Na região amazônica, a capacitação de mulheres tem se mostrado uma estratégia para o desenvolvimento sustentável de comunidades. Embora as mulheres compartilhem responsabilidades em atividades como agricultura e pesca, elas frequentemente enfrentam a acumulação de tarefas domésticas e desafios de acesso a posições de liderança e espaços de decisão. É nesse contexto que programas de capacitação buscam oferecer ferramentas para que seus conhecimentos e habilidades se convertam em oportunidades de renda e autonomia.
A implementação de formações profissionais tem gerado resultados concretos em diversas comunidades da floresta. Cursos de gastronomia, por exemplo, têm permitido a criação e gestão de negócios locais. Muitas mulheres agora lideram pousadas, projetos de artesanato e iniciativas de turismo de base comunitária, fortalecendo a economia local e promovendo novas formas de liderança feminina.
Além das habilidades tradicionais, a capacitação em áreas técnicas também tem sido explorada. Oficinas de conserto de eletrodomésticos ensinam mulheres a reaproveitar e consertar itens como liquidificadores e batedeiras, transformando o conhecimento em uma fonte de sustento. Na área da comunicação, jovens mulheres têm assumido a gestão de redes sociais, utilizando a tecnologia como uma ferramenta para divulgar suas comunidades e estabelecer novos diálogos.
Superando Desafios e o Papel da Tecnologia
Apesar dos avanços, o caminho para o protagonismo feminino na Amazônia enfrenta desafios. O tempo disponível para participar de capacitações é um obstáculo comum, já que muitas mulheres conciliam múltiplos papéis, como mães, cuidadoras, trabalhadoras e líderes comunitárias. A falta de letramento digital e o acesso limitado a equipamentos tecnológicos também representam barreiras para o acesso a oportunidades de formação online.
No entanto, as iniciativas continuam a evoluir, utilizando a tecnologia para superar distâncias e conectar as comunidades. O acesso a equipamentos e treinamento digital é considerado fundamental para que as mulheres possam se beneficiar plenamente das oportunidades de aprendizado e empreendedorismo oferecidas por plataformas digitais.
A valorização dos saberes tradicionais é um pilar desses programas. O conhecimento ancestral sobre o manejo da floresta e a transformação de sementes e fibras em biojoias, por exemplo, é integrado a inovações de design e marketing. Essa combinação entre tradição e tecnologia não apenas fortalece a bioeconomia amazônica, mas também garante que o conhecimento transmitido de geração em geração se mantenha relevante no cenário atual.
Exemplos de Liderança e o Impacto na Comunidade
As histórias de sucesso de empreendedoras e líderes servem como inspiração e modelo para outras mulheres na região. Um exemplo é a trajetória de Neurilene Cruz, do povo Kambeba. Ela iniciou seu negócio com uma pequena cozinha para atender trabalhadores locais e, posteriormente, expandiu a operação para criar o restaurante Sumimi, gerido exclusivamente por mulheres. O restaurante se tornou uma referência em gastronomia tradicional amazônica e projetou Neurilene para espaços de destaque, onde ela compartilha sua experiência de autonomia e liderança.
Outros exemplos de liderança feminina florescem em associações e negócios locais, onde mulheres conduzem projetos de artesanato e pousadas. Essas trajetórias individuais contribuem para um processo de empoderamento coletivo, incentivando mais mulheres a ocupar posições de liderança e a buscar oportunidades para seu desenvolvimento pessoal e profissional.
O fortalecimento da mulher na Amazônia é uma questão central para a sustentabilidade da região, que depende do equilíbrio social, econômico e ambiental. A capacitação em empreendedorismo e a valorização do conhecimento feminino são reconhecidas como elementos essenciais para que as mulheres tenham um papel decisivo no futuro da floresta.
Com informações: ECO