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Comportamento

Mundo chega a mais de 1 bilhão de obesos, diz estudo

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A título de comparação, essa quantidade representa aproximadamente cinco vezes a população total do Brasil

O número de obesos no mundo ultrapassou 1 bilhão de pessoas. A título de comparação, essa quantidade representa aproximadamente cinco vezes a população total do Brasil. É o que revela um estudo conduzido pelo consórcio internacional NCD-Risc com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Baseada em dados de 2022, o estudo estimou aproximadamente 879 milhões de adultos e 159 milhões de crianças e adolescentes com obesidade. Esse último grupo, aliás, viu a quantidade de indivíduos obesos quadruplicar em relação a três décadas atrás.

Para o Dr. Manoel Quintino, médico e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), os dados são “alarmantes”, principalmente porque a condição leva a uma maior incidência de diversos problemas de saúde (hipertensão, diabetes, síndrome metabólica, doenças osteomusculares, alguns tipos de câncer, entre outros).

Ele explica que o tema da obesidade é complexo e fruto de diferentes causas, que incluem o sedentarismo e os hábitos alimentares da população. “Alimentos ultraprocessados e hiper palatáveis, bem como fast-foods, são elementos constantes na dieta das pessoas. Isso por diversos motivos: desde o alívio da ansiedade ou a recompensa após um dia duro de trabalho (o famoso ‘eu mereço’) até a mera satisfação de um desejo incitado por milhões de propagandas que inundam as redes sociais”, afirma.

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Dr. Manoel Quintino, no entanto, faz a ressalva de que o problema precisa ser enxergado além disso. Ele reconhece que há muito preconceito e falta de informação, inclusive entre profissionais de saúde.

“A obesidade ainda é vista por muitos médicos como uma simples escolha do paciente, a escolha de não ‘fechar a boca’ e simplesmente comer mais. Como especialista no tratamento dessa condição, posso tranquilamente afirmar que esses profissionais estão muito enganados”, reflete, acrescentando que há vários mecanismos patológicos que levam alguém a se tornar obeso

Outro agravante é a dificuldade no acesso à terapia medicamentosa para a obesidade no Brasil. O médico relata que os medicamentos podem custar de R$ 1 mil até R$ 10 mil, valores que estão muito acima do poder aquisitivo de grande parte da população, em especial das camadas mais pobres.

Obesidade entre crianças e adolescentes

Sobre o fato de a pesquisa indicar o aumento da quantidade de crianças e adolescentes obesos, Dr. Manoel Quintino diz que vê essa realidade diariamente nos atendimentos a pacientes pediátricos.

“Os motivos não se distanciam muito dos que levaram ao aumento da obesidade entre adultos. Já existem diversos estudos que afirmam que filhos de pais obesos têm chances muito aumentadas de serem crianças e adultos também obesos”, complementa.

Ele explica que essas pessoas crescem em um “ambiente obesogênico”. Isto é, uma criança filha de pais sedentários que se alimentam mal também acabará tendo uma dieta inadequada e fazendo pouca atividade física. Com o passar do tempo, houve ainda uma mudança no lazer dos mais jovens. Os equipamentos eletrônicos tomaram o lugar de esportes e brincadeiras ao ar livre, que resultam em menor gasto calórico.

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Redução da obesidade

Para Dr. Manoel Quintino, a redução no número de pessoas obesas “depende de muitos fatores, muitos mesmo”. Ele cita que é necessário haver conscientização sobre o assunto para as crianças desde a escola e a criação de políticas públicas que facilitem o acesso a tratamentos.

A boa notícia, diz ele, é que a ciência tem evoluído bastante nos últimos anos. Há, inclusive, pesquisas com um medicamento que mostrou perdas de peso superiores aos da cirurgia bariátrica em alguns grupos.

“Eu aplico a abordagem de visitas semanais, com auxílio de uma equipe multidisciplinar. Toda semana o paciente vai acompanhando sua evolução. Isso ajuda a pessoa a se manter motivada e praticamente zera as taxas de abandono do tratamento”, diz Dr. Manoel Quintino.

Dr. Manoel Quintino cita um estudo assinado por diversos especialistas na publicação científica Frontiers in Nutrition que investigou a porcentagem de pacientes que abandonam a busca pelo emagrecimento. ”Essa taxa chega a 21% em 2 meses, 44% em 6 meses e 68,5% em 12 meses.

