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Clima

Finlândia divulga relatório sobre danos históricos e climáticos contra o povo Sámi

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Documento de reconciliação vincula a preservação da cultura indígena à luta contra o aquecimento global e propõe autonomia sobre o território ártico

O governo finlandês apresentou o relatório final de sua Comissão da Verdade e Reconciliação, detalhando décadas de abusos e integração forçada impostos ao povo indígena Sámi. Diferente de comissões realizadas em outros países, o documento finlandês destaca as alterações climáticas como um fator central de opressão atual. O relatório argumenta que o aquecimento do Ártico, somado à exploração mineira e energética, ameaça o estilo de vida tradicional baseado na criação de renas e na pesca.

Historicamente, os Sámi foram submetidos a internatos residenciais e à imposição da língua finlandesa, o que resultou em perda cultural e territorial significativa. Atualmente, a população de cerca de 10 mil indígenas na Finlândia enfrenta invernos mais quentes e instáveis. O aumento das chuvas sobre a neve cria camadas de gelo que impedem as renas de alcançar o alimento, enquanto a redução das populações de salmão compromete a segurança alimentar das comunidades.

Recomendações para a justiça climática e territorial

O relatório contém quase 70 recomendações práticas para reformular a relação entre o Estado e os indígenas. A proposta central é garantir que os Sámi tenham maior autoridade sobre a gestão de suas terras e recursos naturais.

  • Fundo Climático: Criação de um Fundo Empresarial e Climático Sámi para apoiar ações de adaptação e proteger meios de subsistência.

  • Proteção Florestal: Proibição da exploração de florestas antigas em território indígena e pagamento de reparações pela indústria florestal aos pastores de renas.

  • Conhecimento Tradicional: Exigência de que planos de adaptação climática utilizem tanto a pesquisa científica quanto o saber ancestral para a restauração de ecossistemas.

  • Impacto Militar: Coordenação com as Forças de Defesa Finlandesas para reduzir os danos causados por exercícios de treinamento militar no Ártico.

O caminho para a reconciliação real

Após a publicação dos dados, o primeiro-ministro da Finlândia sinalizou que o governo deve desculpas formais ao povo Sámi. No entanto, lideranças indígenas e membros da comissão alertam que palavras de contrição podem ser puramente performáticas se não forem acompanhadas por compromissos legais de mudança estrutural.

Para especialistas, a verdade descrita no relatório é apenas o primeiro passo de um longo processo. A reconciliação dependerá da capacidade do Estado finlandês de ceder poder de decisão aos Sámi, reconhecendo que a sobrevivência dessa cultura é indissociável da proteção do ecossistema ártico contra a exploração predatória e o aquecimento global.


Com informações: Grist

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Brasil

São Paulo registra 37,2°C e bate recorde histórico de calor para dezembro

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Massa de ar quente estacionada sobre a Região Sudeste impede a chegada de frentes frias e eleva temperaturas em todo o estado; Pedro de Toledo atinge 42,1°C.


A cidade de São Paulo atingiu, neste domingo (28), a marca de 37,2°C, estabelecendo o novo recorde de temperatura para o mês de dezembro desde que as medições oficiais começaram, em 1943. O registro foi feito pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) na estação do Mirante de Santana, na Zona Norte, por volta das 16h. O recorde anterior havia sido estabelecido apenas dois dias antes, na sexta-feira (26), quando os termômetros marcaram 36,1°C.

O calor intenso não ficou restrito à capital, afetando severamente diversas cidades do interior e do litoral paulista. Em Pedro de Toledo, os termômetros chegaram aos 42,1°C, enquanto Miracatu registrou 41,6°C e Registro marcou 39,8°C. A persistência de uma massa de ar quente e seco sobre o Sudeste tem bloqueado o avanço de sistemas frontais, mantendo as temperaturas atípicas para o período.


Impactos da onda de calor no Sudeste

A atual condição climática abrange uma vasta área que inclui, além de São Paulo, partes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

  • Bloqueio Atmosférico: Uma massa de ar quente estacionária atua como uma barreira, impedindo a passagem de frentes frias que poderiam trazer alívio térmico.

  • Recordes Sucessivos: A frequência de novos recordes em um curto intervalo de tempo acende o alerta para a intensidade desta onda de calor.

  • Temperaturas no Interior: Cidades do Vale do Ribeira apresentaram os índices mais elevados do estado, ultrapassando a marca dos 40°C.

Previsão e cuidados

Enquanto a massa de ar quente não se dissipa, a recomendação das autoridades de saúde é reforçar a hidratação, evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico e manter ambientes ventilados. A ausência de chuvas significativas e a baixa umidade relativa do ar também aumentam o risco de problemas respiratórios e queimadas em áreas de vegetação.


Com informações: Agência Brasil

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Clima

Estudo revela que ciclos sazonais da Terra variam drasticamente em distâncias curtas

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Pesquisa utiliza dados de satélite para mapear a “assincronia sazonal” e explica como esse fenômeno impulsiona a biodiversidade e influencia a agricultura global

Um novo estudo publicado na revista Nature desafia a visão tradicional de que as estações do ano seguem um ritmo simples e uniforme. Pesquisadores compilaram um mapa global detalhado que demonstra que o “calendário da natureza” é extremamente complexo: regiões fisicamente próximas, mesmo na mesma latitude, podem apresentar tempos de floração e crescimento vegetal completamente divergentes.

De acordo com o ecologista Drew Terasaki Hart, do CSIRO na Austrália, essa variação é especialmente visível em regiões tropicais, áridas ou com clima mediterrâneo. Enquanto em altas latitudes (como na Europa e América do Norte) o crescimento das plantas é ditado principalmente pela temperatura, nos trópicos e em encostas de montanhas, a disponibilidade de luz e água cria nichos sazonais únicos em espaços reduzidos.

