo anterior. A CGU apontou que essa decisão contribuiu para manter um ambiente permissivo e de difícil fiscalização.

A auditoria também identificou fortes indícios de filiações em massa sem anuência individual, prática que, se comprovada, configura fraude contra o servidor público. Das 10 entidades que mais arrecadam via folha do INSS, 5 foram cadastradas antes de 2023, o que demonstra que a prática está consolidada e se mantém ativa mesmo após sucessivos alertas institucionais.

A expectativa, agora, é que os órgãos de controle e o Ministério Público atuem para garantir a responsabilização dos envolvidos e o fim do uso da folha de pagamento estatal como instrumento de arrecadação para entidades privadas com baixa transparência e finalidade duvidosa.


Fonte: ICL Notícias

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Pequenos empreendedores têm até 30 de janeiro para renegociar débitos inscritos na dívida ativa da União

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Edital prevê diferentes modalidades de transação, com descontos que podem chegar a até 100% sobre juros, multas e encargos legais

O Governo do Brasil prorrogou o prazo de adesão ao Edital nº 11/2025, que estabelece condições especiais para a renegociação de débitos inscritos na dívida ativa da União. Conforme disposto no art. 5º do edital, os interessados poderão aderir às modalidades de transação tributária até 30 de janeiro de 2026.

A medida beneficia microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte, que passam a contar com mais tempo para regularizar pendências fiscais e retomar a regularidade perante a União. O edital prevê diferentes modalidades de transação, com descontos que podem chegar a até 100% sobre juros, multas e encargos legais, além de prazos ampliados para parcelamento, de acordo com a situação da dívida e a capacidade de pagamento do contribuinte.

MODALIDADES — Entre as modalidades previstas estão a transação condicionada à capacidade de pagamento, a transação de débitos considerados irrecuperáveis, a transação de pequeno valor, que é aplicável a débitos consolidados de até 60 salários mínimos, com condições específicas para MEIs. Além disso, há também a transação de débitos garantidos por seguro garantia ou carta fiança.

CANAIS OFICIAIS — Os microempreendedores podem consultar suas pendências e formalizar a adesão ao edital por meio dos canais oficiais da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A prorrogação amplia o alcance da iniciativa e reforça o estímulo à regularização fiscal como instrumento de recuperação da atividade econômica dos pequenos negócios.

ADESÃO ÀS MODALIDADES — O prazo de 30 de janeiro refere-se exclusivamente à adesão às modalidades de renegociação de dívidas inscritas na dívida ativa da União. Trata-se de procedimento fiscal voltado à transação tributária e não se confunde com regras de enquadramento ou reenquadramento no Simples Nacional.

Prazo para renegociar dívidas é diferente do prazo para retorno ao Simples Nacional.

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Já o dia 31 de janeiro é o prazo para outro procedimento: a solicitação de retorno ao Simples Nacional por microempreendedores individuais que foram desenquadrados do regime. Esse processo possui critérios próprios e depende da regularização de pendências específicas, mas não substitui nem é substituído pela renegociação de dívidas prevista no edital da PGFN.


Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

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Brasileiros iniciam 2026 com maior otimismo nas finanças e no crédito

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Estudo da TransUnion revela que 73% das famílias esperam melhora financeira este ano, com a Geração Z liderando a confiança, apesar do alerta contínuo sobre a inflação

Os consumidores brasileiros entraram em 2026 com uma percepção renovada de otimismo em relação às suas perspectivas financeiras. De acordo com o mais recente estudo Consumer Pulse, conduzido pela TransUnion, 73% dos entrevistados acreditam que a situação econômica de suas famílias irá melhorar nos próximos 12 meses. O levantamento destaca que o crescimento recente da renda e a maior facilidade de acesso ao crédito são os principais pilares que sustentam esse sentimento positivo.

A Geração Z (jovens de 18 a 28 anos) desponta como o grupo mais confiante: 84% desses jovens preveem um cenário financeiro favorável para este ano. Entre os Millennials e a Geração X, a sensação de estabilidade também é predominante, com índices de 70% e 65%, respectivamente. Esse clima de esperança é reforçado pelo fato de que 76% dos brasileiros esperam novos aumentos salariais ou de renda ao longo de 2026.

Consumidores mantêm cautela e ajustes nos gastos opcionais

Apesar do otimismo generalizado, o planejamento das famílias brasileiras não está isento de preocupações. A inflação dos produtos de consumo diário é citada por 64% dos entrevistados como o maior desafio econômico, seguida pelas altas taxas de juros (52%) e pela insegurança em relação ao emprego (47%). Apenas 39% dos brasileiros acreditam que seus ganhos serão suficientes para acompanhar integralmente o aumento dos preços.

Para equilibrar as contas, os consumidores têm adotado uma postura de prudência:

  • Corte de supérfluos: 66% reduziram gastos com refeições fora de casa e 56% diminuíram o uso de aplicativos de entrega.

  • Viagens e lazer: 54% dos entrevistados afirmaram ter cortado ou adiado planos de viagens nos últimos três meses.

  • Serviços Digitais: Cerca de 21% cancelaram ou reduziram assinaturas de TV a cabo e internet para aliviar o orçamento mensal.

Motor de qualidade de vida e inclusão financeira

O acesso ao crédito continua sendo visto como um instrumento fundamental para o progresso socioeconômico no Brasil. Para 65% dos consumidores, o crédito é a via principal para alcançar objetivos de vida, como a casa própria, o financiamento de estudos ou a abertura de um novo negócio. Esse valor é ainda mais expressivo entre os jovens da Geração Z, onde 64% consideram o crédito vital para suas metas.