“O que esses dados mostram é que quanto mais de perto o paciente for acompanhado, quanto mais visto e reavaliado, maiores são as taxas de sucesso”, finalizando, ressaltando a importância de buscar ajuda profissional e, em hipótese nenhuma, recorrer à automedicação.

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Fato Novo com informações e imagens: Estadão / Jornal de Brasília

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Clima

A Ilíada: o que épico da literatura grega nos ensina sobre mudanças climáticas e masculinidade atual

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Um dos dois grandes poemas épicos de Homero que sobreviveram, A Ilíada, se desenrola ao longo de dois meses no último ano da Guerra da Tróia

Os gregos – liderados por Agamenon e tendo Aquiles como seu maior guerreiro – tentam capturar a poderosa cidade de Troia. Os troianos – cujo líder era Heitor – resistem durante 10 anos.

Neste combate mortal escrito por Homero, que se tornou um dos maiores clássicos da literatura mundial, há também um elenco de coadjuvantes formado por deuses e deusas que frequentam o campo de batalha para influenciar os acontecimentos da guerra.

Enquanto os deuses discutem e os homens lutam, as mulheres de Troia são limitadas a observar a guerra a partir das muralhas da cidade e a esperar que os seus maridos e filhos regressem para casa.

Cada geração interpreta A Ilíada de uma maneira diferente. A obra acaba representando um espelho dos tempos em que é lida, mas esse espelho também reflete o período em que foi escrita.

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Em texto publicado pela BBC Culture, a tradutora Emily Wilson – a primeira mulher a traduzir a Odisseia de Homero para o inglês, edição lançada recentemente no Reino Unido – conversa com a classicista e escritora Natalie Haynes, cujo último livro, Divine Might, explora as histórias das deusas gregas envolvidas com a guerra, mas também como os sentimentos de honra e reputação, tão presentes no poema, falam sobre padrões de masculinidade.

Para elas, a obra também aborda outros temas da atualidade: as mudanças climáticas e como a natureza reage à intervenção do homem.

Como A Ilíada é um ‘filme de ação’

Natalie Haynes – Seu novo livro é uma leitura propulsiva. Vai arrastar as pessoas, porque parece um filme de ação. E a Ilíada é um pouco isso, em partes, não é? As coisas realmente acontecem em um ritmo acelerado.

Emily Wilson – Muitas coisas acontecem rapidamente. Quero dizer, tanto coisas materiais quanto emocionais, e elas acontecem de forma muito intensa e muito rápida o tempo todo. E muitas vezes é muito, muito barulhento e intenso. E você tem que sentir tudo isso e querer que continue, mesmo que seja horrível.

Haynes – Muitos personagens morrem em combate. Me perguntei se foi doloroso escrever essas partes depois de um tempo. Porque muitas das mortes são incrivelmente violentas e explícitas.

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Não há sensação de que a câmera está se afastando, parece que a imagem está realmente perto. Já escrevi antes que não há vencedor no combate corpo a corpo, há apenas um sobrevivente. Mas você realmente sente isso na Ilíada, foi difícil?

Wilson – Foi difícil, porque sempre há muita compaixão também. Há um tipo horrível de excitação. Eu senti que, às vezes, estava em contato com partes realmente desagradáveis ​​de mim mesmo que estavam gostando da violência e saboreando isso. Há uma espécie de emoção visceral ao contemplar cenas de massacre, e eu certamente senti essa emoção e então pensei ‘o que eu tenho feito?, como estou acreditando nisso?

E, no entanto, ao mesmo tempo, há tanta compaixão e você sente a dor de uma forma que não necessariamente sentiria se fosse um filme de ação de Hollywood, onde os personagens existem apenas para explodir.

Acho que isso acontece até mesmo com personagens que aparecem em apenas uma linha do poema, por exemplo: ‘Então a lança atravessa seu fígado’. E nós sabemos apenas o nome de seu pai ou o nome de sua terra natal.

Andrômaca interceptando Heitor, em pintura de Fernando Castelli, 1811

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto,Andrômaca interceptando Heitor, em pintura de Fernando Castelli, 1811

Fama e glória eterna para homens

Haynes – Eu queria falar rapidamente sobre a busca pela glória e fama de imortal, porque eles parecem tão essenciais para aquela sociedade, e também para nós. É realmente difícil encontrar uma linguagem que não faça isso parecer essencialmente trivial.

