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Sociedade

Insurreição da consciência propõe a reconstrução das relações sociais e do trabalho

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Advogado e pesquisador Flaviano Cardoso defende que a sociedade deve resgatar a lucidez para enfrentar a falência ética na política, a violência de gênero e o adoecimento estrutural

Em um ensaio reflexivo sobre os desafios da contemporaneidade, Flaviano Cardoso analisa como a consciência humana é constantemente pressionada a abdicar do pensamento crítico. O autor argumenta que o mundo ao nosso redor é uma construção humana e que, por essa razão, pode ser reconstruído sempre que se converter em instrumento de opressão. A chamada insurreição da consciência surge como uma recusa ativa à apatia e ao desespero diante de crises que corroem a confiança social e a dignidade.

Um dos pontos centrais da reflexão é a crise na política institucional, exemplificada pelo uso de emendas secretas no Congresso Nacional. Cardoso afirma que o sequestro do orçamento público para interesses privados representa uma falência ética que desfinancia áreas vitais como ciência, educação e cultura. Para o autor, insurgir-se nesse contexto significa resgatar o sentido original das instituições: servir à vida coletiva em vez de grupos patrimonialistas.

O combate à violência e ao adoecimento laboral

O texto também aborda feridas abertas na estrutura social brasileira, como a persistência do feminicídio e o sofrimento mental no ambiente de trabalho. A análise destaca que esses problemas não são isolados, mas produtos de sistemas que priorizam o controle e o desempenho máximo sobre a humanidade.

  • Feminicídio: É descrito como a prova da falha do Estado e da sociedade. A insurreição da consciência exige educar e transformar estruturas simbólicas para garantir que as mulheres vivam sem medo.

  • Saúde do Trabalhador: Dados do INSS revelam que os afastamentos por transtornos mentais dobraram em uma década. No setor bancário, metas abusivas e assédio moral são apontados como métodos de gestão que produzem dor.

  • Direito de não adoecer: O autor defende que ninguém deve ser obrigado a sacrificar a saúde para produzir riqueza. O acolhimento aos colegas em sofrimento é apresentado como um dever ético e solidário.

Solidariedade global e o papel da arte

A consciência insurgente ultrapassa fronteiras ao denunciar a seletividade da empatia global diante de massacres humanitários em Gaza e na África. Flaviano Cardoso conclama os trabalhadores a reconhecerem sua capacidade histórica de reinventar o mundo, utilizando a arte e a organização coletiva como forças vitais. O objetivo final não é o caos, mas a reorganização consciente da vida para que a humanidade exista com dignidade, criatividade e sentido pleno.


Com informações: Diplomatique

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Meio Ambiente

Autogestão e agroecologia redesenham o consumo no Brasil

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Empreendimentos coletivos e cooperativas de consumo mostram que a união entre produtores e consumidores é a chave para preços baixos e justiça ambiental

O modelo tradicional de consumo, que separa quem produz de quem compra, está sendo desafiado por uma onda de autogestão comunitária que ganha força no Brasil. Iniciativas como o supermercado participativo Gomo Coop, em São Paulo, e a usina solar da Coopaq, em Alagoas, provam que o equilíbrio ecológico e a economia no bolso não são metas excludentes. Ao eliminar intermediários e o desperdício gerado pela competição desenfreada, esses modelos criam um ciclo de benefício mútuo que protege tanto o ecossistema quanto o orçamento familiar.

A lógica é simples, mas revolucionária: em vez de esperar que o mercado dite preços baseados na escassez, produtores e consumidores se organizam em pactos colaborativos. Nesse formato, a demanda é planejada e a oferta é garantida, assegurando que o alimento chegue à mesa com valores muito mais acessíveis. O resultado é o que especialistas chamam de “ligação imediata”, onde o impacto ambiental é positivo justamente porque não há excesso de produção descartado nem exclusão de quem não pode pagar os preços inflacionados das prateleiras comuns.