Helena Leite, especialista da TransUnion Brasil, observa que a confiança no sistema de crédito cresceu: 58% dos brasileiros sentem que têm acesso suficiente a produtos financeiros, um aumento notável em comparação ao final de 2024. No entanto, o estudo aponta uma desigualdade no atendimento: enquanto 71% das pessoas de alta renda se sentem bem atendidas, o índice cai para 47% entre a classe média, sugerindo uma demanda reprimida que as instituições financeiras ainda precisam suprir.

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Expectativas de alta atividade no setor bancário

Com a confiança em alta, a previsão é de um mercado de crédito aquecido para o restante do ano. Cerca de 38% dos brasileiros pretendem solicitar novos produtos financeiros ou refinanciar dívidas atuais nos próximos meses. Entre os produtos mais desejados estão:

  1. Novos cartões de crédito (38%)

  2. Empréstimos pessoais (36%)

  3. Aumento de limite de crédito (30%)

As instituições financeiras estão sendo desafiadas a utilizar dados alternativos para promover uma inclusão mais justa, permitindo que consumidores de rendas média e baixa também consigam aprovações. Para as empresas do setor, o momento é de fidelizar clientes através de ofertas personalizadas que antecipem as necessidades de consumo consciente desta nova fase econômica.


Com informações: TransUnion Brasil, Imagem Corporativa

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Desigualdade racial e de gênero no Brasil apresentam estabilidade apesar de avanços econômicos

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Dados de 2024 indicam que a extrema pobreza atingiu níveis recordes de queda, mas a população negra ainda representa a maioria absoluta entre os estratos mais pobres, evidenciando barreiras estruturais

Embora o Brasil tenha registrado avanços significativos nos indicadores sociais nas últimas três décadas, a estrutura das desigualdades raciais e de gênero demonstra uma estabilidade persistente. Em 2024, o país alcançou os menores índices de pobreza desde meados dos anos 1990, com a extrema pobreza recuando de 25% para patamares inferiores a 5%. Entretanto, a desagregação desses dados revela que o benefício do crescimento econômico e das políticas públicas não atinge todos os grupos da mesma forma.

Segundo a teoria do prêmio Nobel Amartya Sen, a pobreza deve ser entendida de forma multidimensional, focando no que o indivíduo consegue realizar com seus recursos. No contexto brasileiro, essa “liberdade real” é limitada por hierarquias históricas. Mesmo com o aquecimento do mercado de trabalho e a consolidação de programas como o Bolsa Família, a população afrodescendente permanece sobrerepresentada nos indicadores de vulnerabilidade social.

Raça e gênero como determinantes da vulnerabilidade

Os números de 2024 ilustram a disparidade entre os grupos étnico-raciais. Pessoas pretas e pardas compõem 57% da população brasileira, mas somam mais de 70% do total de brasileiros vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza. Enquanto a extrema pobreza atinge pouco mais de 2% da população branca, o índice sobe para aproximadamente 5% entre os pardos.

A desigualdade é visível também no mercado de trabalho, mesmo quando se compara profissionais com o mesmo nível de escolaridade. No ensino superior completo, a disparidade salarial é acentuada:

  • Trabalhadores brancos: Recebem, em média, R$ 43,20 por hora.

  • Trabalhadores pretos: Recebem cerca de R$ 29,90 por hora para funções equivalentes.

Historicamente, entre 2012 e 2024, a renda domiciliar per capita da população negra manteve-se em torno de apenas 50% da renda da população branca. Esse fenômeno sugere que, embora todos os grupos tenham tido ganhos nominais, a distância relativa entre as bases e o topo da pirâmide social não sofreu alterações estruturais.

Regressividade fiscal e responsabilidade doméstica

O modelo tributário brasileiro, focado no consumo (impostos indiretos), agrava a situação da população negra. Como este grupo concentra-se nas faixas de menor renda, uma parcela proporcionalmente maior de seus ganhos é consumida por impostos embutidos em produtos básicos.

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Dentro deste cenário, as mulheres negras enfrentam o maior desafio. Elas acumulam as menores médias salariais, ocupações mais precárias e, frequentemente, a responsabilidade exclusiva pelo sustento e cuidado dos domicílios. Esse acúmulo de fatores faz com que os ciclos de recuperação econômica cheguem por último a esse segmento, dificultando a conversão de ganhos salariais em mobilidade social real.

Desafios na conversão de diploma em prestígio social

Nas últimas décadas, políticas de ação afirmativa e a expansão do acesso ao ensino superior aumentaram a presença de pessoas negras nas universidades e no serviço público. No entanto, o acesso à educação não tem garantido automaticamente a ocupação de cargos de alto prestígio ou liderança no setor privado.

As desigualdades permanecem profundas na pós-graduação, na produção científica e no mercado de trabalho qualificado. Especialistas apontam que o racismo sistêmico atua como um filtro que restringe a conversão dos títulos acadêmicos em ascensão profissional duradoura. Para superar esse quadro, economistas defendem que o país precisa ir além da gestão técnica da pobreza e enfrentar as estruturas de dominação que mantêm as hierarquias sociais praticamente inalteradas, apesar da flutuação positiva dos números macroeconômicos.


Com informações: Diplomatique

 

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