E você tem que parar e lembrar a si mesmo, e lembrar aos leitores ou ouvintes, que aquela era uma sociedade sem os mesmos registros que temos agora. Esta é a sua chance – se você se tornar famoso o suficiente para ser imortalizado na música, é isso que significa viver além do seu tempo de vida. Há algo muito mais elementar na busca pela fama na Ilíada do que em nosso mundo, por exemplo.

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Wilson – Sim, acho que está certo. Acho que os leitores modernos às vezes têm a tendência de banalizar a busca central da Ilíada, aquela escolha dos guerreiros de arriscar suas vidas pela fama ou para evitar a vergonha, tanto nesta vida quanto depois, tendo um legado no próprio poema como nome e também legado na paisagem, como ter um monumento em sua homenagem.

Há uma ótima passagem onde Heitor fala sobre a esperança de deixar sua marca na paisagem ao ter um túmulo para uma de suas vítimas. Então alguém, passando por ali em algum momento futuro, pode falar: ‘aquele túmulo é de alguém morto pelo grande Heitor’ .

Acho que você está absolutamente certa de dizer que é um salto imaginativo que temos que dar para estar no mundo deste poema.

Para entender que isso realmente importa. E que também o poema apresenta essa imagem como um caso de sucesso.

O poema existe para falar sobre o sucesso, mas também apresenta o fracasso.

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Os deuses Apolo e Poseidon deixam acontecer um desastre ambiental, com toda a planície de Troia sendo destruída.

Ilíada como metáfora ambiental e apocalíptica

Haynes – A ideia da Ilíada como uma espécie de metáfora ambiental e apocalíptica é algo que considero uma forma relativamente nova de olhar para o poema.

Mesmo a ideia da Guerra de Tróia, pelo menos em algumas das suas versões, é que há demasiadas pessoas e que nos tornamos demasiado pesados, e a Terra está gemendo sob o nosso peso. E eles têm os conflitos tebanos, e isso livra algumas pessoas, mas não o suficiente. E assim eles provocam a Guerra de Tróia. É uma metáfora de ansiedade da população?

Wilson – É verdade, sim, e sabemos pelas notas antigas do início da Ilíada, e por um poema que não sobreviveu inteiramente, chamado The Cypria, que um mito antigo, o ‘plano de Zeus’ (referido no início da Ilíada), implicou a dizimação da população humana porque eles são um fardo para a Terra.

Não creio que essa seja a única maneira de ler a Ilíada agora, mas acho que em épocas anteriores, as pessoas muitas vezes queriam conectá-la a uma guerra específica que estava acontecendo naquela época.

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Por exemplo, ‘a Ilíada é como a Guerra Civil Inglesa, ou a Ilíada é como o Vietnã ou a Ilíada é como a Segunda Guerra Mundial?’ Acho que ao ler A Ilíada em 2024, poderíamos conectá-la a qualquer um dos muitos conflitos e tipos de violência humana que estão acontecendo no mundo, mas acho que também ressoa realmente com a ideia de que a maioria de nós vive em lugares que não podem ser habitada por humanos por muito mais tempo.

E nesse sentido, estamos repetindo a posição daqueles que vivem tanto no acampamento grego quanto na cidade de Tróia: não haverá humanos lá por muito mais tempo depois que este poema terminar.

Aquiles contra a natureza
Disputa entre Aquiles e Agamenon, em pintura de de Felice Giani (1758-1823),

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto,Disputa entre Aquiles e Agamenon, em pintura de de Felice Giani (1758-1823),

Haynes – Às vezes, a natureza até se levanta para protestar contra as ações dos personagens, como no momento em que Aquiles sufoca os rios com corpos. Talvez haja uma metáfora melhor para a terrível futilidade da vida humana e da guerra, e também para os terríveis danos causados ​​à natureza.

Wilson – Absolutamente – e é incrível, porque nunca vimos um humano lutando com a própria paisagem antes, da maneira que Aquiles faz ao sufocar o rio com corpos, o [rio] Scamander subindo e dizendo a ele para parar de fazer isso, e ainda assim ele quer seguir em frente.

Depois terminamos com a luta contra o fogo e a água, com o rio se voltando contra o deus do fogo.

Certamente, isso ressoa com os incêndios florestais e inundações em todo o mundo hoje.

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Há esta sensação de que os humanos foram longe demais e causaram um dano ao mundo, e o fogo e a água estão se levantando contra nós e tentando nos dizer para parar, e ainda assim queremos continuar.

