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Meio Ambiente

Holocausto climático: o oceano como peça-chave para evitar o ponto de não retorno

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Pesquisadores defendem a implementação do programa “Florestas Marinhas para Sempre” para captar recursos e restaurar ecossistemas vitais como recifes de corais e florestas de algas

O planeta enfrenta uma ameaça sem precedentes de atingir o “ponto de não retorno” em ecossistemas fundamentais, como a Amazônia e os recifes de corais. Segundo especialistas, o aquecimento recorde registrado em 2025 e a acidificação dos oceanos podem levar ao colapso total dos corais em menos de 15 anos. Diante deste cenário de “holocausto climático”, a COP30, realizada em Belém, marcou um momento histórico ao colocar o oceano no centro da agenda climática global. A principal aposta para mitigar esses danos é o programa Florestas Marinhas para Sempre, iniciativa publicizada em 2025 que busca financiamento multilateral para a conservação e restauração da biodiversidade costeira e marinha.

Inspirado no fundo para florestas tropicais, o programa foca no papel das algas e manguezais como “soluções azuis”. As florestas de algas, por exemplo, são potentes sumidouros de carbono e ajudam a reduzir a acidificação da água, protegendo a maricultura e a segurança alimentar de comunidades artesanais. O desafio agora reside na governança e no financiamento: enquanto o mundo gasta US$ 2,7 trilhões em armamentos, a agenda oceânica precisa de US$ 116 bilhões anuais para ser efetiva. A implementação do “Pacote Azul” é vista como a última oportunidade para honrar os compromissos da Década do Oceano e da Restauração até 2030.

O papel das florestas azuis na resiliência climática

Ecossistemas marinhos oferecem serviços ambientais essenciais para a sobrevivência humana:

  • Mitigação e Sequestro: Florestas de algas e manguezais absorvem grandes quantidades de CO₂, ajudando a frear o aquecimento global.

  • Segurança Alimentar: A aquicultura multitrófica integra a produção de biomassa marinha com alimentos terrestres, gerando emprego e renda.

  • Proteção Costeira: Recifes e gramas marinhas reduzem riscos de erosão e alagamentos causados pela subida do nível do mar.

  • Inovação Médica: A biodiversidade marinha é fonte para o desenvolvimento de novos fármacos e princípios ativos essenciais para a ciência.

Próximos passos e desafios políticos

A viabilização do programa depende de uma mudança de prioridades no orçamento nacional e internacional:

Iniciativa Objetivo Principal
Programa Florestas Marinhas Arrecadação de fundos para conservação e restauração costeira.
Planos de Ação Aquática (PAS) Fortalecer sistemas alimentares aquáticos resilientes à acidificação.
Pacote Azul (COP30) Acelerar soluções baseadas na natureza e elevar a soberania nacional sobre os mares.
Letramento Oceânico Informar a sociedade sobre os riscos da exploração de combustíveis fósseis.

Com informações: ECO

 

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Meio Ambiente

Como os veículos elétricos podem salvar a rede elétrica e reduzir sua conta de luz

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Algoritmos de carregamento inteligente e tecnologia V2G transformam carros parados em “baterias gigantes” para evitar colapsos no sistema de energia

A transição global para a eletrificação — com a substituição de fogões a gás por indução e carros a combustão por elétricos — impõe um desafio sem precedentes às concessionárias de energia. O aumento do consumo residencial, especialmente no início da noite, ameaça sobrecarregar redes elétricas já deficientes. No entanto, um novo relatório do Brattle Group revela que os veículos elétricos (VEs), antes vistos como um fardo para o sistema, podem ser a solução para estabilizar a rede e economizar bilhões de dólares em infraestrutura.

A estratégia central é o carregamento gerenciado ativo. Em vez de todos os proprietários carregarem seus carros assim que chegam em casa, algoritmos distribuem a demanda ao longo da madrugada. No estado de Washington, esse modelo economizou até US$ 400 por veículo anualmente para os motoristas, garantindo que a bateria estivesse cheia pela manhã. Além disso, a tecnologia V2G (veículo-para-rede) permite que os carros enviem energia de volta para a rede durante picos de demanda, funcionando como uma reserva estratégica que pode adiar atualizações caras no sistema por até uma década.

Inovações no gerenciamento de energia

O setor de utilidade pública está adotando duas abordagens principais para equilibrar a carga:

  • Tarifas por Tempo de Uso: Concessionárias cobram mais caro entre 16h e 21h e reduzem os preços após as 21h para incentivar o consumo noturno.

  • Carregamento Ativo: Aplicativos aprendem a rotina do motorista e iniciam a recarga apenas nos horários de menor estresse da rede, evitando picos súbitos.

  • Tecnologia V2G: Transforma frotas de veículos (como ônibus escolares) em fontes de energia de reserva, reduzindo a necessidade de construir usinas caras.

  • Economia Escalonada: O gerenciamento permite que a rede acomode o dobro de VEs antes de precisar de reformas estruturais, poupando o bolso do contribuinte.

O “balé” das baterias e o futuro da rede

O grande avanço esperado para 2026 é a integração total entre o carregamento inteligente e o fornecimento de energia para as casas. O sistema decide, de forma autônoma, descarregar uma pequena parte da bateria do carro às 18h para alimentar a residência e recarregá-la às 3h da manhã, quando a energia é abundante e barata. Esse ciclo não apenas reduz a conta de luz individual, mas retira a pressão sobre os transformadores de bairro, garantindo a estabilidade do fornecimento para toda a comunidade.