Além da economia direta, esse movimento ataca um problema central das grandes metrópoles: a injustiça ambiental. Historicamente, os problemas ecológicos atingem primeiro — e com maior força — as populações marginalizadas pelo mercado competitivo. Ao fortalecer hortas comunitárias, como o Parque Ecológico na favela da Maré, no Rio de Janeiro, a autogestão devolve a essas comunidades o controle sobre sua segurança alimentar e sobre o território onde vivem, transformando áreas antes degradadas em polos de produção agroecológica.

{ “action”: “image_generation”, “action_input”: “A vibrant and inspiring photo of a community-run organic market in a Brazilian urban area. People of diverse backgrounds are smiling and interacting, choosing fresh vegetables from wooden crates. In the background, there is a small solar panel setup and a lush green garden. The atmosphere is sunny, professional, and full of community spirit, highlighting the connection between local production and sustainable consumption.” }

Sustentabilidade com benefícios individuais e coletivos

Diferente do que prega o senso comum, adotar práticas sustentáveis não significa sacrificar a individualidade ou o conforto. O conceito contemporâneo de sustentabilidade, inspirado na gestão responsável da pesca, mostra que respeitar os ciclos naturais é a única forma de garantir a continuidade da própria renda. Para o consumidor, participar de grupos de compras coletivas ou redes ecológicas significa acessar produtos de alta qualidade, livres de agrotóxicos, por uma fração do preço de mercado.

A experiência de famílias que migram para o consumo direto com feirantes orgânicos demonstra que a proximidade física e o compromisso recíproco são os pilares dessa nova economia. Quando o consumidor se torna corresponsável pelo que é produzido, ele deixa de ser um mero comprador passivo e passa a integrar uma junta comunitária. Esse modelo de “consultas recíprocas” fortalece o comércio local e cria uma rede de proteção contra as oscilações bruscas da economia globalizada.

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Portanto, o fomento a essas práticas deve ser uma prioridade não apenas de movimentos sociais, mas também de governos que busquem soluções reais para a crise climática e a desigualdade social. Ao adotar a Natureza como um “terceiro sócio” nos negócios, a sociedade brasileira caminha para um modelo onde a eficiência econômica serve à vida, e não o contrário. A agroecologia e a autogestão deixaram de ser utopias para se tornarem ferramentas práticas de sobrevivência e prosperidade em 2026.


Com informações: Julio Lopes / ECO

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Distrito Federal

Mulheres da Colmeia lançam livro autobiográfico com apoio do MPDFT

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“Além das Grades, Dentro de Mim” reúne relatos de 19 internas da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, em um esforço de ressocialização pela escrita.

O sistema prisional do Distrito Federal acaba de ganhar uma obra que rompe o silêncio das celas para humanizar os processos judiciais. O livro “Além das Grades, Dentro de Mim: Relatos Autobiográficos de Mulheres na Prisão” foi lançado oficialmente como resultado do projeto “(Re)escrevendo Vidas: Vozes Femininas no Cárcere”. A iniciativa, promovida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em parceria com a Penitenciária Feminina (PFDF) e o Centro Educacional 01 (CED 01), propõe que a literatura seja uma ferramenta de reinvenção pessoal.

Para as 19 internas selecionadas, o projeto não foi apenas um exercício de redação, mas um processo terapêutico e reflexivo. Orientadas por professoras e inspiradas por obras de mulheres resilientes, como Viola Davis, elas mergulharam em suas próprias memórias para construir os quatro capítulos da obra: o mundo que as formou, o que as fragilizou, o que as aprisionou e o mundo que hoje as refaz. Como escreveu a interna Mayara B.: “Nunca é tarde para recomeçar”.