O que a Ilíada significa hoje

Haynes – Temos que continuar redescobrindo Homero, não é? Por quê?

Wilson – Sim, definitivamente. Penso que novas traduções são um convite a uma releitura em um momento cultural diferente e com sensibilidades literárias, estéticas e culturais distintas. As perguntas que os estudiosos de Homero fazem agora aos poemas originais são diferentes daquelas que as pessoas faziam no início do século 20.

Já falei sobre a Odisseia como um poema sobre a colonização e da Ilíada como uma obra em parte sobre um desastre climático e também sobre a cultura das celebridades.

Todas essas coisas que nos preocupam nesse momento, tipo, ‘qual é a relação entre humanos e tecnologia?’ A Ilíada fala sobre isso tudo. E, claro, Ilíada tem formas diferentes de falar sobre cada uma dessas coisas.

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Por que Ilíada é sobre masculinidade
Chiron e Aquiles, pintura de de artista desconhecido, do século I

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto,Chiron e Aquiles, pintura de de artista desconhecido, do século I

Haynes – Pensei por muito tempo e argumentei que Ilíada também é sobre o que significa ser um homem e diferentes tipos de masculinidade.

Modelos desses diferentes tipos de masculinidade estão disponíveis ao longo do poema, a cada momento, na vida de um homem.

A raiva de Aquiles; a toxicidade de Agamenon; o carinho, a cura de Pátroclo; a devoção de Heitor; a inteligência de Odisseu; o idoso e medroso patriarca de Príamo. Você acha que é por isso que o poema ainda ressoa tão fortemente: ele tem muito a nos dizer sobre a masculinidade?

Wilson – Acho que tem muito a nos dizer sobre ser homem e, como você diz, sobre as variedades de masculinidade e como elas estão ligadas a todos tipos de vulnerabilidade. Quero dizer, há no poema muitas maneiras de ser homem e muitas compulsões sociais diferentes que esses homens carregam.

Há uma frase famosa sobre ensinar Aquiles a ser ‘um orador e guerreiro habilidoso’. E para ser um homem neste poema, você tem que ser o melhor em pelo menos duas características completamente diferentes.

Você tem que ser habilidoso para reunir o máximo de apoio e riqueza, como Agamenon reunir o máximo de riqueza, e você tem que ser o melhor em falar monotonamente nas reuniões do conselho, como Nestor – há muitas categorias diferentes disso.

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E, no entanto, há também muita consciência de que ser homem está ligado a um tipo de orgulho e senso de identidade que pode isolar a pessoa, e ser o melhor significa estar à frente de todos os outros.

E é esta a questão que está no cerne do poema: pode haver uma comunidade de homens? Se a masculinidade tem tudo a ver com ser melhor do que qualquer outro homem, então como os homens podem ficar juntos sem se matarem? O poema explora a possibilidade de os homens algum dia pertencerem a uma comunidade que não envolve apenas cortar os olhos uns dos outros.

E temos um pouco de vislumbre de como isso pode ser.

Acontece nos jogos funerários, quando os homens ainda estão hábeis em áreas totalmente diferentes. Um homem é bom em corridas de carruagem e outro homem é bom na corrida a pé, mas há prêmios suficientes para que todos sejam contemplados sem que haja uma matança.

Muito do poema está focado nisso.

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No grego, os termos com os quais eu realmente lutei são cognatos com a palavra ‘homem’, mas sugerem um excesso de masculinidade, e o poema está explorando: ‘Você pode ser um homem?’ É isso que mata Heitor? Ele é tanto um homem que está sempre à frente dos outros. É isso que causa a raiva de Aquiles. Ele tem um desejo mais do que humano de ferir Heitor, mas também deseja replicar sua honra em um grau infinito.

Outro ponto inteligente do poema versa sobre o entrelaçamento de zombaria e medo da vergonha desonrosa. Eles estão sempre entrelaçados.

O campo de batalha é um lugar onde você ganha honra, mas também onde as pessoas lançam insultos um para o outro. O que é ser o melhor no campo de batalha? É apenas jogar lanças? Não, é também insultar o inimigo da maneira mais cruel.


Fato Novo com informações e imagens: BBC

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Ciência

Cientistas fazem descoberta surpreendente a respeito dos sonhos

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Pesquisadores do Laboratório de Sono e Cognição da Universidade da Califórnia procuram possíveis funções que têm ligação com ato de sonhar

Ao longo dos séculos, o sonho vem despertando extremo interesse da sociedade e dos pesquisadores. Agora, cientistas do Laboratório de Sono e Cognição da Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos, procuraram identificar possíveis funções que tenham ligação com o ato de sonhar.

