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Atividades humanas ocupam 90% das áreas habitáveis para botos-cinza no RJ

Atividades humanas ocupam 90% das áreas habitáveis para botos-cinza no RJ

Redação
Por: Redação
28/07/2025 às 14h00 Atualizada em 28/07/2025 às 17h00
Atividades humanas ocupam 90% das áreas habitáveis para botos-cinza no RJ
Foto: Reprodução

Estudo da UFRJ revela pressão em habitats da espécie ameaçada nas baías de Sepetiba e Ilha Grande

As atividades humanas ocupam 90% das áreas mais adequadas para a ocorrência do boto-cinza (Sotalia guianensis) no complexo estuarino de Sepetiba e Ilha Grande, na Região da Costa Verde do Rio de Janeiro. É o que revela estudo publicado na Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, liderado por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Pressões identificadas
O estudo apontou diversas atividades humanas como pressões aos habitats dos botos-cinza:
  • Portos
  • Rotas de navegação
  • Áreas de ancoragem
  • Turismo
  • Pesca
  • Canais dragados
Segundo o doutorando em Ecologia pela UFRJ Tomaz Cezimbra, "a sobreposição com estressores de origem humana é enorme, mas esse tipo de informação sobre o uso do habitat é essencial para pensarmos estratégias de manejo e conservação".
Características do habitat
A pesquisa identificou que a espécie possui um habitat restrito no complexo estuarino, onde apenas 25% da área estudada é considerada adequada para o boto-cinza. A preferência é por:
  • Águas rasas
  • Menos salinas
  • Produtividade moderada
Medidas de proteção propostas
O estudo indica medidas como:
  • Redução da velocidade das embarcações
  • Fortalecimento das Áreas Marinhas Protegidas locais
  • Ampliação da fiscalização de atividades ilegais
  • Diálogo constante com as comunidades nativas
Necessidade de ação integrada
Para o coordenador do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (ECoMAR) da UFRJ, Rodrigo Tardin, os órgãos ambientais precisam estar envolvidos no processo de preservação, além de toda a comunidade, incluindo indústrias e pescadores.
"Quando a gente pensa em proteger o boto, estamos falando de proteger todo o ecossistema da Baía de Sepetiba e da Baía da Ilha Grande, então precisamos que todo mundo se envolva", destacou Tardin.
O professor explicou que é necessário distribuir as atividades humanas por locais específicos para evitar o acúmulo de pressões: "Reduzir o impacto das atividades cumulativas seria uma ação muito importante de se tomar para evitar que essa pressão continue degradando o ambiente e levando essas populações a diminuírem cada vez mais".
Função ecológica dos botos
O boto-cinza é considerado uma "espécie guarda-chuva" do ecossistema marinho, pois:
  • Mantém populações de peixe, caranguejo, camarão e lula em níveis equilibrados
  • Percorre grandes distâncias, protegendo automaticamente espécies de menor área de vida
  • Funciona como "sentinela da saúde" dos ecossistemas, acumulando poluentes e indicando a contaminação do ambiente
"Se o boto está muito contaminado, todos os outros elementos daquele ambiente também estão contaminados. Essa é a função do sentinela da saúde do ecossistema", finalizou o professor.

Acesse o estudo completo aqui.


Com informações: ECO
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