O caso do café na Colômbia e a biodiversidade

O estudo destaca o exemplo prático da cafeicultura na Colômbia. Em um país marcado por montanhas, fazendas separadas por apenas um dia de viagem podem ter ciclos reprodutivos tão dessincronizados quanto se estivessem em hemisférios opostos. Essa diferença explica a variedade de tipos de café colhidos em épocas distintas em uma mesma região geográfica.

Para a ciência, essa descoberta é fundamental para entender a alta biodiversidade dos trópicos:

  • Isolamento reprodutivo: Espécies que vivem próximas, mas florescem em meses diferentes, deixam de se cruzar.

  • Especiação: Ao longo de milhares de anos, essa dessincronização leva ao surgimento de novas espécies.

  • Adaptação: O mapeamento ajuda a prever como ecossistemas específicos estão reagindo às mudanças climáticas.

Implicações para o futuro

Os pesquisadores utilizaram 20 anos de dados de satélite que capturam a reflexão da luz infravermelha pela vegetação para criar esse mapa. Além da biologia evolutiva, os resultados têm implicações diretas na epidemiologia — ajudando a entender surtos de doenças ligadas a ciclos naturais — e na segurança alimentar, permitindo um planejamento agrícola mais preciso diante da variabilidade climática.


Com informações: Live Science.

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Clima

Crise energética e deficiência: lições da Tempestade de Inverno Uri no Texas

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Em novo livro, a pesquisadora Angela Frederick detalha como a falha na rede elétrica de 2021 expôs a vulnerabilidade de indivíduos dependentes de energia e a insuficiência das políticas públicas.


A Tempestade de Inverno Uri, que atingiu o Texas em fevereiro de 2021, não foi apenas um evento climático extremo, mas um marco de falha infraestrutural que revelou disparidades profundas na proteção social. Em sua obra recente, Energia Desativada, Angela Frederick, professora da Universidade do Texas em El Paso, explora as experiências de pessoas com deficiência e doenças crônicas que enfrentaram condições fatais durante o colapso da rede elétrica texana.

O estado do Texas destaca-se nos Estados Unidos por possuir uma rede elétrica isolada e desregulamentada, uma decisão política que remonta ao início dos anos 2000. Segundo Frederick, essa estrutura transformou a eletricidade em uma mercadoria negociável, em detrimento de sua função como bem público essencial. Quando o sistema falhou sob o peso do frio extremo, a ideologia de “individualismo rude” do estado mostrou-se insuficiente para proteger os cidadãos mais vulneráveis.

A vulnerabilidade dos indivíduos “dependentes de energia”

A pesquisa de Frederick introduz conceitos cruciais para entender a relação entre infraestrutura e saúde:

  • Vulneráveis ao poder: Indivíduos com doenças crônicas que sofrem mobilidade limitada ou dores intensas sem aquecimento ou refrigeração para medicamentos.

  • Dependentes de energia: Pessoas cuja sobrevivência imediata depende de equipamentos médicos duráveis movidos a eletricidade, como ventiladores pulmonares ou concentradores de oxigênio.

Para esses grupos, o corte de energia não representou apenas desconforto, mas um risco de vida imediato. O livro detalha histórias de sobrevivência extrema, como a de Rita, uma mulher indígena com insuficiência cardíaca que tentou manter-se aquecida em uma tenda usando aquecedores a propano em Austin.

Falhas nos registros de emergência e preparação individual

Um dos pontos mais críticos abordados pela autora é a ineficácia dos sistemas de registro. Muitos cidadãos haviam se registrado no STEAR (State of Texas Emergency Assistance Registry) e junto às empresas de serviços públicos como clientes dependentes de energia. No entanto, durante a crise, esses registros não garantiram a manutenção da luz ou assistência prioritária.

“As pessoas sentiram-se traídas. Foi-lhes pedido que se registassem, mas isso não significou nada no momento de maior necessidade”, afirma Frederick.

Isso demonstra, segundo a pesquisadora, as limitações do modelo de “preparação individual”. Embora estocar alimentos e suprimentos seja importante, a segurança real depende de políticas públicas que fortaleçam a infraestrutura crítica e tratem energia e água como direitos fundamentais protegidos.

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Redes de cuidado e resiliência comunitária

Diante da ausência de intervenção estatal eficaz, surgiram as chamadas “redes de cuidado”. Estas são redes informais e recíprocas compostas por pessoas com e sem deficiência que se apoiam mutuamente. Frederick observou que a comunidade surda e a comunidade cega em Austin organizaram-se espontaneamente para verificar o bem-estar de seus membros e distribuir recursos básicos, como água e comida.

Essas redes operam em contraste com modelos tradicionais de caridade, valorizando a interdependência e o conhecimento específico da comunidade sobre suas próprias necessidades.

Recomendações para o futuro planejamento climático

Com o agravamento da crise climática e a maior frequência de desastres, Frederick defende que as pessoas com deficiência devem estar no centro das estratégias de resposta. Atualmente, a maioria dos planos de emergência pressupõe que todos os cidadãos podem dirigir, ouvir alertas sonoros ou permanecer em longas filas para suprimentos.

Ao centrar o planejamento nas necessidades de quem possui deficiência, as autoridades podem identificar pontos de vulnerabilidade que, uma vez corrigidos, beneficiam toda a população. A conclusão da autora é clara: a resiliência a desastres não é apenas uma questão de kits de emergência individuais, mas de compromisso coletivo com a integridade das infraestruturas públicas.


Com informações: Grist

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