O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports e revelou resultados surpreendentes.

“Descobrimos que as pessoas que relatam ter sonhado apresentam maior processamento de memória emocional, o que sugere que os sonhos nos ajudam a lidar com nossas experiências emocionais”, declarou a professora de Ciências Cognitivas da universidade e diretora do laboratório, Sara Mednick, em comunicado.

“Isso é significativo, porque sabemos que os sonhos podem refletir nossas experiências quando estamos acordados, mas essa é a primeira evidência de que eles desempenham um papel ativo na transformação de nossas respostas a essas experiências, priorizando as memórias negativas em detrimento das neutras e reduzindo nossa resposta emocional a elas no dia seguinte”, destacou a cientista.

Em resumo, os pesquisadores concluíram que as pessoas que se lembravam dos sonhos tiveram melhor regulação emocional e consolidação de memória. Além disso, passaram a reagir melhor diante de experiências negativas do dia anterior do que aquelas que não sonharam.

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O trabalho envolveu 125 mulheres, com média de idade de 30 anos, que já participavam de um outro estudo maior sobre ciclos menstruais.

A pesquisa teve início às 19h30, quando elas analisavam inúmeras imagens que mostravam experiências negativas ou neutras, como, por exemplo, um acidente de carro e um campo de grama. Elas, então, assinalavam uma pontuação de 0 a 9 em uma escala de intensidade do sentimento em relação a cada uma das fotos.

Na sequência, elas recebiam outro conjunto de imagens com fotografias novas e outras repetidas. A tarefa era assinalar de novo a pontuação de sentimento e indicar quais fotos estavam aparecendo novamente.

O objetivo das missões era medir o padrão da memória de cada voluntária e a resposta emocional às específicas experiências retratadas.

Depois disso, as mulheres iam dormir, ou em casa ou no próprio laboratório da universidade, e usavam um anel que monitorava os padrões de sono.

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No dia seguinte, elas contavam se sonharam ou não. As voluntárias que declararam ter sonhado escreviam em uma espécie de diário exatamente o que ocorreu em sua imaginação, com detalhes. Além disso, diziam qual o humor geral do sonho dentro de uma escala de sete pontos, que vai de negativo para positivo. Depois, todas repetiam o teste das imagens feito na noite anterior.

Confira o resultado final

Como resultado, as participantes que relataram ter sonhado demonstraram melhores desempenhos de memória ao relembrar as fotos e foram menos reativas às imagens consideradas negativas, algo que não foi observado nas mulheres que não se lembraram de ter sonhado.

Outro aspecto interessante é que quanto mais positivo era o sonho, também mais positiva era a classificação das imagens no dia seguinte.

“Nosso trabalho fornece o primeiro suporte empírico para o envolvimento ativo do sonho no processamento da memória emocional dependente do sono, sugerindo que sonhar após uma experiência emocional pode nos ajudar a nos sentirmos melhor pela manhã”, declarou Jing Zhang, um dos autores do estudo, que faz pós-doutorado na Universidade de Harvard.

“Essa pesquisa nos dá uma nova visão do papel ativo que os sonhos desempenham na forma como processamos naturalmente nossas experiências cotidianas e pode levar a intervenções que aumentem o sonho para ajudar as pessoas a superar experiências difíceis na vida”, acrescentou Sara  Mednick.


Fato Novo com informações: Revista Fórum

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Comportamento

Especialistas explicam como o luto materno e a nova política de humanização apoia milhares de mulheres

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A Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental foi aprovada em abril de 2024 pela Câmara e agora está em análise no Senado

Com a aprovação da Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental pela Câmara, o atendimento humanizado e destinado às mães, pais e familiares no momento do luto por perda gestacional, óbito fetal e neonatal estará assegurado. Entre os diferenciais apontados pela nova política, está a necessidade de as gestantes que sofreram com a perda de seus bebês serem acomodadas em ala separada nos hospitais onde deram à luz. O texto é de autoria da deputada Geovania de Sá (PSDB-SC), e aproveitou-se o material da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Dados divulgados pelo Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal, em 2023, mostram que foram registradas 20,2 mil mortes, o menor de uma série histórica desde 1996. O número representa queda de 62% das mortes até 1 ano, se comparado com o início do monitoramento, quando o total ficou em 53,1 mil. Apesar da queda nos números, ainda é alarmante. Segundo a psicóloga e especialista em luto, Lília Lavor, o luto é um processo natural, uma reação esperada diante da perda de algum vínculo importante.