Segundo a promotora de justiça Raquel Tiveron, coordenadora do Nupri, a obra é fundamental para que os operadores do Direito e a sociedade enxerguem além dos autos. “A leitura nos tira da frieza do processo e nos apresenta o lado humano”, destacou. O projeto, que foca na justiça ambiental e social dentro do sistema carcerário, foi premiado em 2025 por sua proposta inovadora de inclusão e fortalecimento da autoestima.

A Estrutura da Obra e o Processo Criativo

O livro foi cuidadosamente editado para refletir a complexidade das trajetórias dessas mulheres, sem romantizar o crime, mas reconhecendo a humanidade ferida.

  • Temas Centrais: Infâncias marcadas pela pobreza, violência doméstica, abandono e o impacto devastador da dependência química.

  • Oficinas Pedagógicas: Encontros conduzidos pelas professoras Valdiceli Rocha e Márcia Daniela Fernandes, focados em escuta ativa e respeito.

  • Objetivo Social: Ressignificar o passado para projetar um futuro de liberdade com vínculos familiares e sociais restabelecidos.

  • Inovação: O projeto foi selecionado pelo Edital de Inovação Institucional do MPDFT (2025).

A educação e a cultura dentro das unidades prisionais, como a “Colmeia” (PFDF), são pilares essenciais para reduzir a reincidência e promover a verdadeira ressocialização no DF.


Com informações: MPDFT

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Meio Ambiente

Como os veículos elétricos podem salvar a rede elétrica e reduzir sua conta de luz

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Algoritmos de carregamento inteligente e tecnologia V2G transformam carros parados em “baterias gigantes” para evitar colapsos no sistema de energia

A transição global para a eletrificação — com a substituição de fogões a gás por indução e carros a combustão por elétricos — impõe um desafio sem precedentes às concessionárias de energia. O aumento do consumo residencial, especialmente no início da noite, ameaça sobrecarregar redes elétricas já deficientes. No entanto, um novo relatório do Brattle Group revela que os veículos elétricos (VEs), antes vistos como um fardo para o sistema, podem ser a solução para estabilizar a rede e economizar bilhões de dólares em infraestrutura.

A estratégia central é o carregamento gerenciado ativo. Em vez de todos os proprietários carregarem seus carros assim que chegam em casa, algoritmos distribuem a demanda ao longo da madrugada. No estado de Washington, esse modelo economizou até US$ 400 por veículo anualmente para os motoristas, garantindo que a bateria estivesse cheia pela manhã. Além disso, a tecnologia V2G (veículo-para-rede) permite que os carros enviem energia de volta para a rede durante picos de demanda, funcionando como uma reserva estratégica que pode adiar atualizações caras no sistema por até uma década.

Inovações no gerenciamento de energia

O setor de utilidade pública está adotando duas abordagens principais para equilibrar a carga:

  • Tarifas por Tempo de Uso: Concessionárias cobram mais caro entre 16h e 21h e reduzem os preços após as 21h para incentivar o consumo noturno.

  • Carregamento Ativo: Aplicativos aprendem a rotina do motorista e iniciam a recarga apenas nos horários de menor estresse da rede, evitando picos súbitos.

  • Tecnologia V2G: Transforma frotas de veículos (como ônibus escolares) em fontes de energia de reserva, reduzindo a necessidade de construir usinas caras.

  • Economia Escalonada: O gerenciamento permite que a rede acomode o dobro de VEs antes de precisar de reformas estruturais, poupando o bolso do contribuinte.

O “balé” das baterias e o futuro da rede

O grande avanço esperado para 2026 é a integração total entre o carregamento inteligente e o fornecimento de energia para as casas. O sistema decide, de forma autônoma, descarregar uma pequena parte da bateria do carro às 18h para alimentar a residência e recarregá-la às 3h da manhã, quando a energia é abundante e barata. Esse ciclo não apenas reduz a conta de luz individual, mas retira a pressão sobre os transformadores de bairro, garantindo a estabilidade do fornecimento para toda a comunidade.


Com informações: Grist e Brattle Group

 

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