Com informações: Grist e Brattle Group

 

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Meio Ambiente

Fim da Moratória da Soja na Amazônia ameaça preservação da floresta após 20 anos

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Decisão de grandes exportadores de abandonar o acordo ocorre após nova lei em Mato Grosso extinguir incentivos fiscais para empresas que restringem compra de áreas desmatadas

Um dos pilares da conservação ambiental no Brasil, a Moratória da Soja na Amazônia, enfrenta o seu momento mais crítico desde que foi criada, em 2006. O acordo voluntário, que proíbe empresas de comprar soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, está sendo abandonado pelas principais gigantes do setor, como Cargill, Bunge e ADM. A decisão foi anunciada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) após a entrada em vigor, em 1º de janeiro de 2026, de uma lei em Mato Grosso que retira benefícios fiscais de empresas que aderem ao pacto. Para especialistas, o movimento é “autodestrutivo” e pode fechar portas para o produto brasileiro no mercado internacional.

O fim da moratória ocorre em um cenário de forte pressão dos produtores rurais, que classificam o acordo como um entrave econômico e um “cartel de compras” liderado por multinacionais. No entanto, ambientalistas alertam que a ausência do monitoramento rigoroso exercido nas últimas duas décadas coloca em risco vastas áreas de floresta e terras indígenas não demarcadas. Sem o selo da moratória, o desmatamento pode acelerar, transformando sumidouros de carbono em fontes de emissão e alterando o ciclo de chuvas, o que, ironicamente, prejudica a produtividade das próprias lavouras de soja a longo prazo.

Impactos e o novo cenário regulatório

A ruptura do acordo altera a dinâmica de sustentabilidade no agronegócio:

  • Pressão em Mato Grosso: O maior estado produtor de soja do país agora pune financeiramente as empresas que mantêm a restrição ao desmatamento legal.

  • Risco de Mercado: O abandono do pacto pode gerar barreiras comerciais, especialmente na Europa, onde consumidores exigem cadeias de suprimento livres de destruição florestal.

  • Crise Climática: A perda de cobertura vegetal na Amazônia reduz a evapotranspiração, diminuindo o volume de chuvas necessário para a agricultura.

  • Promessas Corporativas: Empresas como a Cargill afirmam manter metas individuais de desmatamento zero para 2030, mas especialistas alertam que esses prazos permitem anos de expansão sobre florestas nativas.

Contradição política e o legado de monitoramento

O enfraquecimento da moratória ocorre logo após a COP30 em Belém, onde o Brasil reafirmou seu papel de liderança climática. Para Ane Alencar, diretora do IPAM, a decisão da Abiove sinaliza que o setor privado está sentindo menos pressão para agir em favor da preservação, possivelmente influenciado por mudanças políticas globais. Embora a Abiove defenda que o Código Florestal será suficiente para o controle ambiental, o mercado e as ONGs temem que o monitoramento privado, considerado mais ágil e rigoroso que o estatal, deixe um vácuo que resultará em novos recordes de desmatamento na região amazônica.


Com informações: Grist

 

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Meio Ambiente

Oxfam aponta que 1% mais rico esgotou cota anual de carbono em apenas dez dias de 2026

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Relatório “Dia dos Ricos Poluidores” revela que elite global emite em um dia mais do que metade da população mundial em um ano inteiro

Uma nova análise da Oxfam Internacional, publicada este mês, revela a profunda desigualdade climática que marca o início de 2026. Segundo a organização, o 1% mais rico da população mundial consumiu, até o dia 10 de janeiro, toda a sua “cota justa” de emissões de carbono para o ano todo — volume compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Para o grupo dos 0,1% mais ricos, esse limite foi ultrapassado ainda mais cedo, no dia 3 de janeiro. O conceito de cota justa baseia-se no orçamento de carbono disponível dividido igualmente pelos 8,5 bilhões de habitantes do planeta, o que resultaria em cerca de 2,1 toneladas de CO₂ por pessoa ao ano.

O impacto desse consumo excessivo é alarmante: a Oxfam estima que as emissões desse grupo de elite podem causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século. Além da disparidade no consumo individual, o relatório destaca o papel dos investimentos financeiros dos bilionários, que financiam setores intensivos em combustíveis fósseis, e a influência política exercida por lobistas. Para reverter o cenário, a organização defende a taxação de super-ricos e de lucros excessivos de empresas de petróleo e gás, além de impostos punitivos sobre bens de luxo como jatos particulares e superiates.

Desigualdade nas emissões de carbono

A análise detalha a desproporção entre os diferentes extratos da população:

  • 1% mais rico: Emite, em média, 75,1 toneladas de CO₂ por pessoa ao ano (35 vezes a cota justa).

  • 0,1% mais rico: Supera a cota anual em apenas 72 horas; cada indivíduo emite em um dia o mesmo que metade da humanidade em um ano.

  • Necessidade de Redução: Para manter a meta de 1,5°C, esse topo da pirâmide precisaria reduzir suas emissões em 97% até 2030.

  • Impacto Econômico: Países de baixa renda acumulam perdas estimadas em US$ 44 trilhões devido ao consumo de carbono das nações e elites ricas.

A influência dos investimentos e da política

O relatório enfatiza que a crise climática não é apenas uma questão de consumo de luxo, mas de estrutura econômica. Cada bilionário possui investimentos vinculados a aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, o que “aprisiona” a economia global em modelos poluentes. Essa elite também utiliza seu poder de pressão política; na última conferência do clima da ONU no Brasil, lobistas de combustíveis fósseis somaram 1.600 representantes, superando quase todas as delegações nacionais. A Oxfam conclui que enfrentar a emergência climática exige uma transformação do sistema econômico, focando na responsabilização direta dos maiores poluidores.


Com informações: ECO

 

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