“Quando falamos de luto, falamos do rompimento de um vínculo que estrutura nossa identidade de alguma forma, que nomeia nosso lugar no mundo. Quando a questão é a perda perinatal, é sobre alguém que espera algo que não chega, que não vai ser apresentado para a família, que não vai responder à expectativa. A morte de um bebê é o fim de uma narrativa construída no imaginário familiar, a interrupção de inúmeras possibilidades”, explica a especialista que faz parte do Cuida, um projeto cujo objetivo é estimular a prática do cuidado entre as pessoas.

Quais as principais necessidades que uma mãe enlutada necessita?

A invalidação do luto tem potencial traumático e não é raro perceber essa dinâmica em frases como “calma, você é jovem, poderá ter outros filhos”, “pelo menos ainda não tinha nascido”. O não reconhecimento desse sofrimento sufoca as emoções que envolvem a perda. “A vivência desse processo é complexa e intensa, podendo ter impacto nas dimensões física, psíquica, espiritual e social, mas é por meio desse processo que é possível construir novas formas de funcionar no mundo sem a pessoa amada”, explica a psicóloga Lília.

A médica paliativista e intensivista, Carol Sarmento, complementa que a maior ajuda e estratégia que as pessoas próximas podem ter é dar espaço para que a pessoa entre em contato com a dor, fale dela, vivencie e sinta o luto. “Somente assim a pessoa enlutada poderá elaborar e lidar melhor com o luto. Não existe um tempo pré-determinado para durar o luto. O tempo necessário para elaboração da perda e para a vivência do luto é individual e variável de pessoa para pessoa; quanto mais validado o luto seja, melhor a capacidade de elaboração da perda”, explica a idealizadora do projeto Cuida.

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“Percebo uma tendência social em pouco validar o luto perinatal, que inclui as perdas ocorridas na gestação a partir da 22ª semana até completar 29 dias de vida do bebê. Nessas questões do luto perinatal, especialmente, há que se ter um cuidado extremo durante gestações de alto risco, nas comunicações com a gestante e familiares, até nos cuidados e vigilância pós-óbito. A perda gestacional/neonatal é socialmente desconsiderada, o que torna esse luto pouco reconhecido, em que o enlutado não se sente autorizado a expressar a dor da sua perda e seu luto”, conclui Carol Sarmento.

Sobre o luto perinatal e a relação do médico e paciente

A paliativista e intensivista, Carol Sarmento, explica que além de uma comunicação empática e adequada para dar a má notícia, é preciso demonstrar uma postura sem julgamentos das escolhas que a família ou a mãe tenham tomado no cenário: “é importante estimular e encorajar o contato da mãe e do bebê, no sentido de permitir que sejam criadas memórias e recordações. É preciso permitir que a mãe fique com o filho o maior tempo possível, prover uma estrutura física acolhedora para que essas interações sejam possíveis, preparar a família para o contato com o bebê natimorto”.

“Explicar como vai estar a pele, o aspecto, se tem alguma má formação, limpar sem dar banho, vestir o bebê, chamar o bebê pelo nome, estar perto dessa família e especialmente dessa mãe com uma distância respeitosa. Também é importante auxiliar a guardar recordações, fazer registros fotográficos, estimular a caixinha de memórias do bebê com mechinha de cabelo, fotos, impressão plantar e palmar, carimbo da placenta e pulseira de identificação. Pode ser acolhedor e importante a equipe prover um cartão ou lembrança carinhosa para essa mãe e família”, explica Carol sobre como o profissional de saúde pode lidar com quem vive o luto.

SOBRE O CUIDA – O Cuida é um projeto idealizado pela médica intensivista e paliativista Carol Sarmento, cujo objetivo é estimular a prática do cuidado entre as pessoas. Com uma abordagem moderna e escrita facilitada, seu propósito se baseia na produção de conteúdo digital em diversas plataformas, alertando sobre a importância do cuidado e do autocuidado para bem viver. Aqui, o cuidado é apresentado por uma equipe de multiespecialistas como uma jornada acolhedora, responsável e flexível, buscando aumentar a autonomia e o protagonismo das pessoas em relação à sua saúde.


Fato Novo com informações: Carolasarmento e cuidagenteinsta no instagram.

 

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